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Mundo / 04.08.2026

UE faz reunião de emergência para discutir crise migratória em Ceuta

‘Sofremos abusos em Ceuta’, diz migrante marroquino que chegou à cidade após travessia A União Europeia vai realizar uma reunião de emergência nesta terã-feira (4) para dis...

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POR G1 MUNDO

Publicado em 04/08/2026 às 00:00

UE faz reunião de emergência para discutir crise migratória em Ceuta
© FONTE: G1 Mundo


‘Sofremos abusos em Ceuta’, diz migrante marroquino que chegou à cidade após travessia A União Europeia vai realizar uma reunião de emergência nesta terã-feira (4) para discutir a crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, após a entrada em massa de migrantes vindos do Marrocos. O encontro reunirá ministros do Interior do bloco e busca uma resposta coordenada para a pressão sobre uma das fronteiras externas da UE. O pedido de reunião foi feito por 22 países-membros, em carta enviada à Irlanda, que ocupa a presidência rotativa da União Europeia. O documento defende possível reforço da agência europeia de fronteiras, a Frontex, e uma revisão da cooperação com o Marrocos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Espanha, o epicentro da crise, junto da Irlanda, França, Luxemburgo e Portugal, não assinaram a carta. A crise começou na quinta-feira passada (30), quando cerca de 60 mil pessoas tentaram chegar a Ceuta a nado ou contornando barreiras na fronteira marítima com o Marrocos. A travessia deixou ao menos 72 mortos, a maioria afogada no mar Mediterrâneo. Equipes de busca continuam recuperando corpos na água, enquanto a polícia e o Exército reforçam a vigilância nas ruas e nas praias do enclave. A Espanha afirma ter estabilizado a situação após devolver a maior parte dos migrantes ao Marrocos. Ainda assim, entre 3 mil e 5 mil pessoas permanecem em Ceuta, muitas dormindo ao relento em praias vigiadas pela polícia, em meio à superlotação dos centros de acolhimento. LEIA TAMBÉM Êxodo a Ceuta desloca 100 mil e abre busca por desaparecidos em Marrocos Fantástico vai até Ceuta, epicentro da crise migratória que sacudiu a Europa 4 perguntas para entender a nova crise migratória em Ceuta, enclave espanhol na África A presença de menores desacompanhados agravou o impasse humanitário. Autoridades locais estimam que 862 crianças e adolescentes migrantes estejam em Ceuta, sob proteção legal especial contra deportação. Dois centros de acolhimento, um para adultos e outro para menores, entraram em colapso diante da demanda. Para conter novas entradas, a Guarda Civil espanhola instalou uma barreira flutuante de cerca de 500 metros no mar, transformando parte da costa em uma espécie de "fronteira marítima". A estrutura ficará temporariamente na área e foi colocada no ponto usado por milhares de migrantes para tentar chegar ao território espanhol. A crise também abriu uma disputa política dentro da própria União Europeia. A Itália suspendeu por um mês a livre circulação com a Espanha no Espaço Schengen, retomando controles em viagens aéreas e marítimas entre os dois países. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou a medida e acusou governos europeus de reagirem de forma egoísta e polarizadora. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tentou reduzir as tensões ao agradecer à Espanha pela atuação na crise e afirmar que Madri agiu de forma eficiente para impedir o deslocamento dos migrantes para a Europa continental. Ela também defendeu que o bloco faça mais para reforçar pontos críticos de suas fronteiras externas, com maior vigilância, barreiras físicas e apoio da Frontex. Segundo a colunista do g1 Sandra Cohen, o caos em Ceuta fortaleceu o discurso anti-imigração e forneceu munição a partidos de direita e extrema direita na Europa e nos Estados Unidos. Para ela, as imagens da travessia e do desespero dos migrantes passaram a ser exploradas politicamente por lideranças que buscam associar imigração a medo, desordem e insegurança, isolando Sánchez em um momento de forte pressão sobre a política migratória espanhola. Militares escoltaram migrantes em Ceuta após as recentes travessias em massa de migrantes vindos de Marrocos REUTERS

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