Lula associa tarifaço a Flávio Bolsonaro e o chama de imbecil e traidor da pátria
O presidente Lula (PT) lamentou a decisão do governo Donald Trump de propor um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil e acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) de a...
POR O ESTADO
Publicado em 03/06/2026 às 03:34
O presidente Lula (PT) lamentou a decisão do governo Donald Trump de propor um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil e acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) de agir como um traidor da pátria. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. São na verdade vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”, disse o petista, nessa terça-feira (2), em Catalão (GO).
Em discurso, o presidente destacou as negociações que o Governo Federal tem mantido com o Governo americano desde o ano passado e afirmou que a proposta de um novo tarifaço acontece dias depois de Flávio Bolsonaro ter se reunido com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA. Na sequência, chamou a família de Jair Bolsonaro (PL) de “família metralha”, referiu-se aos filhos do ex-presidente como “os meninos do Bolsonaro” e os acusou de atuar contra os interesses nacionais. Disse ainda que Flávio “foi pedir arrego” a Trump na tentativa de prejudicá-lo para as eleições.
“Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio”, afirmou. Ontem, Flávio Bolsonaro afirmou que pediu “expressamente” para que Trump não aplicasse uma tarifa sobre as empresas brasileiras. Já Lula, lembrou que o filho do ex-presidente celebrou o tarifaço sobre produtos brasileiros adotado no ano passado. “No dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump nos puniu, ele disse: ‘Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo.’”
Em seguida, voltou a fustigar Flávio. “Esse cidadão, hoje, aparece na imprensa dizendo ‘eu não falei nada’. Todo covarde é assim, fala a merda que fala, depois não tem coragem de assumir o que fala e fica tentando mentir.”
A proposta de um novo tarifaço acontece após o governo Trump concluir a investigação da seção 301 contra o Brasil. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que apontou práticas comerciais injustas do Brasil. Agora, o USTR abrirá consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho. A decisão sobre aplicação ou não cabe a Trump. Mesmo que preliminar, a decisão negativa para o Brasil acontece na esteira da decisão dos EUA de designar duas facções que atuam no Brasil como grupos terroristas e reforça a pressão do governo republicano sobre o governo Lula.
Lula ergueu um cartaz com a mensagem “o Pix é do Brasil” e defendeu o mecanismo de pagamentos instantâneos criados pelo Banco Central. “Eu fiquei preocupado porque o Pix assusta eles [norte-americanos]. Eu falei pra o Trump: ‘oh, cara, ao invés de ter medo do Pix, coloca o pix para funcionar nos Estados Unidos. Faz um Pix para nós. É muito mais simples’”, disse o presidente. Em Goiás, Lula participou das inaugurações do novo campus do Instituto Federal Goiano e do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão.
A Seção 301 faz parte da Lei de Comércio dos EUA de 1974 e autoriza o USTR a investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano. A legislação permite que o governo dos EUA adote medidas de retaliação, tarifárias ou não tarifárias, contra países acusados de manter práticas consideradas injustificadas ou discriminatórias. Diferentemente do tarifaço, a Seção 301 tem respaldo jurídico mais consolidado nos Estados Unidos, e punições adotadas com base nela teriam menos chances de serem revertidas judicialmente.
“Tariflávio”
Aliados do presidente Lula tentam emplacar nas redes sociais o termo “Tariflávio” para associar o senador e pré-candidato à Presidência à conclusão da investigação comercial dos Estados Unidos que propõe novas taxas contra produtos brasileiros. As publicações dos governistas buscam comparar a reunião entre Lula e Donald Trump no início de maio, em que ficou decidido que as partes teriam um mês para negociar as tarifas anteriormente anunciadas, e o encontro de Flávio com o americano na última semana, que foi seguido pela classificação de facções como grupos terroristas e agora pelo tarifaço.
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