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Regional / 14.05.2026

Financiamento de filme sobre Bolsonaro levanta debate ao superar custos de produções premiadas

Financiamento de filme sobre Bolsonaro por Daniel Vorcaro, do Banco Master, gera controvérsia ao exceder orçamentos de sucessos do cinema. O post Financiamento de filme sobre Bols...

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POR SOBRAL ONLINE

Publicado em 14/05/2026 às 09:58

Financiamento de filme sobre Bolsonaro levanta debate ao superar custos de produções premiadas
© FONTE: Sobral OnLine
Imagem gerada com IA

O financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado “Dark Horse”, está no centro de uma intensa controvérsia após revelações sobre os valores envolvidos. O montante que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria repassado para a produção é tão expressivo que superaria o orçamento de grandes sucessos do cinema brasileiro e se equipararia a produções internacionais de destaque. A notícia, divulgada pelo Intercept Brasil, levanta questionamentos sobre a origem e a finalidade dos recursos, enquanto os envolvidos negam qualquer irregularidade.

A polêmica ganhou força ao comparar o aporte financeiro do projeto ligado à família Bolsonaro com o custo de filmes aclamados. O valor já transferido, que ultrapassa os R$ 61 milhões, seria suficiente para bancar mais de duas vezes a produção de “O Agente Secreto”, longa brasileiro estrelado por Wagner Moura que concorreu a quatro Oscars em 2026 com um orçamento de R$ 28 milhões.

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Detalhes do Financiamento Milionário para “Dark Horse”

Segundo a reportagem do Intercept Brasil, o projeto “Dark Horse” recebeu US$ 10,6 milhões, equivalentes a cerca de R$ 61 milhões na cotação dos períodos das transferências, entre fevereiro e maio de 2025. Este valor já repassado é parte de um montante total negociado por Vorcaro para financiar a produção, que chegaria a US$ 24 milhões, ou aproximadamente R$ 134 milhões à época. Contudo, não há evidências de que o restante do dinheiro tenha sido efetivamente transferido.

A negociação do financiamento teria sido conduzida diretamente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, com Daniel Vorcaro. A reportagem também menciona a participação de outros intermediários, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado Mario Frias (PL-SP), este último atuando como produtor da obra. Os recursos teriam sido enviados para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e diretamente ligado à produção do filme.

Comparativo de Orçamentos: Financiamento Filme Bolsonaro x Produções de Sucesso

A magnitude do financiamento do filme sobre Bolsonaro se destaca quando comparada a outras produções cinematográficas. Os R$ 61 milhões já repassados superam, por exemplo, o orçamento de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, estimado em R$ 45 milhões. A diferença é ainda mais acentuada em relação a “O Agente Secreto”, cujo custo de R$ 28 milhões é 2,17 vezes menor que o valor já recebido por “Dark Horse”.

O Intercept Brasil também apresentou uma lista de filmes recentes de sucesso com orçamentos de até US$ 10,6 milhões, o valor já repassado ao projeto sobre Bolsonaro. Entre eles, destacam-se:

  • “Terrifier 3” (2024) — com orçamento de US$ 2 milhões, teve bilheteria mundial 38,2 vezes maior;
  • “Fale comigo” (2022) — custou US$ 4,25 milhões e arrecadou 21,6 vezes mais na bilheteria global;
  • “Anatomia de uma queda” (2023) — com US$ 6,7 milhões, venceu a Palma de Ouro e o Oscar de roteiro original;
  • “Longlegs” (2024) — terror que custou US$ 10 milhões e arrecadou US$ 128 milhões mundialmente.

Se considerarmos o valor total negociado de US$ 24 milhões, o filme sobre Bolsonaro se aproxima de produções internacionais com forte presença em premiações e bilheteria. Essa quantia é similar aos custos de filmes como “Conclave”, “A substância” e “Emilia Pérez”, que também tiveram orçamentos na faixa dos US$ 17,5 milhões a US$ 25 milhões.

As Defesas e a Repercussão no Meio Artístico

Diante das acusações, o senador Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade. Em um vídeo, ele afirmou que o apoio de Daniel Vorcaro se tratava de um patrocínio privado, sem qualquer contrapartida. A defesa de Mario Frias, por sua vez, declarou ao Intercept Brasil que as mensagens reveladas demonstram “apenas uma relação legítima entre idealizador do projeto e um potencial apoiador privado da iniciativa”.

A repercussão da notícia também chegou ao meio artístico. O diretor Kleber Mendonça Filho, de “O Agente Secreto”, entrou na discussão nas redes sociais. Em uma publicação no Instagram, o cineasta divulgou uma versão paródica de “Dark Horse”, intitulada “Pangaré Sinistro”, ironizando a situação e o título original do filme.

O caso do financiamento de “Dark Horse” continua a gerar debate, colocando em evidência os vultosos valores envolvidos na produção de conteúdo audiovisual com temática política e as implicações de patrocínios privados de grande escala.

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