Febraban rebate críticas dos EUA e defende Pix como infraestrutura aberta
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) saiu em defesa do Pix após o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos ser alvo de críticas do governo dos Estados Unidos. Em nota, ...
POR O ESTADO
Publicado em 04/06/2026 às 04:05
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) saiu em defesa do Pix após o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos ser alvo de críticas do governo dos Estados Unidos. Em nota, a entidade afirmou que as conclusões do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos foram baseadas em informações incompletas sobre os objetivos, o funcionamento e a natureza da plataforma criada pelo Banco Central.
A manifestação ocorre depois da divulgação dos resultados de uma investigação comercial conduzida pelo órgão norte-americano, que incluiu o Pix entre os fatores que poderiam dificultar a concorrência de empresas dos Estados Unidos no mercado brasileiro de pagamentos. A avaliação americana sustenta que o sistema nacional teria recebido tratamento preferencial, com impactos sobre provedores privados de serviços financeiros.
A Febraban rejeita essa interpretação. Para a entidade, o Pix não deve ser tratado como um produto comercial, mas como uma infraestrutura de pagamentos voltada a ampliar a competição, reduzir custos e melhorar a eficiência do sistema financeiro. A federação afirma que a plataforma contribui para o bom funcionamento do mercado ao permitir transações instantâneas entre diferentes instituições participantes.
Na avaliação da entidade, o Pix favorece a concorrência justamente porque está disponível a instituições financeiras e de pagamento que atuam no mercado brasileiro, sem distinção entre empresas nacionais e estrangeiras. A única condição é que os participantes estejam autorizados a operar no País, uma vez que o sistema realiza transações em reais e foi desenvolvido para atender às necessidades do ambiente financeiro nacional.
A federação também contestou a alegação de que o sistema seria discriminatório. Segundo a Febraban, não existem barreiras relacionadas ao porte, origem ou segmento de atuação dos participantes. A plataforma é aberta a diferentes tipos de instituições e atende todos os residentes no Brasil, incluindo brasileiros e estrangeiros, pessoas físicas e jurídicas.
Outro ponto destacado pela entidade é a gratuidade das transferências entre pessoas físicas, uma das características que ajudaram a popularizar o Pix desde sua criação. No caso de empresas, podem existir cobranças pelas transações, mas, segundo a federação, não há diferenciação entre companhias brasileiras e estrangeiras. Esse desenho, na visão da Febraban, reforça o caráter isonômico da infraestrutura.
O embate ocorre em um momento em que o Pix se consolidou como um dos principais meios de pagamento do País, alterando hábitos de consumidores, empresas e instituições financeiras. A rapidez das transferências, a disponibilidade em tempo real e o baixo custo operacional fizeram com que a ferramenta ganhasse espaço em operações cotidianas, pagamentos comerciais e cobranças de menor valor.
Para a Febraban, o impacto econômico do sistema é positivo. A entidade argumenta que o Pix tem ampliado a inclusão financeira ao reduzir custos de transação e facilitar o acesso da população aos meios digitais de pagamento.
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