Economia Azul movimenta empregos e amplia cadeias produtivas no Ceará
A economia azul, conhecida por economia do mar, vem se consolidando no Ceará a partir de iniciativas e práticas que fazem do Estado referência. Uma delas é a liderança em Aquicultu...
POR O ESTADO
Publicado em 03/06/2026 às 03:24
A economia azul, conhecida por economia do mar, vem se consolidando no Ceará a partir de iniciativas e práticas que fazem do Estado referência. Uma delas é a liderança em Aquicultura, que é o cultivo controlado e sustentável de organismos aquáticos. O Ceará, por exemplo, é o maior produtor de camarão do Nordeste e é responsável por cerca de 25% das exportações de pescados brasileiros.
O estado tem protagonismo na geração de energias renováveis e logística, especialmente com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, e investe na governança do segmento com a criação uma Câmara Setorial da Economia Azul ativa, vinculada à Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) e que fortalece a geração de estudos e pesquisas.
De acordo com o gerente do Observatório da Indústria Ceará e Economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Guilherme Muchale, trabalhar a resiliência dos oceanos é uma condição necessária para o desenvolvimento sustentável das atividades que dependem do mar. “Os oceanos contribuem de maneira efetiva social, econômica e ambientalmente para o Ceará. Só na economia do mar temos 8 mil empregos gerados, principalmente pela indústria de alimentos, mas também pelas atividades portuárias. Eu não conto nessa lista o turismo litorâneo que tem mais de 50 mil empregos”, afirmou.
Ocean Summit
Para discutir o tema, Fortaleza receberá, nos dias 8 e 9 de junho, o Ocean Summit 2026. O evento será realizado pela FIEC, por meio do Observatório da Indústria Ceará, em parceria com o Sebrae, e com o apoio do Hub ODS Ceará e da Câmara Setorial de Economia Azul Adece.
Muchale fala sobre a importância do evento. “Momento de reflexão e de reconhecimento da importância que os oceanos têm para o desenvolvimento econômico sustentável de territórios como o Ceará e Brasil”. O Ocean Summit vai trazer referências internacionais para discutir tendências tecnológicas, sociais, mercadológicas e sustentáveis. Um deles é o empresário, economista e escritor belga, Gunter Pauli. Pioneiro no conceito de Economia Azul, ele é referência global em modelos econômicos regenerativos.
Oportunidades
Segundo Muchale, o evento também é uma oportunidade para agregar valor. “A exemplo da Biotecnologia Azul onde a gente conseguiria fortalecer a nossa produtividade, com novas espécies ou trabalhar em ciclo fechados, a partir de resíduos da tilápia ou do camarão, que podem virar matéria prima para a criação de micro ou macroalgas com poder de geração de energia ou na indústria de cosméticos”, explicou o economista.
O diretor regional do SENAI e superintendente do SESI, Paulo André Holanda, falou como pretende participar do evento. “Estamos preparados para receber as demandas industriais ligadas ao tema, com trabalhos na energia eólica offshore, no segmento portuário, na segurança do trabalhador e no segmento eletrometalmecânico”, pontuou.
O Summit também deve fortalecer o desenvolvimento das micro e pequenas empresas e indústrias inseridas nas cadeias produtivas da economia azul. As MPEs são responsáveis por cerca de 26,5% do PIB nacional, correspondem a 97% do total de empresas no País e um terço dos empregos formais no Brasil e no Ceará.
(Por Emanuel Santos)
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