Com elogios a Flávio Bolsonaro, Trump aterrissa na campanha eleitoral brasileira
O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com Flávio Bolsonaro na Casa Branca. Divulgação/ Truth Social A declaração de apoio inequívoco de Donald Trump ao candidato de ...
POR G1 MUNDO
Publicado em 03/06/2026 às 13:37

O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com Flávio Bolsonaro na Casa Branca.
Divulgação/ Truth Social
A declaração de apoio inequívoco de Donald Trump ao candidato de extrema direita à Presidência da Colômbia e a publicação de uma foto sua com elogios a Flávio Bolsonaro não deixam dúvidas de que o presidente americano segue à risca o mandamento de interferir em eleições estrangeiras. A ideologia MAGA fala alto no alinhamento e na hora de favorecer aliados conservadores.
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Trump enalteceu Abelardo de la Espriella, vencedor do primeiro turno das eleições colombianas, a quem se referiu pelo apelido “O Tigre”. “Devido às suas enormes conquistas na vida e ao seu apoio político, a mim, pessoalmente, é uma honra dar a Abelardo meu apoio total e irrestrito”.
De la Espriella enfrentará no dia 21 o senador de Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro e descrito pelo presidente americano como “um marxista de esquerda radical”. O candidato de extrema direita é fã de carteirinha de Trump, que inspira a retórica populista e agressiva de sua campanha e comunga objetivos comuns.
Candidato conservador, admirador de Trump, sai na frente nas eleições da Colômbia
O presidente americano sinalizou que seguirá a mesma conduta em nosso país, a despeito das boas relações ou da química que ele diz manter com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Horas depois de os EUA anunciarem uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, Trump postou a foto do encontro com Flávio Bolsonaro, ocorrido na semana passada em Washington, em sua rede social, e exaltou o pré-candidato do PL.
“Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!” O primeiro resultado desta reunião foi a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA, defendida por Bolsonaro no encontro.
A interferência do presidente americano em pleitos da América Latina tem sido recorrente e imprime tensão às campanhas eleitorais, especialmente em países onde há forte polarização.
Foi assim, por exemplo, nas eleições legislativas da Argentina e nas presidenciais do Equador e Honduras, no ano passado. Seus candidatos e aliados — Javier Milei, Daniel Noboa e Nasry Asfura — saíram vencedores, e o presidente foi veemente no apoio a eles.
O governo americano ofereceu um pacote de resgate estimado em até US$ 40 bilhões para fortalecer o presidente argentino e impulsionar seu partido antes da votação legislativa de outubro. “Ele teve muita ajuda nossa. Muita ajuda. Eu o apoiei — uma recomendação muito forte”, declarou Trump após o resultado.
Em audiência nesta terça-feira no Congresso, o secretário de Estado, Marco Rubio, corroborou quem são seus aliados na América Latina. O Brasil foi excluído e listado ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela. A contar pelas medidas restritivas anunciadas nos últimos dias ao país, pode-se dizer que Donald Trump aterrissou na campanha eleitoral brasileira.