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Ceará / 04.06.2026

BC alerta para endividamento elevado das famílias e pede cautela no crédito

O endividamento das famílias brasileiras voltou ao centro das preocupações do Banco Central. Em ata divulgada nessa quarta-feira (03/06), o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef...

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POR O ESTADO

Publicado em 04/06/2026 às 04:05

BC alerta para endividamento elevado das famílias e pede cautela no crédito
© FONTE: O Estado

O endividamento das famílias brasileiras voltou ao centro das preocupações do Banco Central. Em ata divulgada nessa quarta-feira (03/06), o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) alertou que tanto o nível de endividamento quanto o comprometimento de renda seguem historicamente elevados e continuaram avançando, em um cenário marcado por juros altos e maior participação de modalidades de crédito mais caras.

Segundo o colegiado do BC, a expansão contínua dessas linhas de crédito de maior custo tende a pressionar ainda mais o orçamento doméstico. Para a autoridade monetária, o quadro exige cautela e diligência adicionais no mercado de crédito, especialmente diante do risco de deterioração da capacidade de pagamento das famílias.

Endividamento
Em março, o endividamento das famílias atingiu 49,8%, muito próximo do recorde histórico de 49,9% da série iniciada em 2005. Já o comprometimento de renda chegou a 29,3%. No cálculo do endividamento, o BC considera o saldo das dívidas no mês em relação à renda disponível acumulada em 12 meses. O comprometimento, por sua vez, mede o peso das dívidas sobre a renda mensal das famílias.
O alerta ocorre em meio ao esforço do governo federal para enfrentar o superendividamento da população. A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva relançou o programa Desenrola Brasil, com previsão de descontos de até 90% na renegociação de dívidas e juros limitados a 1,99% ao mês. Até o momento, foram registradas 1,4 milhão de operações, com desconto médio de 85%.

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Crédito
Desde a reunião anterior do Comef, em março, o Banco Central observou que o crédito bancário continuou desacelerando, reflexo direto do ambiente de juros elevados. A taxa Selic está fixada em 14,5% ao ano, patamar que encarece financiamentos, reduz a disposição dos bancos em assumir riscos e limita a capacidade de famílias e empresas tomarem novos empréstimos.

No caso das famílias, o BC informou que o crescimento do crédito perdeu força nas modalidades de maior risco, mas ainda segue superior ao avanço das carteiras consideradas de menor risco. No setor empresarial, o Comef apontou desaceleração do crédito para micro, pequenas e médias empresas. Esse crescimento, segundo o colegiado, foi sustentado principalmente por programas de incentivo ao crédito. Para grandes empresas, por outro lado, houve reaceleração, indicando maior capacidade desse grupo de acessar recursos mesmo em condições financeiras mais restritivas.

O Banco Central reconheceu que as empresas também sentem os efeitos dos juros elevados, embora a maior parte delas ainda demonstre resiliência. Ainda assim, a materialização de riscos permaneceu alta e em crescimento para companhias de todos os portes. Esse diagnóstico sugere atenção adicional à saúde financeira do setor produtivo, sobretudo entre negócios menores, que costumam ter menor acesso a fontes alternativas de financiamento. O colegiado também chamou atenção para estruturas com várias camadas de fundos que podem dificultar a adequada avaliação dos riscos.

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