Após ser descartada violência sexual, investigação sobre morte da bebê Helena tem novo rumo
As investigações sobre a morte da bebê Helena Almeida, de 10 meses, em Fortaleza, ganharam,nessa sexta-feira (17), um novo rumo após a divulgação do laudo da Perícia Forense do Est...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 18/07/2026 às 08:08
As investigações sobre a morte da bebê Helena Almeida, de 10 meses, em Fortaleza, ganharam,nessa sexta-feira (17), um novo rumo após a divulgação do laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). O exame oficial descartou a hipótese de violência sexual e concluiu que a criança morreu em decorrência de asfixia mecânica indireta, provocando uma reviravolta em um caso que comoveu o país.
Com a conclusão da perícia, a principal linha de investigação deixa de ser estupro de vulnerável seguido de morte. A Polícia Civil passa agora a concentrar os esforços para esclarecer como a bebê foi asfixiada, quem provocou a morte e qual será o enquadramento criminal dos envolvidos.
LESÃO E SUSPEITA
O caso veio à tona na última segunda-feira (13), quando Helena foi levada já sem vida a um hospital particular de Fortaleza. Durante o atendimento, médicos identificaram uma lesão anal considerada compatível com violência sexual e comunicaram imediatamente o fato às autoridades.
Com base nessa avaliação clínica inicial, Francisco Ray Magalhães, de 22 anos, que mantinha um relacionamento com a mãe da criança, e Roberto Levy Magalhães, de 26 anos, primo dele, foram presos em flagrante por suspeita de estupro de vulnerável. Posteriormente, as prisões foram convertidas em preventivas.
LAUDO E CONCLUSÃO DIFERENTE
Quatro dias depois, porém, o laudo da Pefoce apresentou uma conclusão diferente. Os peritos não encontraram sinais de violência sexual, nem identificaram sêmen ou material genético dos investigados no corpo da criança. Exames toxicológicos também descartaram a presença de álcool ou drogas no organismo da bebê.
Embora descarte uma das principais hipóteses iniciais, o resultado da perícia não reduz a gravidade do caso nem encerra as investigações.
COMO OCORREU A ASFIXIA?
A partir de agora, a Polícia Civil busca reconstruir os últimos momentos de vida da criança para esclarecer onde e de que forma ocorreu a asfixia, quem estava com Helena naquele momento e se houve ação ou omissão por parte dos adultos responsáveis por seus cuidados.
Com essa mudança de cenário, passam a ter maior peso os laudos cadavéricos, as perícias no local onde a bebê esteve antes da morte, os depoimentos das testemunhas, imagens de câmeras de segurança, análises dos celulares dos investigados e a reconstituição da sequência dos fatos.
PERÍCIA X HOSPITAL
Outro aspecto que deverá ser aprofundado pela investigação é a divergência entre o relatório médico elaborado no hospital e o laudo da Perícia Forense.
O documento produzido pela equipe médica — assinado por quatro emergencistas pediátricos e dois cardiologistas — apontava uma laceração anal e indicava sinais considerados compatíveis com violência sexual, circunstância que motivou a prisão dos suspeitos.
Já a perícia oficial concluiu que não houve abuso sexual. Diante da diferença entre as avaliações, a Polícia Civil pretende esclarecer a origem da lesão observada pelos médicos e verificar se ela está relacionada ao mecanismo que provocou a asfixia ou a outro tipo de trauma.
HISTÓRICO
Segundo o depoimento da mãe, Ysabelle Rodrigues, ela participava de uma confraternização no apartamento de Francisco Ray, com quem mantinha um relacionamento recente. A bebê teria sido colocada para dormir em um quarto.
A mulher afirmou à polícia que, ao retornar ao cômodo, encontrou a filha em uma posição diferente e viu Roberto Levy, primo de Francisco Ray, sobre a criança. Inicialmente, ela acreditou que a bebê estivesse engasgada e a levou ao hospital, onde a morte foi constatada.
Com a divulgação do laudo pericial, a investigação entra em uma nova etapa, agora voltada exclusivamente para esclarecer as circunstâncias da asfixia que causou a morte de Helena e definir as responsabilidades criminais dos envolvidos.