Após conflito no Ceará, Eduardo Bolsonaro amplia crise no clã, chama Michelle de “imatura” e dificulta reaproximação com Flávio
Mesmo distante geograficamente do cenário político brasileiro, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a incendiar os bastidores da sucessão presidencial ao fazer du...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 21/07/2026 às 18:05
Mesmo distante geograficamente do cenário político brasileiro, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a incendiar os bastidores da sucessão presidencial ao fazer duras críticas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em entrevista concedida nesta terça-feira, Eduardo classificou como “imatura” a decisão de Michelle de tornar pública a crise com o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), movimento que tende a dificultar ainda mais uma reaproximação entre os dois e a presença da ex-primeira-dama no palanque da convenção do partido.
Ao comentar o episódio, Eduardo afirmou que divergências familiares jamais deveriam ser expostas publicamente.
“Essas disputas internas infelizmente vieram a público. Acho que demonstra até uma imaturidade da Michelle. Ela jamais poderia ter feito aquele vídeo. Esses assuntos eu não vou mais comentar para não dar pano para a manga. É internamente que a gente resolve esse tipo de coisa”, declarou ao portal Metrópoles.
O vídeo citado por Eduardo foi divulgado por Michelle há cerca de um mês e marcou o auge da crise dentro da família Bolsonaro. Na gravação, a ex-primeira-dama afirmou ter sido maltratada pelo enteado e criticou diretamente a condução política de Flávio, expondo publicamente um conflito que até então era tratado apenas nos bastidores.
A disputa teve origem nas negociações para a formação da chapa do PL no Ceará. Michelle defendia o apoio do partido à candidatura da vereadora Priscila Costa (PL), uma de suas principais aliadas e então vice-presidente nacional do PL Mulher. Já Flávio conduziu as articulações que resultaram no apoio do partido ao senador Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes.
Inconformada com o desfecho das negociações, Michelle responsabilizou aliados de Flávio por inviabilizarem a candidatura de Priscila ao Senado e, poucos dias depois, anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. Embora tenha atribuído a decisão à necessidade de dedicar mais tempo aos cuidados com Jair Bolsonaro e à filha Laura, dirigentes do partido reconhecem que o rompimento político acelerou seu afastamento da direção da ala feminina da legenda.
As declarações de Eduardo ocorrem justamente no momento em que dirigentes nacionais do PL tentam convencer Michelle a participar da convenção que oficializará a candidatura de Flávio à Presidência da República. O objetivo da cúpula partidária é transmitir uma imagem de unidade do bolsonarismo, mas a nova manifestação do ex-deputado amplia o desgaste interno e torna essa reaproximação ainda mais difícil.
Apesar da crise, Eduardo procurou minimizar os reflexos do episódio sobre a campanha presidencial do irmão. Segundo ele, a principal queda registrada por Flávio nas pesquisas esteve relacionada ao caso envolvendo o filme Dark Horse e o banqueiro Daniel Vorcaro, e não ao conflito com Michelle.
“O Flávio já se recupera daquela oscilação que ele teve para baixo com relação ao ‘Dark Horse’, não com relação à Michelle. Acho que vamos chegar com cada vez mais gente apoiando o Flávio”, afirmou.
Eduardo também disse acreditar que a candidatura do senador continuará atraindo partidos de centro e sustentou que a direita chegará mais unida às eleições, embora, até o momento, legendas estratégicas como a federação União Progressista e o Republicanos ainda não tenham aderido formalmente ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.