“Faltou um debate sobre o projeto de país durante o primeiro turno”, diz Guilherme
Líder de Elmano pondera condução da reeleição de Lula e faz ressalvas diante da possibilidade de vitória do adversário, Flávio Bolsonaro The post “Faltou um debate sobre o projeto...
POR O ESTADO
Publicado em 21/10/2026 às 01:00
Em conversa com jornalistas nesta terça-feira (20), o deputado estadual Guilherme Sampaio (PT) afirmou que a onda de apoios que o presidente Lula (PT) passou a receber após ir para o segundo turno das eleições começou tardiamente.
Para o líder do governador Elmano de Freitas (PT) na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), a movimentação crítica, acerca do que o parlamentar chama de riscos para a democracia e para a garantia de políticas públicas à população diante da possibilidade de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), deveria ter ocorrido ainda na prévia do primeiro turno das eleições, ocorrido no último dia 4.
O líder do Palácio da Abolição realizou coletiva de imprensa após o fim da sessão plenária. “Na realidade, faltou um debate sobre o projeto de país durante o primeiro turno. Nós concentramos em três semanas uma tomada de consciência da população sobre o que estava em jogo, dos perfis dos candidatos que estão colocados, e esse debate só se instala objetivamente de forma mais aprofundada agora no segundo turno”.
O deputado, contudo, afirma estar “otimista vendo a população brasileira se apropriar do seu futuro”. Retomando o argumento inicial, o líder do governo argumenta que a primeira parcela social a perceber que valores democráticos podem correr risco “foi a juventude que foi para as ruas e arrastou multidões e tem feito uma movimentação Brasil afora”.
Também para Guilherme Sampaio existe em curso uma “percepção da falta de qualificação” de Flávio Bolsonaro, bem como das suspeitas de envolvimento do candidato adversário com esquemas de corrupção vinculados ao ex-banqueiro, preso, Daniel Vorcaro e ao advogado Willer Tomaz.
“Quanto mais a população tem a oportunidade de olhar para isso, mais ela percebe o risco que o Brasil corre numa eleição apertada em que o candidato adversário tem esse perfil e tem uma tradição de contra os direitos sociais”.
O parlamentar cita também políticas públicas, como o Bolsa Família e o fim da Escala 6×1, que podem ser extintas numa eventual vitória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), argumenta o deputado estadual.
“Votou contra o aumento do Bolsa Família lá atrás, se posicionou inicialmente contra o fim da escala 6×1 e só voltou atrás agora por conta das eleições […] Combinou com o empresariado de rever o fim da escala 6×1. Mas acho que a nossa tarefa agora é conversar sobretudo com quem não foi votar para que as pessoas tomem consciência que o futuro do Brasil está na mão dessas pessoas e de todos nós que temos essa consciência política sobre o que é que significa a democracia”.
Evita críticas
Questionado sobre uma crítica de Chagas Vieira, ex-chefe da Casa Civil de Elmano e suplente eleito da senadora eleita Luizianne Lins (Rede), direcionada a líderes locais que, segundo Chagas, estão atuando aquém do necessário na campanha de segundo turno de Lula, Guilherme Sampaio evitou entrar no mérito da argumentação do aliado ou apontar nomes e fala em “momento de assumir essa responsabilidade”.
“O que está em jogo aqui é se todas as pessoas que se apresentaram para a população, com as suas ideias, com as suas propostas, vão ter amanhã um país democrático em que vão continuar podendo se apresentar […] Ninguém tem mais que esperar por governador, deputado, vereador, presidente. Agora é uma campanha do povo brasileiro e isso está acontecendo nas ruas”.
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