Yury do Paredão e Davi de Raimundão entram na mira do Ministério Público Eleitoral, que pede cassação dos mandatos por irregularidades na campanha de 2026
Dois deputados reeleitos pelo MDB no Ceará entraram na mira do Ministério Público Eleitoral (MPE) por suspeitas de irregularidades durante a campanha de 2026. O órgão pediu, nessa ...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 04/11/2026 às 17:13
Dois deputados reeleitos pelo MDB no Ceará entraram na mira do Ministério Público Eleitoral (MPE) por suspeitas de irregularidades durante a campanha de 2026. O órgão pediu, nessa segunda-feira (2), a cassação dos diplomas e a anulação dos votos do deputado federal Yury do Paredão e do deputado estadual Davi de Raimundão, acusados de abuso de poder econômico e utilização eleitoral de serviços de saúde na região do Cariri.
O pedido do MPE será apreciado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que receberá, também, defesas de Yuri e Davi. Se o TRE acatar o pedido do MPE, o caso pode ser levado ao TSE.
REELEIÇÃO
A votação de Yuri e Davi superou todas as estimativas dos bastidores políticos. Os dois parlamentares conquistaram a reeleição em outubro. Yury do Paredão recebeu 261.291 votos para a Câmara dos Deputados, enquanto Davi de Raimundão obteve 95.814 votos para a Assembleia Legislativa do Ceará. A votação de Yuri proporcionou ao MDB eleger à Câmara Federal o ex-prefeito de Novo Oriente, Neném Coelho.
ANULAÇÃO DE VOTOS
Além da cassação e da anulação dos votos, o Ministério Público Eleitoral solicita a declaração de inelegibilidade por oito anos para os dois deputados e outros três investigados, entre eles o ex-prefeito de Juazeiro do Norte Raimundo de Macedo, conhecido como Raimundão, pai do deputado estadual Davi de Raimundão.
Se anulados os votos, o TSE determina uma retotalização de votos, o que tiraria as vagas de Yuri e Neném. As duas vagas seriam redistribuídas para outros partidos, beneficiando, provavelmente, o PSB e o PSD. Em 2026, o TSE anulou os votos atribuídos ao então candidato Heitor Freire (União Brasil), o que tirou o mandato da deputada Daynny do Capitão e levou Priscila Costa (PL) a garantir uma vaga na Câmara Federal.
Ministério Público aponta uso eleitoral de serviços de saúde no Cariri
A investigação envolve a suspeita de utilização de atendimentos médicos gratuitos como instrumento de favorecimento eleitoral.
Segundo o MPE, o grupo teria participado de um esquema envolvendo a unidade móvel de saúde denominada “Carreta Conectados pela Cura”, vinculada ao Hospital e Maternidade São Vicente de Paulo, em Barbalha, e atividades do Instituto Dra. Yanny Brena.
De acordo com a denúncia, a carreta, que oferece consultas e exames gratuitos por meio de convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS), teria concentrado seus atendimentos em Juazeiro do Norte durante o ano eleitoral.
O Ministério Público sustenta que esses serviços foram realizados sem observar a regulação oficial do SUS, enquanto milhares de pacientes permaneciam na fila de espera por consultas e exames.
A suspeita é de que a oferta de atendimentos médicos tenha sido utilizada para aproximar eleitores das candidaturas de Yury do Paredão e Davi de Raimundão.
Emendas parlamentares destinadas à saúde estão sob investigação
Outro ponto central da denúncia envolve a destinação de recursos públicos para o financiamento dos serviços de saúde.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, a unidade móvel teria recebido pelo menos R$ 1,25 milhão em emendas parlamentares individuais de Yury do Paredão, além de recursos provenientes de emendas de comissão articuladas pelo deputado.
O órgão também aponta que o Instituto Dra. Yanny Brena, presidido por Márcia Araújo, mãe de Yury, recebeu destaque nas ações da carreta, embora, conforme a denúncia, não existisse contrato formal com o hospital nem participação financeira da entidade no custeio dos exames.
O MPE relata ainda que, em novembro de 2025, Yury anunciou R$ 3 milhões para a realização de mamografias no hospital, com participação do instituto.
Em 2026, o hospital teria firmado novos convênios envolvendo emendas parlamentares de R$ 2 milhões e R$ 3,1 milhões. Segundo a investigação, os documentos foram assinados um dia após o lançamento da aliança eleitoral entre Yury e Davi.
Para o Ministério Público, o conjunto dessas circunstâncias aponta possíveis irregularidades no direcionamento de serviços públicos de saúde em benefício das candidaturas.
Cassação poderá mudar bancadas na Câmara e na Assembleia
Se o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) acolher os pedidos do Ministério Público, a anulação dos votos poderá provocar uma nova totalização dos resultados das eleições de 2026.
Nesse cenário, será necessário recalcular os quocientes eleitoral e partidário e a distribuição das vagas conquistadas pelas legendas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.
A mudança poderá beneficiar candidatos que não conseguiram se eleger em outubro, dependendo dos novos cálculos e da situação jurídica do processo.
O Ministério Público também pediu, especificamente em relação a Yury do Paredão, a possibilidade de aplicação de multa de até 100 mil Unidades Fiscais de Referência (Ufir), conforme o enquadramento legal das irregularidades investigadas.
Yury defende parceria com instituto; Davi nega irregularidades
Em nota, Yury do Paredão afirmou que mantém uma relação de parceria e respeito com o Instituto Dra. Yanny Brena, apoiando iniciativas sociais desenvolvidas pela entidade.
O deputado ressaltou que o incentivo a instituições que oferecem serviços à população faz parte de sua atuação parlamentar.
Segundo Yury, apoiar organizações comprometidas com o atendimento à comunidade contribui para ampliar o acesso a serviços essenciais e melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Na manifestação apresentada, entretanto, o parlamentar não respondeu individualmente às irregularidades descritas pelo Ministério Público Eleitoral.
Já Davi de Raimundão informou que ainda não havia sido notificado oficialmente pela Justiça Eleitoral e que analisará a ação com sua equipe jurídica assim que tiver acesso ao processo.
O deputado estadual declarou estar convicto de que sua campanha respeitou a legislação. “Tenho a plena convicção que nossa campanha está isenta de qualquer prática não permitida pela Justiça Eleitoral, e confiamos nela”, afirmou Davi.