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Ceará / 23.06.2026

Violência digital contra mulheres cresce 188,6% em um ano

As ocorrências de violência contra mulheres em ambientes digitais registraram alta de 188,6% em um ano, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (22/06) pelo Ministério d...

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POR A NOTICIA DO CEARÁ

Publicado em 23/06/2026 às 22:00

Violência digital contra mulheres cresce 188,6% em um ano
© FONTE: A Noticia do Ceará

As ocorrências de violência contra mulheres em ambientes digitais registraram alta de 188,6% em um ano, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (22/06) pelo Ministério das Mulheres. Entre janeiro e maio deste ano, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 contabilizou 16.725 denúncias relacionadas a esse tipo de crime. No mesmo intervalo de 2025, o número era de 5.795 registros, segundo o levantamento.

O aumento chama atenção para a expansão de práticas de violência em espaços virtuais, como redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outras plataformas digitais. Nesses ambientes, segundo o ministério, mulheres e meninas são submetidas a ações como ameaças, perseguições, humilhações, chantagens, exposição indevida e ataques que comprometem sua dignidade e integridade.

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Segundo a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o crescimento das denúncias pode estar relacionado à redução da subnotificação. Para ela, a maior confiança no serviço e a melhoria no acolhimento podem ter contribuído para o aumento dos registros.

Violência digital contra mulheres cresce 188,6% em um ano
Foto: Reprodução

“Ter os dados da realidade é muito importante. A gente só vai acertar nas respostas pelos governos, políticas públicas, quando tiver mais realismo nas informações”, pontuou. No entendimento de Márcia Lopes, a queda da subnotificação pode ser explicada tanto pelo fortalecimento da credibilidade do canal quanto pela qualificação do atendimento prestado às vítimas.

Como parte desse processo de adaptação à realidade da violência digital, o Ministério das Mulheres promoveu entre 9 e 22 de junho a capacitação de cerca de 350 atendentes do Ligue 180. A ação aconteceu em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom/PR).

A coordenadora-geral da central, Ellen Costa, afirmou que o serviço já recebia denúncias de violência no ambiente virtual. Porém, a atualização dos protocolos busca aprimorar a identificação desses casos e orientar de forma mais precisa as vítimas.

“Nesse momento que vivemos, com a violência que acaba sendo realizada nos meios digitais, é importante a gente ter as atendentes qualificadas para saber, em um atendimento virtual, identificar esses tipos de violência e repassar essa informação para a população. É um diferencial”, disse.

Além da formação das atendentes, o ministério também atualizou o formulário de registro de ocorrências, incluindo novas categorias específicas para violência digital. A mudança, segundo a coordenação do serviço, amplia a capacidade de mapeamento e adequa o sistema às transformações sociais.

Dados

Atualmente, o Ligue 180 registra em média cerca de três mil ocorrências por dia em todos os canais. Desse total, aproximadamente 30% correspondem a denúncias, enquanto o restante envolve pedidos de informação e orientações. Os dados mais recentes indicam ainda uma mudança no ranking das denúncias: os casos de violência no ambiente digital passaram da sétima posição em 2025 para a quinta em 2026.

Violência digital contra mulheres cresce 188,6% em um ano
Foto: Freepik

O levantamento também detalha o perfil das vítimas. No ano passado, quase metade das mulheres atendidas (48%) eram negras, sendo 37,5% pardas e 10,5% pretas. Mulheres brancas representaram 34,2% dos registros.

Em relação à faixa etária, o maior número de denúncias foi registrado entre mulheres de 35 a 44 anos, grupo que respondeu por 21,6% dos casos. Ao ampliar o recorte para idades entre 25 e 49 anos, o percentual chega a 50,8% do total. Quanto à escolaridade, 25,7% das vítimas possuíam ensino médio completo. Já no recorte econômico, 45,9% não tinham renda ou recebiam até um salário mínimo.

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