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Ceará / 23.06.2026

Brasil registra mais de 115 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes em apenas quatro meses

O Brasil convive com uma realidade alarmante quando o assunto é a proteção da infância. Somente nos quatro primeiros meses de 2026, foram registradas 115.814 denúncias de violações...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 23/06/2026 às 23:07

Brasil registra mais de 115 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes em apenas quatro meses
© FONTE: Ceará Agora

O Brasil convive com uma realidade alarmante quando o assunto é a proteção da infância. Somente nos quatro primeiros meses de 2026, foram registradas 115.814 denúncias de violações de direitos contra crianças e adolescentes, em um país que possui atualmente cerca de 55 milhões de pessoas com menos de 18 anos.

Os dados foram apresentados nesta terça-feira (23), durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, que avaliou o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes.

As estatísticas mostram que a maioria das vítimas é do sexo feminino e que o principal local das agressões continua sendo a própria residência, onde vivem tanto a vítima quanto o suspeito. A faixa etária mais atingida é a de crianças entre 4 e 8 anos de idade.

Presidente da comissão, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que os números revelam uma situação extremamente grave e alertou para a subnotificação dos casos.

— Os casos notificados representam menos de 10% da realidade. Estamos vivendo uma epidemia. O abuso sexual de crianças e adolescentes é uma das maiores pandemias da história — declarou.

Abuso sexual responde pela maioria dos casos

A secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Leila Cristina Pereira da Silva, informou que, somente em 2025, foram registrados 3.183 casos de violência contra crianças e adolescentes no estado.

Segundo ela, 90% das ocorrências envolvem abuso sexual, seguido por violência física, psicológica, negligência e exploração sexual.

Os principais agressores são homens, especialmente pais, padrastos e outros familiares.

Além da violência sexual, também foram citados casos de tortura, tráfico de pessoas, exploração econômica, trabalho infantil e violência autoprovocada, como automutilação e tentativas de suicídio.

Governo aposta em atuação integrada

Representando o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Célia Carvalho Nahas destacou que o enfrentamento à violência exige atuação conjunta entre diferentes órgãos públicos.

Entre as ações em andamento está uma parceria com a Polícia Rodoviária Federal para atualizar metodologias de identificação de pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Segundo ela, o governo federal pretende entregar, até o fim do ano, cinco planos nacionais atualizados de enfrentamento à violência, além de consolidar novas políticas públicas para o setor.

Ambiente digital amplia desafios

Durante a audiência, especialistas ressaltaram que o ambiente virtual tem ampliado os desafios para a proteção de crianças e adolescentes.

Para Damares Alves, os criminosos utilizam cada vez mais as redes sociais e ferramentas digitais para praticar abusos, exigindo respostas rápidas e permanentes do poder público e da sociedade.

Participantes do debate defenderam ainda campanhas educativas contínuas, fortalecimento dos Conselhos Tutelares, ampliação da rede de proteção e revisão das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência infantojuvenil.

Com informações da Agência Senado.

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