Veredito no Rio: Jairinho condenado a mais de 43 anos e Monique Medeiros recebe perdão judicial no caso Henry Borel
A Justiça do Rio de Janeiro proferiu o veredito no caso Henry Borel, condenando Jairinho e concedendo perdão judicial a Monique Medeiros. O post Veredito no Rio: Jairinho condenad...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 04/06/2026 às 06:20

A Justiça do Rio de Janeiro proferiu nesta quarta-feira (4) um veredito de grande impacto no caso Henry Borel, que chocou o país. O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, foi condenado a uma pena de 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão. A decisão do Tribunal do Júri o considerou culpado por homicídio duplamente qualificado e por um dos crimes de tortura que lhe foram atribuídos durante o processo.
Monique Medeiros, mãe da criança, também foi julgada e condenada por omissão diante da tortura sofrida pelo filho. Contudo, sua pena de 1 ano e 4 meses de prisão foi considerada já cumprida. Em relação à acusação de homicídio, os jurados desclassificaram o crime para homicídio culposo, e a juíza Elizabeth Machado Louro aplicou o perdão judicial à ré, encerrando mais um capítulo de um dos casos mais acompanhados pela opinião pública brasileira.
O longo e complexo julgamento do caso Henry
O processo judicial que culminou neste veredito foi marcado por uma série de sessões intensas e emocionantes. Durante o julgamento, diversas testemunhas foram ouvidas, incluindo delegados responsáveis pela investigação, médicos legistas que apresentaram laudos cruciais, peritos, familiares de Henry, babás e os próprios réus, Jairinho e Monique Medeiros. Cada depoimento e prova apresentada contribuíram para a formação do convencimento dos jurados.
A complexidade do caso exigiu uma análise minuciosa de todas as evidências. A acusação, representada pelo Ministério Público, buscou demonstrar a responsabilidade dos réus nos crimes, enquanto as defesas trabalharam para contestar as imputações e apresentar suas versões dos fatos.
Provas e reviravoltas: o papel das imagens no processo
Um dos pontos centrais da acusação foi a exibição de diversas provas visuais que ajudaram a contextualizar os últimos momentos de Henry. O Ministério Público apresentou vídeos e imagens da criança ao lado de seu pai, Leniel Borel, incluindo registros de Henry brincando no parquinho de um condomínio no último fim de semana antes de sua morte. Essas imagens contrastavam com o desfecho trágico do caso.
Além disso, foram exibidas imagens das câmeras de segurança do elevador do prédio onde Henry morava. Essas gravações mostravam o menino no colo de Monique, ao lado de Jairinho, horas antes do falecimento. Fotografias da perícia realizada no Instituto Médico-Legal também foram apresentadas, detalhando as lesões e as circunstâncias da morte da criança, elementos cruciais para a decisão dos jurados.
A defesa e o inesperado depoimento de Monique Medeiros
Durante o julgamento, a defesa de Monique Medeiros exibiu vídeos da criança com a mãe, buscando demonstrar um relacionamento afetuoso e questionar a narrativa da acusação. Os advogados de Monique sustentaram que ela teria sido vítima de violência de gênero e de um relacionamento abusivo, o que a teria impossibilitado de agir de forma diferente.
Em um dos momentos mais marcantes do interrogatório, Monique acusou Jairinho pela primeira vez pela morte do filho, afirmando acreditar que o ex-vereador foi o responsável pelas agressões contra Henry. Essa reviravolta no depoimento gerou grande repercussão. Jairinho, por sua vez, negou veementemente todas as acusações que pesavam contra ele, mantendo sua versão dos fatos até o final do processo.
Conclusão do júri e o impacto da decisão
Após intensos debates entre acusação e defesa, o conselho de sentença se reuniu para a votação dos quesitos. A decisão final resultou na condenação de ambos os réus, Jairinho e Monique Medeiros, pela morte de Henry Borel, embora com desfechos distintos para cada um. O veredito encerra um período de grande expectativa e comoção em torno do caso, que mobilizou a atenção de todo o país.
A sentença de Jairinho, com uma pena superior a quatro décadas de prisão, reflete a gravidade dos crimes pelos quais foi considerado culpado. Já o perdão judicial concedido a Monique, após a desclassificação do homicídio para culposo e a pena por omissão já cumprida, encerra sua participação no processo de forma diferente. O caso Henry Borel permanece como um marco na história jurídica brasileira, destacando a importância da proteção à infância e a busca incessante por justiça.
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