Sete em cada dez brasileiros não sabem o quanto devem, aponta estudo
A falta de controle do orçamento tem transformado o endividamento em um problema silencioso para a maioria dos brasileiros. Segundo a pesquisa “Vulnerabilidade financeira: hábitos ...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 13/05/2026 às 18:32
A falta de controle do orçamento tem transformado o endividamento em um problema silencioso para a maioria dos brasileiros. Segundo a pesquisa “Vulnerabilidade financeira: hábitos do endividamento dos brasileiros”, do Centro de Estudos Aplicados de Marketing (CEAM) da ESPM, cerca de sete em cada dez brasileiros (71,9%) não sabem o valor total do que devem. O levantamento também mostra que 67,6% da população não se sente financeiramente segura e que 73,7% admitem não ter controle sobre a própria vida financeira.
O estudo aponta falhas na organização doméstica básica, o que gera um efeito cascata de descontrole. A pesquisa mostra que cerca de 63% dos brasileiros afirmam não ter familiaridade com a gestão de finanças pessoais. Além disso, 78,8% não fazem lista de compras e 65,8% não mantêm registros básicos de ganhos e gastos.
— Essa falta de clareza inviabiliza qualquer estratégia eficaz de renegociação ou redução de gastos, aprisionando o cidadão em um ciclo contínuo de juros e incerteza — diz Flávio Bizarrias, coordenador do CEAM ESPM.
Entre os brasileiros com renda de até R$ 8.100 — público-alvo do programa de renegociação Desenrola Brasil —, o estudo mostra um acesso diversificado ao crédito. Segundo a pesquisa, 45,68% utilizam canais exclusivamente digitais, enquanto 19,42% ainda recorrem a agências ou telefone, e 34,89% operam de forma híbrida.
Vulnerabilidade sem proteção
A pesquisa indica que o brasileiro não tem uma rede de proteção financeira. A falta do hábito de comparar produtos financeiros (65,5%) se soma ao fato de que 71,5% não utilizam seguros ou garantias como forma de proteção.
O resultado é uma vulnerabilidade crônica, aponta o estudo: 67,9% afirmam não ter tranquilidade para lidar com imprevistos, por não possuírem reservas financeiras ou mecanismos de proteção.
Essa fragilidade é intensificada pelo desconhecimento do mercado financeiro. A maioria dos entrevistados (77,3%) admite não ter experiência com produtos financeiros mais complexos — o mesmo percentual dos que nunca investiram em ações. Sem saber como fazer o dinheiro render, 74,4% não diversificam suas formas de poupança ou investimento. Como consequência, 62,2% dizem não conseguir guardar dinheiro para realizar sonhos.
Dinheiro virou fonte de preocupação
A pesquisa aponta ainda que, para 78,4% dos brasileiros, o dinheiro deixou de ser um facilitador e passou a ser uma barreira para aproveitar a vida. A privação aparece também nos momentos de descanso: 67,2% não conseguem gastar com lazer e 61,5% não têm condições de viajar nas férias.
Mais da metade da população (55,4%) está insatisfeita com a forma como utiliza o crédito, mostra o estudo. Além disso, 70,5% desaprovam a maneira como administram os próprios gastos. Para 60,4%, a renda mal cobre as necessidades básicas, o que, segundo a pesquisa, ajuda a explicar por que apenas 7,1% conseguem comprar o que desejam.
Sinais de mudança
Apesar do cenário marcado pelo “modo sobrevivência”, a pesquisa identifica sinais ainda tímidos de mudança. Embora 52,2% reconheçam que não cuidam do futuro financeiro como deveriam, 28,7% já estabelecem metas de curto prazo, enquanto 27,3% começam a planejar o longo prazo.
— O retrato é o de um cidadão sitiado. Ele entende a necessidade de poupar, mas a ausência de margem no orçamento, somada ao desconhecimento técnico sobre crédito e seus efeitos, o mantém preso a hábitos ineficientes — diz Bizarrias.