Semana se encerra com mal-estar público entre Eunício e Cid
Disputa histórica, que se arrasta há pelo menos uma década, ganha mais um capítulo em novo pleito, com troca de alfinetadas entre senador e deputado federal The post Semana se enc...
POR O ESTADO
Publicado em 18/07/2026 às 02:00
A última semana antes do período de convenções partidárias, que se inicia na próxima segunda-feira (20), termina com clima de tensão entre o senador e candidato à reeleição Cid Gomes (PSB) e o deputado federal Eunício Oliveira (MDB), ambos da base governista.
A discussão é histórica e caminha para criar raízes em mais um pleito, tendo em vista as declarações dadas por Eunício, na quinta-feira (17), dois dias após o governador Elmano de Freitas (PT) publicar uma foto ao lado do presidente Lula (PT), os senadores Camilo Santana (PT) e Cid Gomes (PSB), o deputado federal Júnior Mano (PSB) e outros líderes da base, confirmando a candidatura de Cid ao Senado com Mano na primeira suplência.
A foto em questão, que foi registrada após uma reunião de alinhamento com Lula, pôs fim na irresolução que estava situada na vaga pessebista na majoritária de Elmano. Nos comentários costurados pelo parlamentar a um veículo local de comunicação, Eunício chama Cid de traidor, inclusive fazendo referência direta à decisão do senador concorrer a um cargo na chapa antagônica à de seu irmão, que é pré-candidato ao Governo do Ceará pelo PSDB, Ciro Gomes (PSDB), e afirma que a resposta para suas traições será dada nas ruas.
Questionado durante agenda ao lado do governador Elmano sobre as críticas de Eunício, Cid evitou ampliar o embate e limitou-se a responder: “Eu desejo a ele saúde”. O senador também afastou especulações de que poderia renunciar ao mandato, caso seja eleito, para abrir espaço ao primeiro suplente, Júnior Mano (PSB). “Renunciar é uma palavra que não está no meu dicionário”, afirmou, acrescentando que assumiria o mandato caso fosse novamente escolhido pelos eleitores.
Assunto mal resolvido
A relação entre Cid Gomes e Eunício Oliveira atravessa mais de uma década de disputas políticas, rompimentos e reaproximações pontuais. A convivência, no entanto, começou a apresentar rachaduras no período que antecedeu as eleições de 2014, quando divergências sobre a sucessão estadual passaram a expor um desgaste.
Naquele pleito, Eunício defendia sua candidatura ao Governo do Ceará pelo MDB (à época PMDB), enquanto o grupo liderado pelos irmãos Ferreira Gomes, ainda juntos, optou por lançar Camilo Santana, que acabou sendo eleito. A disputa marcou o rompimento definitivo entre os dois líderes.
Em 2018, apesar de integrarem a base do então governador Camilo Santana, as divergências permaneceram. Já em 2022, voltaram a dividir o mesmo palanque na campanha que elegeu Elmano de Freitas (PT), entretanto, a aproximação girava mais em torno da eleição de Elmano do que de fato uma trégua na briga que os envolvia.
Já em 2026, a confirmação de Cid como candidato à reeleição ao Senado reduziu o espaço disponível na majoritária governista justamente quando Eunício também buscava viabilizar uma candidatura à Casa Alta. Até então, Cid se repetia em dizer que havia dado sua palavra a Júnior Mano e que a vaga seria do deputado federal.
Correndo por fora
Nas margens da discussão que envolve ainda uma vaga para vice-governador, uma cadeira ao Senado e quatro espaços para a suplência, tendo em vista que é necessária indicação de quatro suplentes, dois para cada senador, estão Domingos Filho (PSD), Luizianne Lins (Rede) e Chiquinho Feitosa (Republicanos). Todos já foram contemplados com acenos de Elmano.
O mais recente, foi para Luizianne. A ex-prefeita de Fortaleza está em franca pré-campanha ao Senado desde meados de maio. Elmano, que já foi aliado de primeira hora da parlamentar, afirmou em evento recente “terei muita alegria se a companheira Luizianne [sair] ao Senado”.
Luizianne já foi citada inclusive por Domingos Filho, que na última semana disse a este jornal que enxerga como positiva uma aproximação entre Luizianne e o governador. O presidente do PSD no Ceará é um dos nomes também citados por Elmano e que argumenta que o partido tem fôlego político para entrar na disputa por um lugar ao sol na majoritária da base.
O PSD é atualmente o partido que mais tem cadeiras na Câmara dos Deputados pelo Ceará, além da capilaridade de lideranças no interior. Domingos Filho utiliza esses argumentos desde o início das negociações deste ano para sustentar a tese que o partido merece uma vaga. Na quinta-feira (16), na Expocrato Elmano acenou mais uma vez ao presidente do PSD Ceará, dizendo que Domingos tinha “nome para qualquer posição na chapa”.
Já Chiquinho Feitosa corre por fora buscando também uma oportunidade de encabeçar a senatória com apoio do governador. Aliado de primeira hora de Elmano, o ex-ministro Camilo Santana afirmou em meados de junho que não há vetos sobre o nome do presidente estadual do Republicanos, assim como não há restrições sobre outras indicações.
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