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Ceará / 03.11.2026

Resultado eleitoral coloca União em necessidade de “recalcular rota” no Legislativo

No Ceará, sigla não logrou novos espaços e nacionalmente aguarda decisões de Lula para eventual cargo em ministério The post Resultado eleitoral coloca União em necessidade de “re...

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POR O ESTADO

Publicado em 03/11/2026 às 02:00

Resultado eleitoral coloca União em necessidade de “recalcular rota” no Legislativo
© FONTE: O Estado

O resultado das eleições de 2026 colocou o União Brasil diante da necessidade de recalcular a rota de sua posição política no Ceará e nacionalmente. Depois de atuar oficialmente como oposição ao governador Elmano de Freitas (PT) na disputa estadual, a legenda chega ao período pós-eleitoral com pouca ou sem ampliação de espaço nas casas legislativas.

Também sem uma definição clara sobre o caminho que pretende seguir na próxima legislatura. A derrota da chapa majoritária estadual e o desempenho nas disputas proporcionais alteraram as condições políticas desse grupo. 

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Na próxima legislatura da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), o União Brasil terá dois representantes: Moses Filho e James Abel. Na atual legislatura, a sigla não conta com nenhum parlamentar na Casa.

O saldo, apesar de positivo, não é o melhor cenário, haja vista que o partido lançou 29 nomes para a Casa, de acordo com os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como pano de fundo, o PL, então aliado da sigla no pleito, ampliou sua presença e passou a ocupar um espaço mais expressivo no campo oposicionista. O PSDB, também aliado na última eleição, teve recuo das cadeiras na Casa, mas manteve nomes e ainda formará uma bancada maior que a do União.  

Na Câmara dos Deputados, a bancada cearense também ficará restrita a dois parlamentares, Moses Rodrigues (União) e Danilo Forte (União), ambos reeleitos.

Mauro Filho não conseguiu renovar o mandato, assim como Dayanny Bittencourt (União), que chegou a ocupar uma cadeira na Câmara como suplente em exercício,mas não obteve êxito na última disputa.

Em Fortaleza, o partido mantém um representante na Câmara Municipal, Soldado Noélio (União). 

Nacionalmente, o partido também segue em incógnita sobre o “lado escolhido”. A legenda compôs ministério no atual governo Lula (PT). Nas decisões legislativas, parte mais moderada da bancada de deputados tem histórico de votações ligadas ao governismo. Entretanto, há outra parte do partido que segue aliada ao bolsonarismo. 

Aguardando decisão

A redução da representação, entretanto, não é o único fator que deve influenciar os rumos da legenda. A principal questão envolve a posição que seus integrantes adotarão diante dos governos estadual e federal.

A eventual participação do União Brasil no governo do presidente Lula (PT), por meio de um ministério, pode interferir diretamente nessas articulações.

Entre os nomes cotados para uma possível indicação da legenda está o deputado federal cearense reeleito Moses Rodrigues. O parlamentar integra uma ala considerada moderada do União Brasil nacional, ligada à direção de Antônio Rueda, e mantém proximidade política com o ex-ministro da Educação e cotado para ocupar o posto de ministro da Casa Civil de Lula 4, Camilo Santana (PT).

A possibilidade, contudo, depende das negociações entre o Palácio do Planalto e os partidos do Centrão. Durante a eleição estadual, Moses não fez campanha aberta pela reeleição de Elmano nem pela candidatura de Lula, especialmente no segundo turno.

Uma eventual indicação ao primeiro escalão do governo federal poderia alterar sua posição nas articulações locais.

Entre os nomes que representam uma variável nesta conta dos rumos do partido está o deputado federal Danilo Forte. O parlamentar tem em seu histórico  atuação absolutamente ligada ao campo oposicionista. O deputado pode ter posicionamento contrário a uma eventual integração da legenda ao governismo.

O deputado federal AJ Albuquerque (PP), presidente do PP no Ceará, por sua vez, também deverá ter sua posição considerada nas decisões da Federação União Progressista, embora pertença a outra legenda.

No Ceará

No Ceará, a federação está sob influência de Capitão Wagner e Roberto Cláudio (União Brasil), que integraram a chapa derrotada na disputa pelo Governo do Estado. A participação dos dois nas próximas articulações será outro fator para definir se o grupo continuará atuando como um bloco de oposição ou se haverá espaço para aproximações individuais com o governo.

Caso Moses Rodrigues seja indicado para um ministério, a legenda passaria a ter um integrante no primeiro escalão de Lula, o que abriria espaço para novas negociações políticas no Ceará. Esse movimento, porém, não resolveria automaticamente as diferenças entre os integrantes do partido nem definiria a posição da federação diante de Elmano.

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