Relatório diz que proximidade de Maranguape a CE e BR justifica aumento de violência
Anuário publicado nesta quinta (23) traz cidade pela 2ª vez consecutiva como a mais violenta do Brasil. SSPDS aponta redução no 1º semestre de 2026 The post Relatório diz que proxi...
POR O ESTADO
Publicado em 24/07/2026 às 09:03
Levantamento nacional de segurança pública aponta que Maranguape é pelo segundo ano consecutivo a cidade mais violenta do Brasil, cenário que pode ser explicado, conforme o estudo, pelo fato de o município estar próximo de duas rodovias que facilitam o escoamento do tráfico de drogas.
As informações sobre 2025 são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), publicadas nesta quinta-feira (23) no Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Maranguape, situada na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), fica localizada nas proximidades da rodovia estadual CE-065 e da rodovia federal BR-222, “regiões que integram conflitos entre organizações criminosas que enxergam o município como ‘atrativo’ por apresentar ‘importantes corredores logísticos para o tráfico de drogas’, aponta o documento.
Segundo a entidade, no ano passado, Maranguape apresentou 100,3 mortes violentas intencionais para cada 100 mil habitantes, uma taxa que supera em pelo menos cinco vezes a nacional, de 19,1 para cada 100 mil habitantes. A pesquisa disponibilizada no ano passado, com dados de 2024, a taxa foi de 79,9 na cidade, ou seja, menor que em 2025.
O ranking da instituição categoriza as dez cidades no Brasil com maiores níveis de Mortes Violentas e Intencionais (MVIs). O documento também cita outras duas cidades da RMF, Maracanaú e Caucaia, em 3º e 7º lugar, respectivamente. Foram pontuados os mesmos motivos pelo levantamento de mortes, como a proximidade das localizações e as organizações criminosas que compõem e disputam pela região.
Maracanaú soma taxa de 80,7 casos de MVI por 100 mil habitantes. Segundo o fórum de segurança, a cidade também registra conflitos entre três organizações criminosas que possuem atuação nacional. As facções não foram citadas no anuário no momento da explicação do índice do município. Já Caucaia possui uma taxa de 66,6 casos de MVI por 100 mil habitantes.
A hipótese apresentada no documento, de disputas e acordos entre as facções, é validada pela circunstância logística: o município é próximo ao Porto de Pecém e à rodovia BR-020. “No Ceará, as disputas por territórios e domínios faccionais desencadeiam outro fenômeno, a expulsão de moradores de suas casas, a mando dos grupos criminosos, com a justificativa de alianças desses moradores com grupos rivais”, adensa o anuário.
Caucaia, Maracanaú, Maranguape e Fortaleza estão entre os municípios com este tipo de relato, pontua também a instituição. No ranking das dez mais violentas do Brasil em 2025, todas as cidades estão na região Nordeste: além das três no Ceará, há cinco na Bahia, uma em Pernambuco e uma na Paraíba.
Portanto, com base no levantamento, o fórum mostra que quatro dos nove estados nordestinos concentram os municípios mais perigosos do país. Ceará, Bahia, Pernambuco e Paraíba são unidades federativas litorâneas, com escoamento de cargas possíveis, além de por rodovias, por equipamentos portuários e aeroportuários para outros países.
Números da SSPDS
Em nota enviada ao O Estado, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) pontua que reconhece os números, mas argumenta que se referem a 2025 e que houve uma redução de ocorrências nas três cidades da RMF citadas no ranking do anuário no primeiro semestre de 2026. Em dois dos três municípios, Maranguape e Maracanaú, a redução está na casa dos 90% no caso de MVIs, e de 50% no outro, Caucaia.
“É importante destacar que, com os investimentos realizados pelo Governo do Ceará e a intensificação das ações policiais, os municípios cearenses mencionados no estudo apresentaram diminuição nos índices de mortes por crimes violentos, de crimes contra o patrimônio, além de apresentarem aumento nas apreensões de armas de fogo e prisões, no primeiro semestre de 2026”.
O texto também diz que, em Maranguape, a diminuição de mortes por crimes violentos, no primeiro semestre de 2026, “foi de 97,4%, com um (01) CVLI registrado, em comparação com os 39 CVLIs ocorridos entre janeiro e junho do ano passado”.
A nota acrescenta que, em Maracanaú, “a redução de janeiro a junho de 2026 foi de 90,9%, com sete mortes violentas, contra 77 no mesmo período do ano anterior. Já em Caucaia, a redução no mesmo período foi de 56,8%, com 51 mortes por crimes violentos registradas, frente a 118 casos no mesmo período de 2025”.
No primeiro semestre em todo o Ceará, foram 583 crimes a menos, em comparação com o primeiro semestre de 2025. Nos seis primeiros meses de 2026, aconteceram 846 mortes violentas, contra 1.429 ocorrências no mesmo período do ano passado, uma redução de 40,8%. Em Fortaleza, a redução ficou em 61,9%, com 149 registros nos seis primeiros meses deste ano, contra 391 no mesmo período do ano passado.
Na RMF, a redução ficou em 66,3%, com 136 ocorrências de janeiro a junho deste ano, contra 403 casos nos seis primeiros meses de 2025. Com 73 casos a menos, o Interior registrou uma retração de 11,5% no mesmo período, contabilizando 562 casos, quando comparado com o primeiro semestre do ano passado, que ocorreram 635 casos.
Os dados estão disponíveis no Painel Dinâmico da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp). MVI e CVLI são siglas que guardam basicamente as mesmas categorizações de crimes, com uma diferença entre ambas: MVI inclui mortes praticadas por agentes de Estado.
O anuário é publicado anualmente, com base em números oficiais das autoridades de segurança dos estados acrescidos da análise de especialistas em segurança pública. (Por Letícia Saraiva, estagiária sob supervisão de editores)
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