Pesquisa revela impacto positivo da vacinação na redução do HPV entre jovens
Um estudo considerado o maior já realizado na América Latina sobre a eficácia da vacina contra o HPV mostrou que a prevalência dos principais tipos do vírus caiu quase pela metade ...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 24/07/2026 às 09:52
Um estudo considerado o maior já realizado na América Latina sobre a eficácia da vacina contra o HPV mostrou que a prevalência dos principais tipos do vírus caiu quase pela metade no Brasil após o início da imunização.
Os dados da pesquisa revelam que, entre 2016 e 2017, 14,98% dos participantes haviam sido infectados por pelo menos um dos quatro tipos de HPV contemplados pela vacina. Já nas amostras coletadas entre 2020 e 2023, esse percentual caiu para 7,95%.
O estudo Pop-Brasil foi conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde. Na primeira etapa, foram avaliadas amostras de 6.388 pessoas não vacinadas, de ambos os sexos. Na segunda fase, mais de 10 mil participantes, vacinados e não vacinados, tiveram amostras coletadas em unidades de saúde.
Apesar de a cobertura vacinal ainda estar abaixo da meta recomendada de 90%, os resultados apontam um impacto significativo da imunização. Entre as meninas e mulheres, 61,8% haviam recebido a vacina, enquanto entre os homens a cobertura foi de 31,1%.
Nas participantes do sexo feminino, a prevalência dos quatro tipos de HPV protegidos pela vacina era de 15,6% na primeira etapa da pesquisa. Já na segunda fase, entre as mulheres vacinadas, esse índice caiu para apenas 3,1%, evidenciando a eficácia do imunizante.
Vacina demonstra proteção
Outro resultado reforça a importância da vacinação. Enquanto a prevalência geral do HPV — considerando todos os subtipos do vírus — aumentou de 46,7% para 56,6% entre as duas fases do estudo, os quatro tipos combatidos pela vacina registraram queda expressiva.
A pesquisa também indicou que o esquema vacinal atualmente adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com apenas uma dose, oferece proteção eficaz. Os pesquisadores não identificaram diferenças na prevalência do vírus entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses do imunizante.
A vacinação contra o HPV foi incorporada ao SUS em 2014, inicialmente destinada apenas às meninas. Em 2017, a campanha passou a incluir também os meninos, com ajustes na faixa etária ao longo dos anos. Desde 2024, o esquema básico passou de duas para apenas uma dose.
Atualmente, a vacina é oferecida gratuitamente a crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. O imunizante também está disponível para grupos adultos considerados mais vulneráveis, como pessoas imunossuprimidas, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP) e pacientes que já apresentaram lesões precursoras do câncer do colo do útero.