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Mundo / 17.08.2026

Rússia condena político da oposição a mais de 11 anos de prisão por criticar guerra na Ucrânia

Ucrânia faz maior ataque contra Rússia desde início da guerra, no fim de semana Um tribunal da Rússia condenou nesta segunda-feira (17) o político opositor Lev Shlosberg a ...

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POR G1 MUNDO

Publicado em 17/08/2026 às 14:04

Rússia condena político da oposição a mais de 11 anos de prisão por criticar guerra na Ucrânia
© FONTE: G1 Mundo


Ucrânia faz maior ataque contra Rússia desde início da guerra, no fim de semana Um tribunal da Rússia condenou nesta segunda-feira (17) o político opositor Lev Shlosberg a 11 anos e um mês de prisão por se manifestar contra a guerra na Ucrânia. A decisão ocorre às vésperas das eleições parlamentares do país, marcadas para setembro, e faz parte da crescente repressão a críticas ao governo do presidente Vladimir Putin. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Shlosberg é um dos principais integrantes do partido Yabloko, a única legenda registrada na Rússia que se posiciona abertamente contra a guerra na Ucrânia. Segundo autoridades russas, a condenação está relacionada às declarações públicas feitas pelo político sobre o conflito. A sentença é mais um capítulo da campanha do Kremlin para silenciar vozes dissidentes desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Partido também fica fora das eleições Em outra decisão anunciada nesta segunda-feira, a Suprema Corte da Rússia manteve a exclusão do partido Yabloko das eleições parlamentares que serão realizadas entre 18 e 20 de setembro. A legenda havia recorrido da decisão, mas o pedido foi rejeitado. As medidas contra Shlosberg e o Yabloko reforçam a postura do governo russo de não tolerar críticas à guerra na Ucrânia, iniciada em 2022. Lev Shlosberg, ao centro, integrante da cúpula do partido Yabloko, é conduzido para fora do tribunal após ser condenado por um juiz a mais de 11 anos de prisão, em um tribunal na cidade de Pskov, na Rússia. Associated Press Segunda condenação em dois anos Shlosberg, de 63 anos, é vice-presidente do partido Yabloko e foi deputado na Assembleia Legislativa da região de Pskov entre 2016 e 2021. Ele foi julgado na cidade de Pskov, cerca de 600 quilômetros ao noroeste de Moscou, acusado de "desacreditar" as Forças Armadas russas e divulgar supostas informações falsas sobre os militares. As acusações tiveram origem em um debate no qual defendeu o fim da guerra na Ucrânia e em uma publicação feita em seu canal no Telegram. Na postagem, ele compartilhou a capa de um jornal britânico que mostrava uma mulher ensanguentada ao lado de uma foto de Putin, com uma manchete que responsabilizava o líder russo pela violência. Shlosberg afirma que as acusações não têm fundamento. Esta foi a segunda vez que ele foi levado a julgamento nos últimos dois anos. Além disso, o opositor recebeu o status de "agente estrangeiro", uma classificação usada pelas autoridades russas para pessoas ou organizações que, segundo o governo, recebem influência do exterior. A designação impõe restrições adicionais e aumenta a fiscalização do Estado. Shlosberg também foi condenado por supostamente descumprir as regras aplicadas a pessoas classificadas como "agentes estrangeiros". Em dezembro de 2025, ele foi colocado em prisão preventiva pelas novas acusações e permanece detido desde então. Nos últimos anos, outros integrantes do Yabloko também foram presos ou receberam a mesma classificação, em meio ao aumento da pressão do Kremlin sobre o partido. Partido chama sentença de "bárbara" Na declaração final apresentada ao tribunal na sexta-feira (14), Shlosberg afirmou que, ao longo dos últimos 30 anos, a Rússia percorreu "um caminho que foi da esperança de liberdade à quase completa destruição dos direitos e das liberdades civis". O político também disse que a guerra na Ucrânia mudou a vida de todos os cidadãos russos. Segundo ele, quando o número real de mortos no conflito se tornar conhecido, "todo o país ficará chocado". Em nota, o Yabloko classificou a condenação como uma "sentença bárbara" e afirmou que Shlosberg foi punido por defender a paz e pedir um cessar-fogo. O partido informou que vai recorrer da decisão. A organização Anistia Internacional também criticou a condenação. Marie Struthers, diretora da entidade para Europa Oriental e Ásia Central, afirmou que o processo e a sentença representam uma represália pelo fato de Shlosberg ter defendido publicamente a paz. Ela pediu a libertação imediata do opositor e a anulação da condenação. A entidade também cobrou o fim das leis que criminalizam manifestações pacíficas contra a guerra e da perseguição a integrantes e apoiadores do Yabloko.

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