Quem é Gabriela Hardt, juíza afastada do cargo por dois anos por atos na Operação Lava Jato
CNJ decide afastar juíza que atuou na Lava Jato O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou, nesta terça-feira (4), a juíza Gabriela Hardt do cargo por dois anos por atos ...
POR G1 POLÍTICA
Publicado em 04/08/2026 às 20:05

CNJ decide afastar juíza que atuou na Lava Jato
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou, nesta terça-feira (4), a juíza Gabriela Hardt do cargo por dois anos por atos praticados durante atuação dela na Operação Lava Jato.
A juíza conduziu a operação no período em que assumiu a 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná. Atualmente, a juíza está na 23ª Vara Federal em Curitiba.
Hardt foi substituta do ex-juiz Sergio Moro nos processos da Lava Jato. Em 2019, ela condenou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do sítio de Atibaia. A decisão foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ela também foi acusada de plagiar uma sentença de Moro no processo. Relembre abaixo.
Hardt assumiu temporariamente a 13ª Vara Federal durante as férias e o afastamento do juiz Eduardo Appio, afastado após uma investigação apontá-lo como autor de uma ligação telefônica com tom de ameaça ao filho de um desembargador federal.
Quem é Gabriela Hardt
Juíza Gabriela Hardt assumirá os processos da Lava Jato
Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo
Hardt é paranaense, tem 47 anos e cresceu em São Mateus do Sul, a 150 quilômetros de Curitiba. O pai dela trabalhava em uma unidade da Petrobras que fica na cidade.
Formada em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde o ex-juiz Sérgio Moro dava aulas, ela prestou concurso para a Justiça Federal em 2007 e foi nomeada juíza dois anos depois, para uma vaga em Paranaguá, no litoral do estado.
Em 2014, foi nomeada juíza substituta na 13ª Vara Federal e assumia os trabalhos quando o juiz Sergio Moro saía de férias.
Em uma dessas ocasiões, em maio de 2018, Gabriela Hardt mandou prender o ex-ministro José Dirceu, que, na sequência, conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em novembro daquele ano ela assumiu o cargo e ficou à frente da 13ª Vara Federal de forma provisória quando Moro deixou a magistratura para virar ministro do governo Bolsonaro.
A juíza também foi responsável por reconhecer legalidade nas palestras ministradas pelo presidente Lula às empreiteiras investigadas na operação. Ela também liberou parte dos valores de recursos e bens do então ex-presidente que estavam bloqueados.
Em 2019, a defesa de Lula citou a repetição errônea da palavra "apartamento" como um indício de que Gabriela teria plagiado texto de Sergio Moro no processo do sítio de Atibaia, como publicado pelo jornal O Globo. Ela negou o plágio e alegou ser comum que os juízes federais aproveitem sentenças de colegas para não ter de começar a redigir uma decisão do zero.
Hardt afirmou que fez a sentença com base na do colega e esqueceu de tirar a palavra "apartamento". Ela frisou, contudo, que a fundamentação e os fatos narrados eram diferentes no documento por ela redigido.
Também em 2019, a juíza determinou a operação da Polícia Federal que investigava ameaças contra Moro vindas de uma facção. Nove pessoas foram presas.
Fora da magistratura, a juíza é atleta. Ela começou a nadar ainda jovem e competiu em provas de maratonas aquáticas, nadando cinco quilômetros em águas abertas.
Afastamento
A apuração foi aberta pelo CNJ em 2024, depois que uma fiscalização feita pela Corregedoria apontou supostas irregularidades na validação por Gabriela Hardt de um acordo que tinha o objetivo de criar uma fundação privada que seria abastecida com recursos da Lava Jato, a partir do pagamento de multas de empresas condenadas. Os valores chegariam a R$ 2 bilhões.
O afastamento do cargo, chamado de "pena de disponibilidade", é a segunda sanção mais grave prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). O magistrado fica afastado, mas continua com vencimentos proporcionais e fica proibido de exercer outras funções, como advocacia ou cargo público.
O conselheiro Rodrigo Badaró, relator do processo, avaliou que houve falta de cautela da juíza que homologou o acordo em menos de 48 horas, sem a prudência devida.
"Ninguém quer demonizar o interesse de recuperar dinheiro para o Brasil, mas nossa obrigação aqui é verificar se a juíza naquele momento deveria ter tido mais cuidado, adentrado mais na questão, deveria ter notificado as partes, consultado órgãos", disse.
O conselheiro afirmou que não há indícios de que Hardt tenha atuado com intuito de proveito próprio.
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