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Regional / 23.07.2026

Priscila Costa barrada do Senado: Entenda a decisão do PL e os bastidores da política cearense

Priscila Costa não disputará o Senado pelo PL. A decisão do partido em favor de Alcides Fernandes movimenta os bastidores da política cearense. O post Priscila Costa barrada do Se...

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POR SOBRAL ONLINE

Publicado em 23/07/2026 às 00:15

Priscila Costa barrada do Senado: Entenda a decisão do PL e os bastidores da política cearense
© FONTE: Sobral OnLine
Priscila Costa barrada do Senado: Entenda a decisão do PL e os bastidores da política cearense

A política cearense foi palco de uma reviravolta significativa nesta quarta-feira (22/07), com a confirmação de que a deputada Priscila Costa não será a candidata do Partido Liberal (PL) ao Senado Federal. A decisão, tomada durante convenção da sigla, consolidou Alcides Fernandes como o único nome na disputa pela vaga, preterindo Costa em um movimento que gerou amplas discussões nos bastidores.

A própria Priscila Costa, por meio de sua assessoria, declarou ao O Povo que foi “impedida de ser candidata”, uma afirmação que ecoa a complexidade das articulações partidárias. Este desfecho, embora impactante, já era antecipado por muitos analistas, especialmente após os acontecimentos envolvendo Michelle Bolsonaro, que teriam enfraquecido as aspirações da deputada.

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Decisão do PL: Priscila Costa fora da corrida ao Senado

A oficialização da candidatura de Alcides Fernandes ao Senado pelo PL marca o fim de uma longa e intensa batalha política para Priscila Costa. A expectativa em torno de sua postulação vinha desde o primeiro anúncio de sua possível candidatura, feito por Michelle Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto. Na época, a deputada reiterava que a indicação representava a “mais pura vontade” de Jair Bolsonaro.

No entanto, a saída de cena de Michelle Bolsonaro, que já havia gerado um sinal de enfraquecimento com o desfazimento da posse de Priscila na presidência do PL Mulher, pavimentou o caminho para a atual decisão. A articulação interna do partido, conforme apurado, direcionou-se para a candidatura de Fernandes, alterando o cenário que se desenhava há mais de um ano.

Os bastidores da escolha e o peso familiar

A postulação de Priscila Costa, que parecia ter o aval das altas esferas do bolsonarismo nacional, esbarrou em interesses locais e familiares. A decisão de apoiar Alcides Fernandes, pai do líder bolsonarista cearense André Fernandes, reflete uma priorização de laços familiares e de grupo dentro da estrutura partidária. Este movimento garantiu mais um espaço para o sobrenome Fernandes na chapa de oposição, reforçando a influência familiar no poder institucional.

A dinâmica dos grupos conservadores, muitas vezes, tem nos interesses familiares a mola mestra de suas atuações. A oportunidade de André Fernandes de ampliar a presença de sua família no poder institucional parece ter sido um fator determinante, sobrepondo-se a outras considerações políticas e de representatividade dentro do partido.

Ascensão e o dilema da liderança feminina

Priscila Costa construiu uma trajetória política notável, ganhando projeção nacional ao se tornar a vereadora mais votada do Nordeste em 2024, com mais de 36 mil votos. Sua atuação como vice-presidente do PL Mulher, aliada ao carisma de Michelle Bolsonaro, permitiu-lhe desenvolver uma persona carismática e uma excelente oratória, consolidando-a como uma promessa de liderança feminina no cenário conservador.

Contudo, essa ascensão pode ter sido, paradoxalmente, um fator para sua preterição. A expressiva votação que uma eventual candidatura ao Senado poderia lhe render a colocaria em uma posição de liderança conservadora e feminina de grande destaque, o que, para alguns, poderia ameaçar as futuras movimentações do líder alencarino, visando, por exemplo, as eleições de 2028. A disputa interna, que se arrastou por mais de um ano, gerou rusgas e pode deixar marcas duradouras nas relações de Priscila com seu grupo político.

Repercussões e o cenário político no Ceará

A exclusão de Priscila Costa da disputa ao Senado não passou despercebida, gerando diversas acusações nas redes sociais, com postagens que desacreditavam suas declarações e até insinuavam que ela seria uma “feminista” em um ambiente inadequado. Houve até quem sugerisse que a “raiva” de Michelle Bolsonaro se devia à impossibilidade de emplacar Priscila como candidata, conforme havia solicitado para uma composição com Ciro.

A falta de solidariedade entre seus pares foi notável, com parlamentares correligionários se posicionando ao lado de André Fernandes. A deputada Silvana Oliveira, por exemplo, chegou a afirmar que Priscila não havia “conquistado o grupo”. Com a decisão do partido, o Ceará perde a oportunidade de ter uma candidatura feminina com capilaridade dentro do campo conservador na disputa majoritária, uma vez que toda a chapa oposicionista é agora ocupada por homens.

A situação de Priscila Costa, que em alguns momentos encenou a “braba” – com frases como “copa sem Neymar é como eleição pro Senado sem Priscila” –, parece ter culminado no papel da “mulher comum”, cujas aspirações são sacrificadas em prol dos objetivos do líder local, travestidos de “bem grupal”. A análise de sua trajetória, inclusive em estudos acadêmicos como a dissertação de Mestrado em Sociologia de Kerolaine de Castro, sob orientação do autor, que identificou os ethos da “mulher comum” e da “braba”, ressalta a complexidade de sua posição e as nuances da política de gênero.

Para mais informações sobre o cenário político cearense, acesse Focus Poder.

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