Pesquisa insere Ceará entre estados com maior alta de mortes por intervenção policial
Secretário da Segurança, Roberto Sá defendeu em coletiva a atuação da corporação e sugeriu que aumento da repressão ocorre por haver mais policiamento no Estado The post Pesquisa i...
POR O ESTADO
Publicado em 02/07/2026 às 01:00
O Ceará teve 200 mortes por intervenções policiais no estado em 2025, maior número desde 2019. Os dados são da pesquisa Pele Alvo, da Rede de Observatórios da Segurança, que avaliou nove estados brasileiros. Nesta quarta-feira (1º), o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Roberto Sá, se pronunciou sobre os números do relatório e sugeriu que o aumento da repressão ocorre por haver mais policiamento no Estado. “Nosso policial, quanto mais aborda, mais situação de risco ele está enfrentando […] seria até natural que houvesse mais situações de confronto’’, disse. A fala foi em coletiva de imprensa durante entrega de 135 viaturas para a corporação de segurança pública no Ceará.
Divulgado nesta quarta (1º), o levantamento do Centro de Estudos da Segurança e Cidadania (CESeC) analisa o número de mortos em intervenções policiais conforme a cor da pele. O documento reúne dados das secretarias estaduais de nove estados, e insere, na análise regional, o Ceará, junto a Maranhão (142), Pará (632) e São Paulo (834), na condição de “barril de pólvora” do último ano. Os 200 óbitos no Estado por esse tipo de ofensiva representam, segundo o levantamento, o maior número de vítimas mortas no Estado desde seis anos atrás.
Sá afirma que os números decorrem de um processo “natural” das ações ofensivas. O secretário relaciona o aumento no número de mortes a conduta de criminosos. “Isso é decorrência da postura dos vagabundos. Se forem enfrentar, vão ter esse destino’’, disse. Além do Ceará, o documento reúne dados das secretarias estaduais de Segurança do Amazonas, Bahia, Maranhão, Pará, de Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Reforço na segurança
Das 135 viaturas entregues nesta quarta, 100 foram destinadas à Polícia Militar do Ceará (PMCE), 10 viaturas blindadas para a Polícia Civil do Ceará (PCCE) e 25 para guardas municipais. Estes também receberam 10 tonfas, também conhecidas como bastões policiais, e seis rádios comunicadores cada. O evento ocorreu no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), em Fortaleza.

Participaram da ocasião o governador Elmano de Freitas; a vice-governadora, Jade Romero; o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), Romeu Aldigueri; o secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Roberto Sá; o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará (PCCE), Márcio Gutierrez; o comandante-geral da Polícia Militar do Ceará (PMCE), coronel Sinval Sampaio; o diretor-geral da Academia de Segurança Pública do Ceará (AESP), Leonardo Barreto, e demais autoridades.
Durante a cerimônia, o governador reiterou que a entrega faz parte da estratégia de fortalecimento da estrutura das forças de segurança e da ampliação da presença policial nos municípios. Elmano também adiantou que as estatísticas de violência no Estado no mês de junho são consideradas positivas. “Aguardamos um dia mais, para deixar concluir os números que temos, mas nós vamos fechar também o mês de junho, como provavelmente o melhor mês de junho da série histórica. Faremos seis meses do Ceará menos violento dos últimos 10, 12, 15 anos”, afirmou.
Elmano X André
Na mesma coletiva, Elmano afirmou que a gestão deve ouvir, “de maneira formal”, o deputado federal André Fernandes (PL) sobre a alegação de suposta interferência em uma operação da Polícia Civil em Acopiara feita pelo parlamentar. Na ocasião, 290 mil pés de maconha foram encontrados no local. “Interessa demais saber que autoridade é essa”, disse Elmano em resposta às declarações do deputado. (Por Júlia Lopes, estagiária sob supervisão de editores)
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