Justiça de São Paulo mantém negativa de prisão para Pms acusados de matar estudante
TJSP rejeita pela quinta vez pedido de prisão preventiva de PMs acusados de matar estudante de medicina em São Paulo. O post Justiça de São Paulo mantém negativa de prisão para Pm...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 02/07/2026 às 02:11

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) voltou a ser palco de uma decisão que reacende o debate sobre a aplicação da justiça em casos envolvendo policiais militares. Pela quinta vez, a corte rejeitou o pedido de prisão preventiva dos PMs acusados de assassinar o estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos. A decisão, unânime, foi proferida pela 12ª Câmara de Direito Criminal e representa mais um capítulo na longa batalha judicial travada pela família da vítima.
Os policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho Prado são réus no processo por homicídio doloso e deverão ser submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. A insistência da família em buscar a prisão preventiva dos acusados reflete a gravidade do caso e a busca incessante por uma resposta que considerem justa diante da perda irreparável.
TJSP Reitera Decisão sobre Prisão de PMs: Ausência de Fundamentos
A mais recente negativa do TJSP à solicitação de prisão preventiva baseou-se na alegação de que não há previsão legal para a medida nos termos apresentados. Os desembargadores mantiveram o entendimento de que a prisão preventiva não se justifica neste estágio processual, uma vez que os réus têm cumprido rigorosamente as medidas cautelares impostas anteriormente pela Justiça.
Entre as obrigações dos acusados, está o comparecimento periódico em juízo, garantindo que permaneçam à disposição da Justiça. É importante ressaltar que o próprio Ministério Público de São Paulo (MPSP) se manifestou contra a decretação das prisões, alinhando-se ao entendimento do colegiado. Além disso, os magistrados apontaram que a assistência de acusação, representada pelos advogados da família, não teria legitimidade para requerer a preventiva nos moldes apresentados.
Relembrando o Trágico Incidente que Vitimou Marco Aurélio
O caso que chocou a capital paulista ocorreu em novembro de 2024, em um hotel localizado na zona sul de São Paulo. Segundo a denúncia, o estudante Marco Aurélio Cardenas Acosta foi fatalmente baleado no abdômen após uma perseguição que se iniciou com um incidente de trânsito. A vítima teria atingido o retrovisor de uma viatura policial e, em seguida, corrido em direção ao estabelecimento para se abrigar.
Imagens de câmeras de segurança do hotel, amplamente divulgadas, registraram a sequência dos acontecimentos. O vídeo mostra Marco Aurélio entrando correndo no hotel, sem camisa, seguido de perto por um policial militar que o puxa pelo braço, já com a arma em punho. Em um momento de desespero, o estudante tenta se desvencilhar, quando um segundo PM surge e desfere um chute contra ele.
Ainda nas imagens, o jovem segura o pé do policial, que perde o equilíbrio e cai. Foi nesse instante crítico que o agente armado efetuou o disparo contra Marco Aurélio. A versão dos policiais, registrada na ocorrência, alegava que o estudante estava “bastante alterado e agressivo”, resistiu à abordagem e tentou subtrair a arma de um dos agentes. No entanto, as imagens não corroboram a tentativa de pegar a arma, levantando sérias dúvidas sobre a narrativa oficial.
A Luta Incansável da Família por Justiça e os Próximos Passos
A família de Marco Aurélio Cardenas Acosta recebeu a quinta negativa judicial com profunda indignação e um “sentimento de impotência”, conforme declarado pelo pai da vítima, o médico Julio Cesar Cardenas. Ele criticou veementemente o que classificou como “excessivo formalismo jurídico”, expressando a frustração diante da dificuldade em ver os acusados sob custódia, mesmo após a morte do filho.
Apesar da nova derrota nos tribunais, a família e seus advogados não desistem da batalha. Eles têm a prerrogativa de recorrer a instâncias superiores, buscando reverter a decisão e garantir que os PMs acusados respondam ao processo sob prisão preventiva. O caso continua a ser acompanhado de perto pela sociedade, que clama por transparência e justiça.
Enquanto a questão da prisão preventiva segue em aberto, os PMs Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho Prado aguardam o julgamento pelo Tribunal do Júri, onde a sociedade terá a oportunidade de decidir sobre a culpa ou inocência dos acusados. A expectativa é que o processo siga seu curso, com todas as etapas legais sendo cumpridas para que a verdade prevaleça.
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