Obesidade eleva risco de pelo menos 13 tipos de câncer, alertam especialistas
Durante muito tempo associada principalmente ao diabetes e às doenças cardiovasculares, a obesidade também é considerada um importante fator de risco para o desenvolvimento de dife...
POR O ESTADO
Publicado em 07/08/2026 às 18:02
Durante muito tempo associada principalmente ao diabetes e às doenças cardiovasculares, a obesidade também é considerada um importante fator de risco para o desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. O excesso de gordura corporal favorece alterações metabólicas e inflamatórias que podem estimular o surgimento de tumores, segundo especialistas e instituições de saúde.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), manter o peso corporal adequado está entre as principais estratégias de prevenção da doença. A obesidade está relacionada ao aumento do risco de pelo menos 13 tipos de câncer, incluindo os de intestino (cólon e reto), esôfago (adenocarcinoma), estômago (cárdia), fígado, pâncreas, vesícula biliar, rins, mama em mulheres após a menopausa, ovário, endométrio, tireoide, mieloma múltiplo e meningioma. Estudos mais recentes também apontam associação com câncer de próstata avançado, boca, faringe e laringe.
A relação entre obesidade e câncer vai além do aumento do peso corporal. O excesso de tecido adiposo mantém o organismo em um estado de inflamação crônica, altera a produção hormonal, aumenta a resistência à insulina e favorece a produção de substâncias que podem estimular a multiplicação de células tumorais. Quanto maior e mais prolongado o excesso de peso, maior tende a ser o risco para o desenvolvimento dessas doenças.
O alerta ocorre em um cenário de crescimento dos casos de câncer. O INCA estima cerca de 704 mil novos diagnósticos por ano no Brasil e aponta que fatores relacionados ao estilo de vida, como obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e consumo de álcool, contribuem de forma significativa para esse quadro.
No Ceará, dados da Secretaria da Saúde do Estado indicam que o número de mortes por câncer aumentou quase 20% entre 2016 e 2025, reforçando a importância de ações voltadas à prevenção e ao controle dos fatores de risco modificáveis.
Para o médico Victor Camarão, que atua nas áreas de saúde, performance e longevidade, ainda existe a percepção equivocada de que a obesidade representa apenas uma questão estética.
“A obesidade é uma doença crônica que provoca alterações metabólicas e inflamatórias capazes de comprometer praticamente todo o organismo. Quando falamos em prevenção do câncer, muitas pessoas pensam apenas em exames, mas o cuidado começa muito antes. Controlar o peso, preservar a massa muscular, praticar atividade física e melhorar a alimentação são medidas que reduzem processos inflamatórios e diminuem o risco de diversas doenças, inclusive vários tipos de câncer”, afirma.
Segundo o médico, a prevenção deve ser incorporada à rotina e não apenas iniciada após o surgimento de sintomas. Entre as recomendações estão manter um peso saudável ao longo da vida, priorizar uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, carnes processadas e bebidas açucaradas, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo, limitar o consumo de bebidas alcoólicas e realizar acompanhamento médico periódico.
Embora fatores genéticos também influenciem o desenvolvimento do câncer, especialistas destacam que uma parcela expressiva dos casos está relacionada a hábitos de vida. Por isso, a adoção de medidas preventivas continua sendo uma das principais formas de reduzir o risco da doença e melhorar a qualidade de vida da população.

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