Obesidade atinge 36,4% dos adultos acompanhados pelo SUS e número de casos mais que triplica em dez anos no Brasil
Dados do Ministério da Saúde mostram que 11,12 milhões de adultos monitorados têm obesidade e que 71,5% apresentam excesso de peso. Estudo internacional aponta falta de recursos, d...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 02/11/2026 às 13:00
Dados do Ministério da Saúde mostram que 11,12 milhões de adultos monitorados têm obesidade e que 71,5% apresentam excesso de peso. Estudo internacional aponta falta de recursos, dificuldades de acesso ao tratamento e preconceito como obstáculos ao enfrentamento da doença.
O Brasil enfrenta um cenário preocupante no combate à obesidade. Dados do Ministério da Saúde mostram que 36,4% dos adultos acompanhados pela Atenção Primária à Saúde têm obesidade. Em dez anos, o número de pessoas com a condição registradas pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) mais que triplicou, passando de 3,09 milhões, em 2016, para 11,12 milhões, em 2026. O crescimento foi de 259%.
Os números, referentes ao período de janeiro a outubro deste ano, revelam também que outros 10,76 milhões de adultos apresentam sobrepeso. Somadas as duas condições, são 21,88 milhões de pessoas com excesso de peso, o equivalente a 71,5% dos adultos monitorados pelo sistema.
O Sisvan reúne informações de pacientes atendidos na Atenção Primária, principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados, portanto, refletem a realidade da população acompanhada pelos serviços públicos e não representam, necessariamente, a prevalência de obesidade entre todos os brasileiros adultos. O aumento dos registros também pode ser influenciado pela ampliação do acompanhamento realizado pelo sistema.
Obesidade supera peso adequado em 24 estados
O levantamento revela que, em 24 das 27 unidades da Federação, a proporção de adultos com obesidade supera a de pessoas classificadas com peso adequado. Em 18 estados, pelo menos 70% dos adultos acompanhados apresentam excesso de peso.
O Rio Grande do Sul lidera o percentual de obesidade, com 42,6% dos adultos monitorados. Em seguida aparecem São Paulo, com 40,5%, e Rio de Janeiro, com 40,1%.
Quando são considerados também os casos de sobrepeso, o Rio Grande do Sul permanece na primeira posição, com 75,9%, seguido pelo Rio Grande do Norte, com 75,5%, e pelo Amapá, com 74,5%.
Em números absolutos, São Paulo concentra o maior contingente de adultos com obesidade acompanhados pelo Sisvan: 1,74 milhão. Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 1,16 milhão, seguido pelo Rio de Janeiro, com 759,2 mil, e pela Bahia, com 735,3 mil.
A evolução dos indicadores também chama a atenção. Em 2016, a obesidade atingia 25,1% dos adultos monitorados. O percentual subiu para 31,9%, em 2022, e chegou a 36,4% em 2026, um avanço de 11,3 pontos percentuais em uma década.
Estudo aponta dificuldades de acesso ao tratamento
Além do crescimento da obesidade, especialistas alertam para as barreiras enfrentadas pelos pacientes na busca por atendimento adequado. O problema foi discutido durante o XVI Congresso Latino-Americano de Obesidade, realizado entre os dias 28 e 31 de outubro, em Salvador.
Durante o encontro, o endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial da Obesidade e vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), apresentou resultados preliminares do estudo internacional MAPPS II.
A pesquisa identificou problemas como financiamento insuficiente, custos elevados para os pacientes, falta de estrutura dos serviços públicos e preconceito contra pessoas com obesidade, inclusive entre profissionais de saúde.
Segundo Halpern, embora muitos países reconheçam oficialmente a obesidade como uma doença crônica, esse reconhecimento nem sempre resulta em políticas públicas capazes de garantir atendimento e tratamento adequados.
A avaliação dos participantes sobre o financiamento governamental do tratamento recebeu notas entre 1 e 3, em uma escala de 1 a 10. O resultado evidencia, segundo o especialista, a dificuldade de acesso, especialmente nos países de baixa e média renda, onde os próprios pacientes frequentemente precisam arcar com os custos.
Outro obstáculo identificado é a falta de equipes multidisciplinares. A escassez de nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas compromete o acompanhamento de pacientes que necessitam de cuidados contínuos.
Brasil terá investigação específica sobre obesidade
O Brasil é o país com o maior número de participantes no estudo MAPPS II e o único das Américas escolhido para uma investigação aprofundada sobre as políticas de prevenção e tratamento da obesidade.
A pesquisa pretende identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos pacientes, avaliar a estrutura dos serviços de saúde e verificar se as políticas públicas conseguem atender às necessidades da população.
O levantamento envolve profissionais de saúde, gestores públicos, pesquisadores, representantes da sociedade civil e pessoas que vivem com obesidade.
Os resultados globais deverão ser divulgados em 4 de março de 2027, Dia Mundial da Obesidade. Um relatório específico sobre a realidade brasileira também está previsto para o próximo ano.
Os dados reforçam a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento de uma doença crônica associada a maior risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e outras complicações de saúde.