Nada justifica violência em protestos, diz Macron após dia de caos na França
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesse domingo (18) que “nada justifica” a violência durante os protestos que levaram caos a todo o país nesse sábado (17). Após sem...
POR O ESTADO
Publicado em 19/10/2026 às 00:48
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesse domingo (18) que “nada justifica” a violência durante os protestos que levaram caos a todo o país nesse sábado (17). Após semanas de atos, grandes manifestações em Paris, Marselha e outras cidades francesas tiveram 2.400 detidos, mil policiais feridos, uma morte, saques e prédios incendiados, inclusive instituições públicas como a prefeitura de Limoges.
“Nada justifica isso, nada explica, nada desculpa”, disse Macron em pronunciamento televisionado, pedindo, no entanto, que autores de vandalismo não sejam confundidos com as centenas de milhares de pessoas que se manifestaram pacificamente no sábado contra o aumento do custo de vida. A França amanheceu, nesse domingo, sob o impacto de um dos dias de maior violência em anos. Carcaças de carros e prédios queimados povoavam as ruas de grandes cidades e centros menores por todo o país, com pichações, vidros quebrados e destruição de infraestrutura pública.
Nesse domingo, jornais franceses ainda falavam sobre uma situação “confusa e volátil”, como definiu Le Monde, com protestos não autorizados tomando algumas ruas e confrontos entre manifestantes e policiais. De noite, grupos menores de saqueadores se espalharam pelos bairros, fugindo de forças de segurança posicionadas em avenidas principais e locais de reunião, como a Praça da República.
No discurso, Macron fez um aceno à juventude que iniciou os atos, originados em escolas e por melhorias no ensino. “Não podemos pedir a nossa juventude que creia em seu futuro sem dar-lhe a chance de construir a resposta e de estar à mesa”, afirmou.
O presidente atribuiu a violência a “facções e grupelhos da ultraesquerda, aos quais se somam numerosos criminosos”, e reiterou que os autores dos atos de vandalismo e dos saques serão punidos por seus atos. Ele também afirmou que caberá ao primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, reunir grupos representantivos de manifestantes, sindicatos e outras organizações para discutir as demandas.
“Peço a todos os partidos políticos, organizações profissionais e sindicais a condenar sem ambiguidade toda a violência e a apelar à calma. Cada um deve tomar sua responsabilidade. O país precisa de ordem e redução das tensões, não de uma escalada”, disse o presidente, em recado indireto à esquerda radical da França Insubmissa (LFI), liderada pelo presidenciável Jean-Luc Mélenchon, que tem apoiado os protestos e condenado a resposta política do governo e a das forças de segurança nas ruas.
Do outro lado do espectro político, o presidente da ultradireitista Reunião Nacional, Jordan Bardella, chamou de lamentável o pronunciamento de Macron. “Este governo covarde e desnorteado já não tem nada a dizer aos franceses, nada a lhes oferecer. Já não tem sequer força para protegê-los”, afirmou em publicação nas redes sociais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu, nesse domingo, à imigração a onda de violência que atingiu a França e defendeu que o país endureça as regras migratórias. O comentário do americano, que tem constantes atritos com Macron, captura discurso caro à ultradireita francesa, que no entanto tem evitado se vincular a Trump dada a impopularidade dele no país.
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