Benefícios sociais representam até 40% da renda em cidades do interior do Ceará
A falta de ganhos reais nos programas sociais e previdenciários pode reduzir em até 13% a renda agregada no Estado e ampliar a pobreza The post Benefícios sociais representam até 4...
POR O ESTADO
Publicado em 19/10/2026 às 01:14
Dados do Governo Federa indicam que cerca de 34% da população cearense é beneficiada diretamente por programas sociais de transferência de renda em 2026. Sendo 1,34 milhão de famílias assistidas somente pelo Bolsa Família, além de quase 459 mil com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), outros 253 mil com o programa Pé-de-Meia e mais de 1 milhão com o Gás do Povo.
Segundo o Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), esses números representam 22% da renda agregada de Fortaleza e região metropolitana e de 40% de cidades do interior. O levantamento confirma o peso econômico desses benefícios nessas cidades que, em alguns casos, representam quase metade do orçamento das famílias mais vulneráveis.
De acordo com a co-diretora do Made-USP, a economista Luiza Nassif, esses valores recebidos pelas famílias são utilizados quase que na sua integralidade para a compra de itens de primeira necessidade, fazendo circular economias locais que garantem empregos e renda, além de manter as arrecadações municipais.
O estudo do Made-USP focou na possibilidade de paralisação ou redução de valores desses benefícios sociais e previdenciários. A análise trouxe projeções sobre os efeitos econômicos da evolução da renda dos benefícios sociais e previdenciários nas cidades do interior para os próximos três anos, com base nos anos de 2022 a 2025, em que o BPC e a aposentadorias tiveram ganhos reais, e fez comparações com o intervalo dos anos de 2019 e 2022, em que não teve crescimento real do salário mínimo e até congelamento total.
Sem os reajustes, os impactos na chamada renda agregada do interior do país podem sofrer uma redução significativa, variando entre 6,8% e 10,8%, inferior ao índice com a valorização real dos benefícios sociais e previdenciários.
A análise mostra que no Ceará, por exemplo, essa queda pode variar entre 10% e 13%, mesmo patamar observado em estados como Maranhão, Alagoas e Bahia.
A pesquisa do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades destacou ainda os efeitos reais dessas políticas de transferência de renda, no combate à pobreza, além dos benefícios diretos sobre as movimentações econômicas no interior do país.
Para a economista, as famílias que vivem no limite da renda, reajustes abaixo da inflação levam essas pessoas à pobreza, pois em rendimentos de até 1,5 salário mínimo per capita, esses auxílios chegam até 50% do total da renda.
Aos números
Um ensaio apontou que, caso não tivessem ocorridos ganhos reais, entre 2022 e 2025, cerca de 2,7 milhões de pessoas nos municípios fora das regiões metropolitanas teriam chegado à pobreza e, desse total, 2,4 milhões chegariam à extrema pobreza.
O Ceará, ao lado do Maranhão e do Pará, poderia ter mais de 200 mil pessoas nessas condições. Esse número fica atrás apenas da Bahia, que teria até 336 mil pessoas a mais no estado de pobreza, além de São Paulo, com até 263 mil e Minas Gerais, com até 251 mil.
Luiza Nassif conclui que a manutenção de ganhos reais da previdência, do BPC e dos programas de transferência de renda garantem dignidade mínima para as famílias e sobrevivência de mercados locais que ela chama de “Brasil profundo”.
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