Multiômica: a nova era da medicina de precisão no combate ao câncer
A multiômica revoluciona o tratamento do câncer, integrando dados moleculares para diagnósticos mais precisos e terapias personalizadas. O post Multiômica: a nova era da medicina ...
POR SOBRAL ONLINE
Publicado em 19/05/2026 às 22:42

A Essência da Multiômica: Uma Visão Abrangente do Tumor
O termo “-ômica” é amplamente utilizado nas ciências biológicas para descrever o estudo de conjuntos de moléculas que são fundamentais para o funcionamento das células. Na oncologia, a abordagem multiômica expande essa visão, permitindo uma observação detalhada de múltiplos aspectos de um tumor.
Essa metodologia vai além da análise genética tradicional, incorporando fatores funcionais e ambientais que desempenham um papel crucial na evolução da doença. Conforme explica o oncologista Fernando Moura, gerente médico de Medicina de Precisão do Einstein Hospital Israelita, a multiômica amplia a capacidade de entender não apenas as células cancerígenas, mas também as células inflamatórias, fibroblastos e células normais que interagem diretamente com o tumor.
Essa compreensão aprofundada da biologia tumoral é vital para aprimorar o diagnóstico, prever desfechos de tratamentos-alvo moleculares e de imunoterapia, e, em última instância, oferecer um caminho mais assertivo no combate à doença. A professora Tathiane Maistro Malta, do Laboratório de Multiômica e Oncologia Molecular da FMRP-USP, compara a análise multiômica a “ler diferentes livros a respeito do mesmo assunto”, destacando a riqueza de informações obtidas.
Componentes Cruciais da Análise Multiômica
A multiômica é composta por diversas áreas de estudo, cada uma revelando uma camada distinta da biologia do câncer:
- Genômica: Geralmente o ponto de partida, identifica alterações no DNA, como mutações e rearranjos, associadas ao desenvolvimento tumoral.
- Transcriptômica: Analisa o RNA, a molécula intermediária que traduz as instruções do DNA em proteínas, indicando quais genes estão ativos.
- Proteômica: Observa as proteínas, que são as executoras da maioria das funções celulares, revelando sua quantidade e modificações.
- Metabolômica e Lipidômica: Detalham como o tumor utiliza energia, nutrientes e moléculas de gordura para crescer e interagir com o organismo.
- Epigenômica: Investiga os mecanismos que ligam ou desligam genes sem alterar a sequência do DNA, influenciando a expressão genética.
Oncologia de Precisão: Tratamentos Sob Medida para Cada Paciente
A integração desses dados moleculares tem um impacto direto e transformador na prática clínica, impulsionando o conceito de oncologia de precisão. Essa abordagem, baseada no perfil biológico único de cada tumor, utiliza informações genômicas e outras camadas ômicas para guiar o diagnóstico, estimar o prognóstico e selecionar as terapias mais adequadas.
Um estudo publicado em 2020 na Genome Medicine ressaltou como a análise de perfil molecular tem sido progressivamente incorporada às decisões terapêuticas. Esse avanço é impulsionado pela crescente identificação de alvos terapêuticos na última década. O trabalho aponta que a combinação de dados moleculares com ferramentas de inteligência artificial e biópsias líquidas pode prever a resistência a medicamentos e otimizar o tratamento de forma ainda mais personalizada.
A professora Tathiane Maistro Malta enfatiza que, quanto mais se entende a biologia do tumor, sua origem e comportamento diante das pressões (seja do sistema imunológico ou do tratamento), maiores são as chances de bloquear sua progressão e eliminar as células cancerígenas. Embora sua pesquisa se concentre em gliomas, ela acredita que a multiômica tem o potencial de beneficiar o estudo e o tratamento de diversos tipos de câncer.
Aplicações e Avanços: Casos de Sucesso em Diferentes Cânceres
Os benefícios da multiômica já são evidentes em várias áreas da oncologia. Fernando Moura, do Einstein, destaca aplicações em gliomas, câncer de pulmão, de mama, leucemias e câncer colorretal. Nesses casos, as análises multiômicas colaboram para uma melhor estratégia de tratamento ou para uma maior capacidade de diagnóstico e prognóstico.
Parte do conhecimento gerado por essas análises já está na prática clínica, especialmente no apoio ao diagnóstico, impulsionado pela evolução das tecnologias de sequenciamento de DNA e biologia molecular. Pesquisas recentes ilustram esse impacto: um estudo na Cell (2020) integrou dados de DNA, RNA e proteínas para analisar tumores de mama, refinando subtipos moleculares e identificando processos celulares que seriam invisíveis com a análise apenas do DNA.
No câncer de pulmão, um artigo da Cell Reports Medicine (2022) utilizou sequenciamento de genoma completo, transcriptômica, proteômica e fosfoproteômica em adenocarcinomas, revelando subtipos moleculares, assinaturas de sobrevida e potenciais vulnerabilidades terapêuticas. Para gliomas, a Cancer Cell (2021) mostrou como a multiômica pode identificar alvos terapêuticos e melhorar a estratificação de pacientes com glioblastoma, um tipo agressivo de tumor cerebral.
Desafios e o Papel da Inteligência Artificial na Multiômica
Apesar do vasto potencial, a multiômica enfrenta o desafio de integrar a enorme quantidade e diversidade de informações geradas para que possam, de fato, orientar decisões clínicas sobre prognóstico, resposta a tratamentos e resistência a medicamentos. É nesse cenário que a inteligência artificial (IA) emerge como uma ferramenta de apoio indispensável.
A IA é fundamental para processar, correlacionar e interpretar os complexos conjuntos de dados multiômicos, transformando-os em insights acionáveis para os médicos. Em abril, uma revisão publicada na Nature Cancer destacou o papel crescente da IA na superação desses desafios, pavimentando o caminho para uma medicina cada vez mais precisa e personalizada.
Você encontra mais notícias em nosso site www.sobralonline.com.br e redes sociais. Siga-nos no Instagram @SobralOnline para ficar por dentro das últimas novidades!
O post Multiômica: a nova era da medicina de precisão no combate ao câncer apareceu primeiro em Sobral Online.