Ministro de Israel defende matar '30 a 40' pessoas por noite em Gaza
Desde dezembro Itamar Ben-Gvir tornou-se ministro do governo liderado por Netanyahu Atef Safadi/Pool via REUTERS O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir...
POR G1 MUNDO
Publicado em 17/08/2026 às 13:10

Desde dezembro Itamar Ben-Gvir tornou-se ministro do governo liderado por Netanyahu
Atef Safadi/Pool via REUTERS
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, defendeu a morte de "30 a 40" pessoas por noite na Faixa de Gaza. A declaração foi dada no último domingo (17), em uma entrevista ao pocast do também israelense Rom Braslavski, ex-refém do Hamas, e foi divulgada por veículos palestinos.
Ben-Gvir, que faz parte da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, criticava a redução dos ataques israelenses no território palestino quando fez o comentário.
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"Não é segredo que eu discordo do primeiro-ministro", afirmou. "Acho que devem ser realizadas execuções seletivas em Gaza, eliminando de 30 a 40 pessoas todas as noites. Não apenas quem representa uma ameaça imediata. Há pessoas lá que não merecem viver. Elas não deveriam viver. Nem sequer são pessoas."
Declarações semelhantes feitas por Ben-Gvir e por outros integrantes do governo israelense já provocaram críticas internacionais no passado. Algumas delas foram apresentadas ao principal tribunal da ONU como evidências de suposta intenção genocida. Israel nega ter cometido genocídio em Gaza.
A fala recebeu pouca atenção na imprensa israelense. O episódio ocorre em meio à campanha para as eleições marcadas para 27 de outubro.
Ben-Gvir é um dos principais nomes da extrema direita de Israel e ganhou mais apoio depois do ataque realizado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
Na ocasião, segundo Israel, cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 foram sequestradas pelo grupo. Reféns libertados relataram casos de fome prolongada, abusos físicos e psicológicos e, em alguns casos, violência sexual.
Influência na segurança do país
Embora não tenha autoridade sobre as Forças Armadas e não possa ordenar ataques contra Gaza, Ben-Gvir ocupa um dos cargos mais influentes do governo.
Ele é responsável pela polícia israelense e pelo sistema prisional do país, onde estão detidos milhares de palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.
O ministro já afirmou ter reduzido a quantidade de comida oferecida a presos palestinos. Em 2025, a mais alta corte de Israel decidiu que o serviço penitenciário, sob sua gestão, privava detentos palestinos de uma alimentação mínima adequada.
Críticas à redução dos ataques
Até recentemente, Israel realizava bombardeios quase diários em Gaza. Segundo o Ministério da Saúde do território palestino, mais de 1.250 pessoas morreram desde a entrada em vigor de uma trégua anunciada em outubro.
As Forças Armadas israelenses afirmam que os ataques têm como alvo integrantes do Hamas.
Segundo a imprensa israelense, a autorização para novos bombardeios passou a depender apenas do chefe do Estado-Maior do Exército. A medida desagradou parlamentares da direita, entre eles Ben-Gvir.
Defesa da saída de palestinos de Gaza
Durante a mesma entrevista, Ben-Gvir também defendeu a saída em massa de palestinos da Faixa de Gaza e a retomada de assentamentos israelenses no território.
Especialistas em direito internacional afirmam que propostas desse tipo podem ser interpretadas como limpeza étnica.
Israel retirou suas tropas e desmontou assentamentos na Faixa de Gaza há cerca de 20 anos.
"Vejo toda Gaza como nossa", disse o ministro. "Defendo assentamentos não apenas em Gush Katif, mas em toda Gaza, incentivando o máximo possível a emigração deles para outros países. E, para os terroristas, nada de emigração. Apenas matá-los um por um."
Impasse sobre cessar-fogo
A proposta mais recente apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevê que o Hamas entregue gradualmente suas armas enquanto Israel interrompe os ataques e inicia a retirada de tropas de Gaza.
O Hamas aceitou o plano, mas condicionou a entrega de seu armamento mais pesado à criação de um Estado palestino, medida rejeitada pelo atual governo israelense.
Netanyahu afirma que Israel não deixará nenhuma posição ocupada em Gaza até que o Hamas esteja completamente desarmado.
A posição do governo israelense mantém paralisadas outras etapas previstas para um eventual cessar-fogo, como o envio de forças internacionais e a reconstrução da Faixa de Gaza, que foi amplamente destruída pela guerra.