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Ceará / 31.07.2026

Medo da violência muda rotina das mulheres brasileiras, aponta levantamento

A percepção de que as mulheres estão mais expostas à violência é praticamente unânime no Brasil. Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (31) pelos institutos Update e Fogo C...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 31/07/2026 às 15:54

Medo da violência muda rotina das mulheres brasileiras, aponta levantamento
© FONTE: Ceará Agora

A percepção de que as mulheres estão mais expostas à violência é praticamente unânime no Brasil. Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (31) pelos institutos Update e Fogo Cruzado mostra que 92% dos brasileiros acreditam que elas enfrentam riscos que os homens não correm.

Além disso, 83% consideram alta ou muito alta a gravidade da violência contra a mulher na cidade onde vivem.

O levantamento, realizado com 2 mil pessoas em todas as regiões do país, também mostra que, embora homens e mulheres relatem níveis semelhantes de insegurança, elas convivem com medos específicos. As entrevistadas afirmam temer mais a violência doméstica e o abuso sexual e relatam, em maior proporção, episódios de assédio e de violência física ou psicológica.

Os dados mostram que esse medo produz impactos que vão muito além dos registros policiais. Na etapa qualitativa da pesquisa, mulheres relataram mudar trajetos, evitar determinados horários, deixar de frequentar lugares e até abrir mão de oportunidades de trabalho e estudo quando o deslocamento era considerado perigoso. O transporte público aparece entre os principais locais de insegurança: 39% das mulheres dizem se sentir inseguras nesses espaços, contra 26% dos homens.

Outro dado do levantamento chama atenção para a percepção da população sobre as políticas de segurança. Embora 42% dos entrevistados defendam penas mais duras como prioridade para reduzir a violência, apenas 41% acreditam que a polícia efetivamente protege a população e somente 22% percebem melhora na segurança após operações policiais. Ao mesmo tempo, 45% afirmam que investimentos em educação e políticas sociais também ajudam a reduzir a violência.

Na avaliação da diretora do Instituto Update, enfrentar esse cenário exige ampliar a própria ideia de segurança pública. Ela defende políticas voltadas ao transporte seguro, melhoria da iluminação pública, recuperação de espaços abandonados, prevenção e enfrentamento da violência doméstica, educação e fortalecimento das redes comunitárias. Também considera fundamental produzir indicadores capazes de registrar formas de violência que hoje permanecem invisíveis, como o assédio e as restrições à circulação.

Para 93% dos entrevistados, a segurança pública será um tema importante nas eleições de 2026, indicando que a violência, e, especialmente, seus impactos sobre a vida das mulheres, deve ocupar espaço central no debate sobre políticas públicas e nas propostas dos candidatos.

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