Maior torre eólica das Américas terá selo cearense e investimento de R$ 100 milhões
O Ceará desponta como o grande polo tecnológico e o protagonista da transição energética no país. Em reunião realizada na Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), foi anuncia...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 02/06/2026 às 19:51
O Ceará desponta como o grande polo tecnológico e o protagonista da transição energética no país. Em reunião realizada na Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), foi anunciada parceria com o Grupo Cortez para a construção da maior torre eólica das Américas — que também se projeta como a mais alta do mundo.
O empreendimento de R$ 100 milhões utiliza uma tecnologia pioneira e 100% cearense, desenvolvida pela CTZ Tower, braço de engenharia do grupo que tem origens na região do Cariri. O projeto promete redefinir a eficiência da geração de energia limpa em terra (onshore).
De acordo com o secretário Fábio Feijó, a inovação desenvolvida e patenteada pela empresa vai permitir a exploração de correntes de vento em altitudes antes inalcançáveis pelas estruturas convencionais. “É algo inovador, disruptivo, que vai alavancar ainda mais o desenvolvimento econômico através das energias renováveis, explorando novas formas de gerar energia de forma mais barata e mais eficiente”, destacou o titular da SDE.
A estrutura inovadora consiste em uma torre eólica de concreto capaz de alcançar impressionantes 166 metros de altura. O projeto inovador viabilizou parcerias estratégicas com grandes agentes do setor elétrico, como a Casa dos Ventos e a TotalEnergies, ambas interessadas no potencial da nova tecnologia.
Para Edgar Nunes, engenheiro responsável pelo projeto no Grupo Cortez, a iniciativa quebra barreiras e traz soluções globais para o setor: “Essa torre vem com um apelo tecnológico bastante interessante, inclusive a níveis mundiais. Ela foi projetada para atender e superar muitos desafios e restrições que nós tínhamos antes na engenharia eólica. Além de facilitar a logística, a tecnologia reduz significativamente os custos de produção”, explicou o engenheiro.
Segundo Nunes, os reflexos serão sentidos em toda a economia do estado. “Toda a cadeia produtiva será beneficiada. Com uma energia renovável ainda mais barata, abrem-se portas para alavancar outros grandes projetos estruturantes no Ceará, como a produção de Hidrogênio Verde e a instalação de Data Centers”, disse.
O desenvolvimento do projeto piloto contou com o apoio e indução do Governo Federal, recebendo aporte financeiro de subvenção econômica por meio de um edital de chamadas públicas para renováveis da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
“Isso é política pública feita para o desenvolvimento econômico com um prévio trabalho feito pelo governador Elmano de Freitas, que conseguiu atrair o maior data center das Américas, que puxa o montante de toda a cadeia de energias renováveis. Esse projeto nasce não só na indução do Finep como indução do governo federal, mas também através da articulação do governador em atrair toda a cadeia produtiva que alimenta os projetos eletro-intensivos do Estado do Ceará”, concluiu Fábio Feijó.
Próximos passos e cooperação com o ITA
O avanço do projeto comercial ganhou ritmo acelerado após a liberação da licença ambiental na última semana, emitida pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). O secretário Fábio Feijó fez questão de agradecer a agilidade do diretor-superintendente do órgão, João Gabriel.
Com o documento em mãos, o cronograma oficial já foi definido. Na próxima semana terão início as obras de preparação e fundação no pátio de estacionamento da ArcelorMittal Pecém (antiga Companhia Siderúrgica do Pecém – CSP). E em julho, será realizado evento oficial de lançamento da Pedra Fundamental no Complexo do Pecém.
A SDE e o Grupo Cortez agora trabalham em uma agenda conjunta de cinco pontos estratégicos para dar visibilidade institucional à tecnologia. Entre as próximas ações planejadas estão o estabelecimento de parcerias com Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs) e uma aproximação com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) — que possui campus em implantação no Ceará —, convidando pesquisadores e alunos para conhecerem de perto o projeto que promete mudar os rumos da matriz eólica global.