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Política / 02.08.2026

Lula migrou do Nordeste para São Paulo, liderou movimentos sindicais e pode chegar a 16 anos como presidente do Brasil

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Ricardo Stuckert/PR Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que completará 81 anos em outubro, é um dos principais líderes políticos da hi...

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POR G1 POLÍTICA

Publicado em 02/08/2026 às 10:35

Lula migrou do Nordeste para São Paulo, liderou movimentos sindicais e pode chegar a 16 anos como presidente do Brasil
© FONTE: G1 Política


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Ricardo Stuckert/PR Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que completará 81 anos em outubro, é um dos principais líderes políticos da história do Brasil. Nordestino e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), foi eleito presidente da República três vezes, em 2002, 2006 e 2022. Se vencer as eleições deste ano, exercerá o quarto mandato no Palácio do Planalto e chegará a 16 anos como presidente. Ficará atrás somente de Getúlio Vargas, que governou o Brasil por pouco mais de 18 anos, mas que só foi eleito presidente pelo voto direto uma vez. Neste domingo (2), o PT oficializou a candidatura de Lula à Presidência durante a convenção nacional do partido, realizada em São Paulo (SP). O atual vice, Geraldo Alckmin, já havia sido confirmado pelo PSB como candidato à reeleição na chapa do petista na semana passada. Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns (PE). É o sétimo filho dos lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, a dona Lindu. Aos 7 anos, mudou-se com a mãe e os irmãos para São Paulo em um caminhão pau de arara. Agora no g1 Trabalhou como engraxate e office boy, formou-se torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e ingressou na indústria metalúrgica, iniciando a trajetória que o levaria ao movimento sindical. Lula é casado com a socióloga Janja da Silva, sua terceira esposa. Antes, foi casado com Maria de Lourdes da Silva, que morreu em 1971; e com Marisa Letícia Lula da Silva, que faleceu em 2017 após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). O petista é pai de cinco filhos. LEIA MAIS: Alckmin venceu desconfiança e virou 'companheiro' de Lula Zema se apresenta como opção ao bolsonarismo que apoiou Flávio segue passos do pai ao se candidatar ao Planalto Caiado tenta ser presidente pela segunda vez Lula e a 2ª esposa, Marisa Letícia, com os filhos Fábio Luiz, Sandro Luiz e Luiz Cláudio. Instituto Lula Problemas de saúde Ao longo do mandato, enfrentou desafios relacionados à saúde. Em 2023, foi submetido a uma cirurgia no quadril para tratar dores provocadas por artrose. Em 2024, sofreu uma queda no banheiro do Palácio da Alvorada, que o levou a cancelar compromissos internacionais. Em 2025, apresentou um quadro de labirintite e, em 2026, passou pela retirada de uma lesão cancerígena no couro cabeludo, seguida de sessões de radioterapia. Antes disso, após o segundo mandato na Presidência, Lula superou um câncer na laringe, diagnosticado em 2011. Terceiro mandato e crises Lula iniciou o terceiro mandato recriando ministérios extintos no governo anterior, como o da Cultura. Também ampliou a estrutura administrativa, que hoje tem 38 pastas, com a criação de novos ministérios, como os da Igualdade Racial e o dos Povos Indígenas. O petista passou por algumas crises nos últimos quatro anos, como o escândalo de fraudes no INSS, com os descontos indevidos em aposentadorias e pensões no período de 2019 a 2024. O caso levou à troca do comando do instituto e o indiciamento de ex-dirigentes do órgão, além da substituição de Carlos Lupi no Ministério da Previdência Social. Nos últimos dias, o petista também viu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a Polícia Federal a realizar duas investigações sobre o suposto tráfico de influência de seu filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e na Dataprev. E, em junho, teve de retirar Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após o parlamentar baiano ser alvo da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes bilionárias praticadas pelo Banco Master. Na área econômica e social, o governo conseguiu aprovar a reforma tributária no Congresso Nacional e ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda. O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome e houve a ampliação de programas voltados à moradia e à transferência de renda, além da implementação de medidas para ampliar o acesso à saúde e para estimular investimentos. Lula também precisou lidar com os reflexos de crises internacionais, como conflitos no Oriente Médio e a política tarifária adotada pelos Estados Unidos. A condução das negociações comerciais e diplomáticas – que incluiu a resposta do governo brasileiro ao tarifaço norte-americano e os embates públicos com Donald Trump – foi um dos principais desafios do mandato. Também no campo econômico, o presidente foi criticado por sua estratégia econômica, marcada pelo aumento dos gastos públicos e pelos ataques ao Banco Central em razão da taxa básica de juros. Lula também tem enfrentado dificuldades na relação com o Congresso, onde sofreu duras derrotas, como a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o STF. O petista assistiu ainda à derrubada de vários vetos, como o que barrava a redução de penas para condenados pelo 8 de Janeiro. Se for reeleito, Lula terá a prerrogativa de indicar pelo menos outros três ministros da Suprema Corte. Movimento sindical Metalúrgico em São Bernardo do Campo (SP), Lula ingressou no movimento sindical por influência do irmão José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico. No Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ocupou diferentes cargos até se tornar presidente e ganhou projeção nacional ao liderar as greves da categoria no fim dos anos 1970, durante a ditadura militar. Os movimentos mobilizaram milhares de trabalhadores e se tornaram um marco da luta por melhores condições de trabalho e pela redemocratização do país. Em 1980, Lula foi preso por 31 dias com base na antiga Lei de Segurança Nacional. No mesmo ano, participou da fundação do PT, ao lado de sindicalistas, intelectuais e lideranças políticas e sociais. Sua então esposa, Marisa Letícia, costurou a primeira bandeira do partido. O PT surgiu durante o processo de abertura política do Brasil, no fim da ditadura militar. Lula durante a Assembleia Nacional Constituinte, que redigiu a Constituição de 198 picture alliance/dpa Fotografia Derrotas em eleições Em 1982, Lula disputou o governo de São Paulo, mas não foi eleito. Quatro anos depois, venceu a disputa para deputado federal e participou da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela redação da Constituição de 1988. Em 1989, concorreu pela primeira vez à Presidência da República e chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Fernando Collor de Mello. Voltou a disputar o Palácio do Planalto em 1994 e 1998, quando perdeu para Fernando Henrique Cardoso (PSDB), beneficiado pelo sucesso do Plano Real no combate à inflação. Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso passando a faixa presidencial para Lula em 2003. Joedson Alves/Estadão Conteúdo/Arquivo A chegada ao Palácio do Planalto Em 2002, Lula divulgou a "Carta ao Povo Brasileiro", na qual se comprometeu a manter as contas públicas sob controle. No mesmo ano, conquistou sua primeira vitória na disputa pela Presidência da República. Em 1º de janeiro de 2003, tornou-se o primeiro operário a assumir a Presidência do Brasil. Entre as principais metas do governo estavam a redução da pobreza e da desigualdade social. No primeiro mandato, lançou programas como o Fome Zero, o Bolsa Família e o Programa Universidade para Todos (ProUni). Posse do presidente Lula em 2003, em imagem do fotógrafo Orlando Brito Reprodução Mensalão Em 2005, o então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) denunciou um esquema de compra de apoio político no Congresso Nacional, que ficou conhecido como Mensalão. Segundo as investigações, parlamentares de partidos da base aliada de Lula recebiam pagamentos mensais em troca de apoio ao governo. Reeleição em 2006 Apesar do escândalo do Mensalão, Lula foi reeleito presidente em 2006. O país vivia um período de economia aquecida, com inflação sob controle, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e expansão da classe média. No segundo mandato, lançou programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), programas que reeditou no terceiro mandato. Na política externa, ganhou destaque internacional e foi chamado de "o cara" pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Lula deixou a Presidência em 2010 com 87% de aprovação e foi sucedido por Dilma Rousseff (PT). Em imagem de arquivo, o presidente Lula cumprimenta o ex-presidente dos EUA Barack Obama. Presidência da República/ divulgação Lava Jato Em 2012, Lula acompanhou a condenação de 28 dos 38 réus do Mensalão pelo STF e a reeleição de sua sucessora, Dilma Rousseff, em 2014. No mesmo ano, teve início a Operação Lava Jato, que revelou um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo contratos da Petrobras. A operação resultou em delações premiadas, devolução de parte do dinheiro desviado e prisões de empresários e políticos. Também influenciou o processo de impeachment de Dilma, em 2016, que marcou a saída do PT do Palácio do Planalto após 13 anos no poder. 580 dias de prisão em Curitiba O ex-presidente Lula após ser libertado da prisão, em Curitiba Henry Milleo/AFP Em 2017, Lula foi condenado pelo então juiz Sergio Moro na Operação Lava Jato, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP), tornando-se o primeiro ex-presidente do Brasil condenado criminalmente. Segundo a acusação, o imóvel e as reformas teriam sido pagos pela construtora OAS como propina. Lula sempre negou as acusações e recorreu das decisões judiciais. Em 2018, foi preso após a condenação em segunda instância, entendimento validado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à época, e permaneceu 580 dias na sede da Polícia Federal, em Curitiba. No mesmo ano, teve a candidatura à Presidência barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa. Em 2019, Lula deixou a prisão após o STF decidir que a execução da pena só pode ocorrer após o trânsito em julgado. Dois anos depois, em 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações relacionadas à Lava Jato, devolvendo ao petista os direitos políticos e tornando-o elegível novamente. A volta a Brasília após 12 anos Lula e Alckmin erguem os braços com Janja e Lu no topo da rampa do Palácio do Planalto, após o presidente receber a faixa em Brasília Fábio Tito/g1 Em 2022, Lula formou uma ampla coalizão política contra o bolsonarismo, reunindo aliados históricos e antigos adversários. Entre os apoiadores estavam nomes que, em outros momentos, foram críticos ao presidente e ao PT, como o ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa, relator do Mensalão. Na campanha, Lula voltou a adotar um discurso mais ao centro, buscando diálogo com o mercado financeiro. Prometeu a retomada do crescimento econômico, a redução da pobreza e a preservação da democracia. Também divulgou uma carta aos evangélicos, na qual reafirmou ser contrário ao aborto e criticou o uso eleitoral da fé. Lula venceu as eleições presidenciais de 2022 e retornou ao Palácio do Planalto para exercer seu terceiro mandato. O então presidente Jair Bolsonaro não participou da cerimônia de transmissão da faixa presidencial, que foi entregue ao petista por representantes da sociedade civil na subida da rampa do Planalto. Dias depois, em 8 de janeiro de 2023, apoiadores de Bolsonaro protagonizaram atos de vandalismo e antidemocráticos na Praça dos Três Poderes. Lula, ministros do STF, a primeira-dama e governadores descem a rampa do Palácio do Planalto, um dia após os atos golpistas de 8 de Janeiro Mauro Pimentel/AFP

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