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Ceará / 22.06.2026

Lula chama governador interino do RJ de interventor, e os dois trocam elogios

Aliados do atual presidente da Alerj, têm classificado permanência de Ricardo Couto como espécie de intervenção no Rio de Janeiro pelo STF The post Lula chama governador interino d...

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POR O ESTADO

Publicado em 22/06/2026 às 17:53

Lula chama governador interino do RJ de interventor, e os dois trocam elogios
© FONTE: O Estado

O presidente Lula (PT) chamou o governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, de “interventor”, ao se referir a ele durante cerimônia de assinatura do termo de adesão do estado ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), na manhã desta segunda-feira (22).

O termo vai ao encontro das críticas de integrantes do PL à permanência de Couto no cargo. Aliados do atual presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas, têm classificado a permanência do magistrado no Executivo como uma espécie de intervenção no Rio de Janeiro pelo STF (Supremo Tribunal Federal), responsável pela sua manutenção no governo.

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A avaliação, compartilhada em reserva até por aliados de Eduardo Paes (PSD), se deve ao fato de a decisão subverter a linha sucessória do estado. Ruas teve dois pedidos negados pelo STF para assumir o posto desde sua escolha como chefe de Alerj, em abril.
Na cerimônia desta segunda, Lula e Couto também trocaram elogios.

“Tudo o que eu desejo é que, ao cumprir sua tarefa de interventor do Rio de Janeiro, o povo saiba que não pode eleger ninguém que não faça aquilo que você está fazendo: cuidar do povo do Rio de Janeiro. Portanto, parabéns, governador. Que Deus lhe dê toda a sorte do mundo e que você possa se transformar no governador que fez as correções necessárias para que o governo dê certo”, disse o petista, que estava rouco e fez um discurso breve.

Acenos a Couto
Lula tem feito acenos a Couto. Em um evento no fim de maio, pediu uma salva de palmas para o governador interino e afirmou que “esse homem vai ajudar a consertar o Rio de Janeiro”. Antes, na cerimônia desta segunda, Couto disse que o governo federal tinha “um grande time” e agradeceu ao presidente pelo Propag.

O desembargador, que é presidente do Tribunal de Justiça, assumiu o governo em março após a renúncia de Cláudio Castro (PL), na véspera do julgamento em que o ex-governador foi declarado inelegível pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Último na linha sucessória, ele assumiu o cargo porque o estado estava sem vice-governador desde a renúncia de Thiago Pampolha no ano passado para assumir uma vaga no TCE (Tribunal de Contas do Estado). O então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, estava afastado do cargo em razão da investigação por vazamento de informações de operação contra ex-deputado ligado ao Comando Vermelho.

O Supremo decidiu manter Couto até a conclusão do processo em que analisa como será decidido o governador-tampão, novo chefe do Palácio Guanabara após a dupla vacância —quando governador e vice deixam seus cargos. A Corte discute se haverá eleição direta, pelo voto popular, ou indireta, pelos deputados estaduais.

Caso parado
O caso está parado desde que o ministro Flávio Dino pediu vista, para analisar melhor o caso. Na semana passada, Couto apresentou um argumento que justificaria sua permanência no cargo até a eleição do governador-tampão, que concluirá o mandato em dezembro. Embora tenha atribuído ao Supremo esta análise, ela nunca foi feita abertamente pelos ministros, seja em plenário, seja nos votos.

“No caso, parece, o Supremo vem fazendo uma opção por mencionar que o que interessa é a data do fato gerador da assunção. Quando se deu a dupla vacância, quem teria legitimidade apenas seria o presidente do tribunal. E colocar o presidente do tribunal para depois, meses seguintes, colocar o presidente da Alerj e depois, meses seguintes, colocar um governador eleito traria uma insegurança tremenda. A opção até agora pelo Supremo foi a opção pela segurança”, afirmou, durante palestra do grupo Lide-RJ.

O governador interino também estimou em ao menos três meses sua permanência no cargo. “Hoje a previsão seria de mais ou menos 90 dias. Vindo a ideia de eleição, direta ou indireta, teríamos uma pessoa para ficar no governo pelo período restante e depois assumiria o governador eleito. Não sei se é a melhor solução. O Estado precisa de segurança”, disse.

A cerimônia para a celebração do acordo ocorreu no Palácio Guanabara, sede do Executivo fluminense. O Propag é o programa do governo federal que permite o refinanciamento de dívidas de estados com a União mediante contrapartidas. Segundo Lula, o Propag é “um acordo civilizatório”.

“O Rio de Janeiro deixou de ser capital da República e passou a aparecer na imprensa nacional nas páginas policiais. Sendo que o Rio teria que ser cuidado com muito carinho porque todos nós sabemos que a cara do Brasil no mundo continua sendo o Rio”, disse o presidente.

A adesão é uma aposta do Rio de Janeiro para tentar aliviar o quadro de desequilíbrio fiscal. A gestão de Couto tem prometido medidas para atacar o déficit nas contas locais, previsto inicialmente pela LOA (Lei Orçamentária Anual) em quase R$ 19 bilhões em 2026.

Lula autorizou em maio a saída do estado do Regime de Recuperação Fiscal para adesão ao Propag. A Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro declarou à época que a dívida com a União era de R$ 203,3 bilhões.

O governo federal estimou que, com a adesão ao Propag, o pagamento da dívida do estado cairia para cerca de R$ 113 milhões por mês, com crescimento gradual ao longo de cinco anos. Atualmente, o estado realiza desembolsos médios de aproximadamente R$ 490 milhões por mês. (Folhapress)

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