Jovem de 18 anos esfaqueada pelo namorado após comemorar vitória de Lula passa por cirurgia e se recupera; crime choca cidade do Rio Grande do Norte
A jovem Clara Thaís Silva Maia, de 18 anos, atingida por golpes de faca na garganta durante uma discussão com o namorado, na madrugada da última segunda-feira (26), em Umarizal, no...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 02/11/2026 às 07:31
A jovem Clara Thaís Silva Maia, de 18 anos, atingida por golpes de faca na garganta durante uma discussão com o namorado, na madrugada da última segunda-feira (26), em Umarizal, no interior do Rio Grande do Norte, passou por cirurgia e se recupera da grave agressão. O ataque aconteceu poucas horas depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais. Segundo a advogada da vítima, a violência teria sido motivada pela comemoração do resultado eleitoral feita pela jovem. O caso chocou a população da pequena cidade potiguar e está sendo investigado pela Polícia Civil.
O principal suspeito é Eduardo Ronald Ferreira, também de 18 anos, namorado de Clara havia seis meses. Ele foi preso em flagrante na madrugada de segunda-feira, acusado de atacar a jovem com uma faca dentro da própria residência.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da agressão e apura se houve motivação política. A prisão preventiva do suspeito foi solicitada à Justiça. Durante os procedimentos policiais, Eduardo permaneceu em silêncio.
JOVEM PASSOU POR CIRURGIA NA TRAQUEIA E DEIXOU UTI
Clara foi socorrida e encaminhada ao hospital, onde precisou passar por uma cirurgia em razão dos ferimentos provocados pelos golpes de faca no pescoço.
Depois de permanecer internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a jovem apresentou melhora e foi transferida, nesta sexta-feira (30), para um quarto da enfermaria.
Segundo a mãe, Monária Maia, a filha ainda enfrenta dificuldades para falar e consegue emitir apenas alguns sons. Os médicos recomendaram que ela permaneça em silêncio durante a recuperação, enquanto recebe acompanhamento e aguarda novos procedimentos.
ADVOGADA APONTA POSSÍVEL MOTIVAÇÃO POLÍTICA PARA O ATAQUE
A advogada Helena Belmont, que representa Clara, afirmou que Eduardo teria ficado transtornado com a derrota do candidato Flávio Bolsonaro (PL) para Lula no segundo turno das eleições.
Segundo a advogada, o casal teria discutido depois que Clara comemorou a vitória do presidente petista. Durante o desentendimento, o rapaz teria atacado a namorada com uma faca.
Helena relatou ainda que o próprio suspeito teria acionado a polícia por volta das 2 horas da madrugada de segunda-feira.
A motivação política, entretanto, ainda não foi confirmada pelas autoridades e continua sendo investigada.
MÃE PEDE JUSTIÇA E AGUARDA RECUPERAÇÃO DA FILHA
Abalada com a violência sofrida pela filha, Monária Maia afirmou que Eduardo participava de manifestações de apoio a Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral.
Ela contou que a família de Clara apoiava Lula, mas ressaltou que, até então, o namorado não havia demonstrado comportamento agressivo por divergências políticas diante dela.
“Espero que ele pague tudo o que ele fez, que a Justiça seja feita para minha filha. Agora eu quero que ela se recupere”, declarou a mãe.
DEFESA DA VÍTIMA QUER RESPONSABILIZAÇÃO POR TENTATIVA DE FEMINICÍDIO
A advogada Helena Belmont informou que pretende atuar como assistente de acusação para buscar a responsabilização do investigado por tentativa de feminicídio.
“Buscarei apoio multidisciplinar garantido na Lei Maria da Penha para resguardá-la ao máximo. Tenho certeza que o Ministério Público vai denunciá-lo pelo feminicídio na forma tentada”, afirmou.
A definição do enquadramento criminal dependerá das investigações e da avaliação do Ministério Público.
VIOLÊNCIA CONTRA MULHER E INTOLERÂNCIA POLÍTICA PREOCUPAM
O episódio provocou comoção em Umarizal e chama atenção para a gravidade da violência contra mulheres em relacionamentos afetivos, além dos riscos associados à intolerância política.
A investigação deverá esclarecer se a divergência sobre o resultado da eleição presidencial foi determinante para o ataque ou se existiram outras circunstâncias relacionadas ao crime.
Enquanto a Polícia Civil apura os fatos e a Justiça analisa a situação do suspeito, Clara Thaís permanece em recuperação. Aos 18 anos, a jovem enfrenta as consequências de uma agressão que colocou sua vida em risco e mobilizou familiares e moradores de Umarizal. A prioridade da família é garantir sua recuperação e a responsabilização de quem praticou a violência.