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Regional / 25.06.2026

Inflação no Brasil: Ipca-15 desacelera, mas recuo do petróleo ainda não traz alívio imediato

Especialistas analisam o IPCA-15 e o impacto do recuo do petróleo na inflação brasileira. Entenda por que o alívio pode demorar. O post Inflação no Brasil: Ipca-15 desacelera, mas...

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POR SOBRAL ONLINE

Publicado em 25/06/2026 às 07:19

Inflação no Brasil: Ipca-15 desacelera, mas recuo do petróleo ainda não traz alívio imediato
© FONTE: Sobral OnLine
Imagem gerada com IA

Expectativas para o IPCA-15 de junho

As análises indicam que, mesmo com a desaceleração geral, alguns grupos de despesas persistirão como “vilões” da inflação. O grupo de alimentação no domicílio, por exemplo, projeta uma alta de 1,35%, conforme apontado pelo economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Este patamar, embora represente uma leve desaceleração em comparação a maio, ainda contribui significativamente para manter o índice elevado.

Outro ponto de atenção é o grupo de habitação, com uma projeção de alta de 0,91%. A persistência desses aumentos em setores essenciais demonstra a complexidade de controlar a inflação em um ambiente de pressões variadas, mesmo com sinais de arrefecimento em outras frentes.

A dinâmica do petróleo no cenário global

Recentemente, o mercado internacional de petróleo registrou quedas significativas. Os contratos futuros do petróleo fecharam em baixa pelo terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira (24), influenciados por dois fatores principais: a normalização do fluxo no Estreito de Ormuz e o avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, após a assinatura de um memorando de entendimento. Acompanhe mais detalhes sobre a queda do petróleo aqui.

Na Nymex (New York Mercantile Exchange), o petróleo WTI (West Texas Intermediate) para agosto encerrou com queda de 3,92% (US$ 2,87), cotado a US$ 70,34 o barril, chegando a operar abaixo dos US$ 70 na mínima intradia. A referência internacional, o petróleo Brent para setembro, negociado na ICE (Intercontinental Exchange de Londres), também fechou em baixa de 3,81% (US$ 2,93), a US$ 73,87 o barril. Essa movimentação global, contudo, ainda não se reflete diretamente nos índices de preços domésticos.

Combustíveis: Alívio à vista ou ilusão?

No que tange aos combustíveis, o etanol se destaca como o principal vetor de queda, com um recuo projetado em -5,91%, impulsionado pelo período de safra. A gasolina, por sua vez, deve apresentar estabilidade ou uma leve redução em seus preços. Com isso, o grupo de transportes como um todo tende a ser menos negativo em comparação ao mês anterior, contribuindo para a desaceleração do IPCA-15.

Entretanto, especialistas alertam que o IPCA-15 de junho ainda absorverá os efeitos de altas anteriores. Qualquer alívio decorrente da queda nos preços internacionais do petróleo, se ocorrer, deverá ser sentido apenas em índices futuros. Adriano Birle, economista da GEP Brasil, reforça que junho ainda sofrerá o impacto do aumento prévio do petróleo e de fatores geopolíticos, com a gasolina estável e o etanol em queda.

Impactos futuros e a persistência do diesel

Apesar da estabilização recente, o impacto indireto do aumento do diesel ainda deve reverberar nos próximos meses. Birle explica que, embora o preço do diesel tenha parado de subir, ele permanece “significativamente acima do que estava no mês de fevereiro”. Esse aumento tem um efeito de médio prazo no IPCA, principalmente através do repasse para os custos de frete.

“Esse aumento do diesel, ele tem um impacto de mais médio prazo no IPCA por meio do repasse para os custos de frete, então ele ainda vai ser absorvido no IPCA, e a gente espera que siga tendo impacto nos próximos meses, mas aí seria mais sobre os preços de alimentos e bens de consumo, principalmente”, detalha o economista. Isso significa que produtos básicos e bens de consumo podem continuar a sentir a pressão dos custos de transporte.

Intervenção governamental e o cenário de preços

Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, complementa que um eventual alívio do Brent nos preços dos combustíveis no Brasil só se manifestará mais adiante. Ele também lembra que o governo implementou diversas medidas para conter a elevação dos preços dos combustíveis nas bombas em momentos de alta.

“Assim, se os preços não subiram por causa dessa intervenção quando o preço subiu, não deveríamos ter grandes expectativas de quedas de preços agora que os preços internacionais dos combustíveis estão caindo”, conclui Olivares. Essa perspectiva sugere que a capacidade de o mercado repassar as quedas internacionais pode ser limitada pelas intervenções prévias, mantendo os preços em um patamar já estabelecido.

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