Governo comemora avanço, mas recua e adia votação da PEC do fim da escala 6×1 no Senado por falta de segurança nos votos
O Governo Federal comemorou a aprovação, nesta quarta-feira (3), da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. No entant...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 03/09/2026 às 06:52
O Governo Federal comemorou a aprovação, nesta quarta-feira (3), da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. No entanto, a expectativa de concluir a votação no plenário foi frustrada após o Palácio do Planalto recuar diante da falta de garantia dos 49 votos necessários para aprovar a proposta de emenda à Constituição.
Mesmo com a presença de 75 senadores no plenário, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), admitiu que não havia segurança suficiente para colocar a matéria em votação.
Segundo Randolfe, o governo estimava contar com 53 ou 54 votos favoráveis, mas avaliou que havia risco de perder a votação por causa dos chamados “não votos” — parlamentares que poderiam se ausentar ou deixar de registrar voto favorável.
“Nós não tínhamos essa garantia pelo mapa de votação. Achamos mais prudente esperar o momento em que possamos ter os votos necessários para aprovar a proposta”, afirmou.
O líder governista explicou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), consultou a base aliada antes de incluir a PEC na pauta do plenário. Após a conferência dos votos, a conclusão foi de que não havia margem segura para a aprovação.
Apesar do adiamento, Randolfe responsabilizou a oposição pelo resultado, afirmando que houve uma estratégia para esvaziar o apoio à proposta.
“A oposição foi bem-sucedida em obstruir a aprovação de uma proposta que representaria uma das maiores conquistas dos trabalhadores brasileiros”, declarou.
Nos bastidores, o adiamento provocou frustração entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que esperavam transformar a aprovação da nova jornada de trabalho em um dos principais trunfos políticos da campanha à reeleição.
A expectativa agora é que a PEC seja analisada após as eleições, durante a próxima semana de esforço concentrado do Congresso. Embora Randolfe negue relação entre a tramitação da matéria e o calendário eleitoral, integrantes da base governista avaliam que uma eventual aprovação em outubro poderá fortalecer ainda mais o discurso de Lula em defesa da ampliação dos direitos dos trabalhadores.
A proposta prevê o fim da tradicional escala seis dias de trabalho para um de descanso (6×1), tema que se transformou em uma das principais bandeiras do governo federal na área trabalhista e mobiliza forte debate entre empresários, trabalhadores e parlamentares.