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Ceará / 21.10.2026

França decreta novos toques de recolher e começa a julgar detidos após onda de caos

O governo da França anunciou uma nova noite de toques de recolher, nessa terça-feira (20), em cidades afetadas pela onda de violência dos protestos no último fim de semana, enquant...

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POR O ESTADO

Publicado em 21/10/2026 às 06:26

França decreta novos toques de recolher e começa a julgar detidos após onda de caos
© FONTE: O Estado

O governo da França anunciou uma nova noite de toques de recolher, nessa terça-feira (20), em cidades afetadas pela onda de violência dos protestos no último fim de semana, enquanto os tribunais começaram a julgar os detidos durante os distúrbios. As autoridades tentam retomar o controle da situação e demonstrar que aprenderam com as falhas de segurança que deixaram áreas de Paris, Marselha, Lyon e outras cidades vulneráveis a confrontos, incêndios e saques.
O caos de sábado (17) está entre os episódios mais graves de violência nas ruas da França nos últimos anos. Imagens de edifícios públicos incendiados e lojas saqueadas circularam pelo mundo, levando países como Estados Unidos, China e Alemanha a recomendar vigilância redobrada a seus cidadãos em território francês.
As autoridades foram criticadas por mobilizar um efetivo policial insuficiente para conter os distúrbios. Nessa segunda-feira (19), foram decretadas restrições de circulação no período da noite em bairros de Paris, Lyon, Bordeaux, Lille e Nice.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou, em rede social, que os toques de recolher poderão ser ampliados “onde a situação exigir” e que as medidas contribuíram para a tranquilidade desta madrugada. Na Capital, a presença policial e o sobrevoo de helicópteros marcaram a noite. As restrições não devem afetar a partida da Liga dos Campeões entre Paris Saint-Germain e Barcelona, disputada nesta terça em Paris, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
O toque de recolher oferece ao governo uma trégua após semanas de manifestações que pressionaram a polícia e as autoridades públicas. Os protestos começaram com mobilizações de estudantes do ensino médio contra a queda da qualidade do ensino e a deterioração das escolas, mas se ampliaram e passaram a refletir a insatisfação com a alta dos preços e a piora dos serviços públicos.
A crise também aprofundou a tensão política no país, a cerca de seis meses da eleição presidencial que definirá o sucessor de Emmanuel Macron, que não pode concorrer à reeleição. Candidatos da ultradireita e da ultraesquerda lideram a disputa pelo pleito.
A Justiça começou a processar os detidos durante os protestos. Das mais de 2.500 pessoas detidas, 123 estão presas, seja à espera de julgamento ou já cumprindo as primeiras condenações, informou o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, à rádio Europe 1.
Vários dos detidos à margem das manifestações, antes da escalada de violência de sábado, compareceram à Justiça na segunda-feira. Os envolvidos nos episódios mais graves serão ouvidos a partir desta terça-feira.
Um dos primeiros condenados foi Manuel, trabalhador temporário de 21 anos que viajou do centro da França até Paris para comemorar o aniversário com a namorada. Ele afirmou que a viagem ocorreu por impulso e que pretendia realizar um churrasco. Em uma revista antes da manifestação, porém, os policiais encontraram em sua bolsa garrafas de vidro, trapos e um isqueiro, materiais que, segundo o promotor, poderiam servir para fabricar um coquetel Molotov.

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