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Regional / 31.10.2026

Flávio Bolsonaro fugiu e agora quer dar uma de herói nacional

Flávio Bolsonaro apareceu ontem, direto dos Estados Unidos, com uma conversa que chega a ser um insulto à inteligência do povo brasileiro. Depois de sair do país, resolveu explicar...

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POR REVISTA CAMOCIM

Publicado em 31/10/2026 às 08:07

Flávio Bolsonaro fugiu e agora quer dar uma de herói nacional
© FONTE: Revista Camocim


Flávio Bolsonaro apareceu ontem, direto dos Estados Unidos, com uma conversa que chega a ser um insulto à inteligência do povo brasileiro. Depois de sair do país, resolveu explicar que não fugiu. Segundo ele, saiu do Brasil pelo Brasil.

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É muita cara de pau!


O sujeito disputou a Presidência da República, fez campanha, participou de debates, atacou Lula, pediu votos e teve toda a liberdade que uma democracia oferece. Perdeu a eleição e, em vez de aceitar o resultado, resolveu colocar a culpa nas instituições.


Pior. Prometeu que não sairia do país e que entregaria seus passaportes. Fez o contrário. Pegou o caminho dos Estados Unidos e agora aparece num vídeo querendo ensinar patriotismo aos brasileiros.


É o patriotismo mais confortável do mundo. O sujeito fica longe do país e ainda quer ser tratado como alguém que se sacrificou pela pátria.


Flávio teve tempo para preparar discurso, organizar viagem e escolher onde ficar. O que não encontrou até agora foi uma prova capaz de sustentar suas insinuações de fraude eleitoral.


E ainda tem a ousadia de falar em ditadura.


Ditadura onde um candidato da oposição disputa a Presidência, participa de debates, faz campanha pelo país inteiro, recebe milhões de votos e continua com mandato de senador. Uma ditadura muito estranha, essa que permite tudo isso.


O problema da família Bolsonaro parece ser outro. Quando vence, a eleição é legítima. Quando perde, a urna é suspeita, o juiz é perseguidor e a democracia vira ditadura.


Agora Flávio anuncia que pretende comandar a oposição brasileira dos Estados Unidos. Uma verdadeira inovação política. O senador quer exercer o mandato à distância, combater as instituições brasileiras de fora do país e, de quebra, posar de vítima.


O mais curioso é que essa gente passou anos fazendo discursos inflamados sobre pátria, bandeira, soberania e amor ao Brasil. Mas, na hora de enfrentar problemas com a Justiça brasileira, o endereço preferido é americano.


Ninguém está acima da lei. Nem Lula, nem Flávio, nem qualquer outro brasileiro. Quem considera uma decisão judicial injusta tem o direito de recorrer. O que não dá é transformar qualquer investigação em perseguição política e qualquer derrota eleitoral em golpe.


Flávio pode gravar quantos vídeos quiser. Pode repetir mil vezes que saiu pelo Brasil. Pode até ensaiar um discurso emocionado diante da bandeira brasileira.


Mas patriotismo não se mede pelo tamanho do discurso, muito menos pela distância de onde ele é feito.


O homem que prometeu ficar foi embora. Agora quer aplausos pela partida.


E ainda pretende convencer os brasileiros de que fugir dos próprios problemas é uma demonstração de coragem.


A essa altura, só falta pedir uma medalha por ter chegado aos Estados Unidos.


O Brasil não precisa desse tipo de heroísmo. Precisa de políticos que respeitem o voto popular, cumpram a lei e tenham responsabilidade pelo que dizem.


Flávio perdeu a eleição, saiu do país e agora tenta transformar a própria retirada numa vitória moral. Perdeu nas urnas e quer ganhar no discurso.


É querer fazer o povo brasileiro de besta.


Carlos Jardel 

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