Fenômeno reúne Lua e três planetas em espetáculo visível a olho nu
Brasileiros de diferentes regiões acompanharam, na noite da última quarta-feira (17/06), um espetáculo astronômico que chamou a atenção pela beleza e pela configuração incomum no c...
POR A NOTICIA DO CEARÁ
Publicado em 18/06/2026 às 21:30
Brasileiros de diferentes regiões acompanharam, na noite da última quarta-feira (17/06), um espetáculo astronômico que chamou a atenção pela beleza e pela configuração incomum no céu. O fenômeno reuniu Mercúrio, Vênus e Júpiter em aparente proximidade com a Lua crescente, formando um cenário visível a olho nu logo após o pôr do sol.
Embora alinhamentos planetários ocorram com relativa frequência, a astrônoma Dra. Josina Nascimento, do Observatório Nacional (ON), explica que o diferencial desta ocorrência foi a aparência dos astros no céu. “O que vimos ontem foi um fenômeno mais raro, porque eles (os planetas) apareceram alinhados, como sempre, mas aparentemente bem próximos e com a Lua fininha, aparentemente muito próxima de Vênus. É isso que tornou esse fenômeno raro”, explicou.

A explicação para o alinhamento está na disposição das órbitas dos planetas visíveis a olho nu (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) que se encontram em planos muito próximos ao da órbita terrestre ao redor do Sol. A Lua também acompanha trajetória semelhante, com inclinação de apenas cinco graus em relação ao plano da Terra.
Por esse motivo, os corpos celestes parecem percorrer praticamente o mesmo caminho no céu, conhecido como eclíptica. Trata-se da mesma faixa celeste onde estão localizadas as constelações do zodíaco. Conforme Josina, aproximações aparentes entre planetas acontecem, em média, a cada 13 ou 15 meses, enquanto a Lua passa regularmente próxima aos planetas ao longo de seu ciclo mensal.
Além da conjunção observada nesta semana, outro fenômeno mais raro ocorreu simultaneamente em parte do país. Enquanto a aproximação aparente entre astros recebe o nome de conjunção, a ocultação acontece quando a Lua passa exatamente à frente de um planeta, bloqueando sua visualização temporariamente.

Para quem pretende acompanhar os astros nos próximos dias, a recomendação é observar o horizonte logo após o pôr do sol. Júpiter permanece facilmente identificável por estar mais alto no céu, enquanto Mercúrio exige condições mais favoráveis de observação.
“A condição essencial é ter o horizonte desobstruído, pois Mercúrio aparece muito próximo ao horizonte e se põe rapidamente após o pôr do Sol”, disse a pesquisadora.
Nos dias seguintes, a Lua continuará alterando sua posição no céu devido ao seu movimento orbital. Na quinta-feira (18/06), ela deverá aparecer acima de Vênus, a uma distância angular equivalente a aproximadamente uma mão estendida. Já na sexta-feira (19/06), o satélite natural estará ainda mais elevado, cerca de duas mãos acima do planeta.
A observação também poderá revelar outro destaque celeste: Regulus, a estrela mais brilhante da constelação de Leão, que deverá ser vista logo abaixo da Lua.
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