Fóssil de dinossauro encontrado no Ceará revela vestígios de sangue de 115 milhões de anos e surpreende cientistas
Um fóssil descoberto no interior do Ceará está ajudando cientistas a desvendar um dos grandes mistérios da vida pré-histórica: como funcionava o organismo dos dinossauros. Pesquisa...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 03/11/2026 às 08:30
Um fóssil descoberto no interior do Ceará está ajudando cientistas a desvendar um dos grandes mistérios da vida pré-histórica: como funcionava o organismo dos dinossauros. Pesquisadores de diferentes países identificaram vestígios de sangue preservados nos ossos do Aratasaurus museunacionali, animal que habitou a região do Cariri há cerca de 115 milhões de anos. O achado ganhou repercussão internacional com a publicação de um estudo na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), uma das mais respeitadas do mundo.
A descoberta chama a atenção pela identificação de moléculas de heme, componente da hemoglobina associado ao transporte de oxigênio pelo sangue. Os cientistas também encontraram estruturas compatíveis com glóbulos vermelhos e resíduos de colágeno mineralizados. O material estava preservado em canais vasculares dos ossos, uma localização que reforça a interpretação de que os vestígios estão relacionados ao sistema circulatório do animal.
A pesquisa representa um avanço para a paleontologia porque permite analisar características biológicas que, até recentemente, pareciam impossíveis de investigar em fósseis tão antigos.
Uma das questões que poderão ser aprofundadas é a capacidade dos dinossauros de regular a própria temperatura. A identificação dessas estruturas não comprova, por si só, que o aratassauro tivesse sangue quente, mas abre caminho para estudos sobre metabolismo, circulação sanguínea e adaptação ao ambiente.
O trabalho é coordenado pela cientista Kliti Grice, da Universidade Curtin, na Austrália, e reúne especialistas de instituições brasileiras e estrangeiras, incluindo o Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e a Universidade Regional do Cariri (Urca).
Para o paleontólogo Alexander Kellner, um dos participantes da pesquisa, a localização dos vestígios foi decisiva para a descoberta, já que as estruturas associadas ao sangue foram identificadas justamente no interior dos canais por onde circulavam os vasos sanguíneos.
Dinossauro cearense escapou do incêndio do Museu Nacional
A trajetória do aratassauro também guarda uma curiosidade. Descoberto em 2008, em uma mina de gesso na região de Santana do Cariri, o fóssil foi inicialmente encaminhado ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens.
Anos depois, seguiu para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, onde estava sendo estudado quando ocorreu o incêndio de setembro de 2018. O exemplar sobreviveu porque estava armazenado em uma área que não foi atingida pelas chamas.
A espécie recebeu sua identificação científica em 2020. O nome Aratasaurus museunacionali, traduzido como “lagarto nascido do fogo”, faz referência à história do fóssil e presta homenagem à instituição brasileira.
O animal tinha dimensões relativamente modestas: pouco mais de três metros de comprimento, cerca de 1,6 metro de altura e peso estimado em 35 quilos.