Ex-ministro de Bolsonaro intermediou contato entre Vorcaro e Moraes
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro mostram que Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro (PL), intermediou o contato entre o...
POR O ESTADO
Publicado em 02/09/2026 às 01:13
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro mostram que Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro (PL), intermediou o contato entre o dono do Banco Master e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O magistrado e o banqueiro se encontraram pelo menos seis vezes. Os documentos da PF enviados ao ministro André Mendonça mostram que Faria repassou os números de telefone de Moraes a Vorcaro, no final de 2023, por meio do aplicativo WhatsApp, que foi salvo na agenda.
Logo em seguida, Faria encaminhou mensagem ao dono do Master mencionando “Alex” e “almoço no dia 30”. A PF registrou também que, no mês seguinte, o ex-ministro de Bolsonaro perguntou a Vorcaro se ele poderia falar, porque conversaria com interlocutor não nominado no diálogo, ao qual se refere por meio do emoji de “homem careca”.
No mesmo dia, ele perguntou se Vorcaro “respondeu a Vivi”. Dois dias depois, em 17 de janeiro de 2024, o contato “Vivi Moraes” retornou com a versão final do contrato firmado entre o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com o dono do Master. O acordo teve a última modificação feita pelo usuário “Ministro Alexandre de Moraes”, em 15 de janeiro de 2024, conforme metadados do documento.
Em outra mensagem, Faria enviou mensagem a Vorcaro informando que havia confirmado jantar com “o Careca” para o início de fevereiro. Já em março de 2024, foi pedido um outro encontro por ele a Moraes, que respondeu que não conseguia jantar, mas teria tempo “de tomar um whisky”.
O diálogo com o ministro foi encaminhado por Faria ao banqueiro que, no mesmo mês, o alertou “manda pagar a ele” e, em seguida, acrescentou que “o careca não pode atrasar”. Imediatamente após a cobrança feita pelo ex-ministro de Bolsonaro, segundo a PF, Vorcaro encaminhou mensagens a assessores dizendo que os pagamentos ao escritório Barci de Moraes não poderiam “atrasar um dia”, pois “é o pgto [pagamento] mais importante que temos”, disse.
Na sequência, Vorcaro afirmou a uma funcionária “pode pagar sempre, sem nota”, depois finalizou “do jeito que for”. Após o alerta, ele recebeu um registro de uma transferência do Banco Master para o escritório de Viviane de Moraes no valor de R$ 3,4 milhões.
Em nota, Faria disse que sugeriu o escritório Barci de Moraes para atuação em um caso na Justiça de São Paulo, que não se reuniu em nenhum momento com a banca e “sequer tomou conhecimento dos valores contratados entre as partes”. Procurado, Moraes não respondeu à reportagem.
Anulação
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nessa terça-feira (1º) a anulação desse relatório da PF. Gonet, que também é citado no documento da PF, diz que Mendonça “impôs a investigação” de Moraes. “Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais”, disse.
Segundo o PGR, o relator “se valeu da polícia” para exercer “atividades que não lhe foram assinaladas”. “A ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, é nula, por exceder os limites de competência do magistrado na fase pré-processual”.
Reação
Os candidatos a presidente, Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), pediram ontem o afastamento de Moraes após a revelação das mensagens. Lula (PT) não se manifestou sobre o caso.
Os diálogos mostram ainda que Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela PF. Em nota, Flávio afirmou que o ministro deveria renunciar ao cargo, porque agia como advogado do então banqueiro.
Zema chamou o ministro de “projetinho de ditador” e defendeu a prisão do magistrado. A campanha de Caiado divulgou vídeo em que o ex-governador de Goiás pede a renúncia do ministro do STF. E Augusto Cury, candidato a presidente pelo Avante, afirmou que “quem tem mais poder deve mais explicação” e que “onde tem indício tem que ter investigação”.
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