Estudo aponta que solidão pode aumentar risco de depressão e ansiedade
A solidão pode contribuir para depressão, ansiedade, automutilação e redução do bem-estar, segundo um estudo que combinou dados médicos, comparações entre irmãos e análises genétic...
POR CEARÁ AGORA
Publicado em 23/07/2026 às 14:59
A solidão pode contribuir para depressão, ansiedade, automutilação e redução do bem-estar, segundo um estudo que combinou dados médicos, comparações entre irmãos e análises genéticas com amostras que chegaram a mais de 2 milhões de pessoas.
Publicada na revista científica Nature Communications, a pesquisa encontrou resultados menos consistentes para o isolamento social. As análises, porém, reforçaram a possibilidade de que a solidão prejudique a saúde mental e alguns indicadores de saúde geral.
Conduzido por pesquisadores de instituições do Reino Unido, dos Países Baixos e da Noruega, o estudo utilizou três métodos complementares: análise observacional, comparação entre irmãos e randomização mendeliana, técnica que usa variantes genéticas para investigar possíveis relações de causa e efeito.
Os autores diferenciam solidão de isolamento social. A primeira é a sensação subjetiva de que as relações não atendem às necessidades emocionais da pessoa. O segundo diz respeito à quantidade e à frequência dos contatos sociais.
Os resultados apontaram que a solidão pode aumentar o risco de depressão, automutilação e tentativa de suicídio, além de reduzir a felicidade, a sensação de propósito e a satisfação com a vida.
Também foram encontradas evidências de que a solidão pode estar associada à multimorbidade — presença simultânea de duas ou mais doenças — e à redução dos anos vividos com boa qualidade de saúde.
Por outro lado, os pesquisadores não encontraram evidências consistentes de efeitos sobre condições físicas específicas, como doença arterial coronariana, AVC e diabetes tipo 2. A ausência de resultados conclusivos, porém, não descarta a existência de efeitos menores, que podem não ter sido detectados pelas análises.
“Nossos resultados sugerem que a solidão, e possivelmente o isolamento social, ainda são importantes preocupações de saúde pública, especialmente para a saúde mental e a saúde em geral. Apoiar pessoas que se sentem sozinhas ou socialmente isoladas pode ajudar a melhorar a saúde mental, o bem-estar e a saúde em geral”, disse Zoe Reed, pesquisadora da Escola de Ciências Psicológicas da Universidade de Bristol e autora correspondente do estudo, em comunicado.
Para os pesquisadores, a solidão deve ser encarada como uma questão de saúde pública. Eles ressaltam, porém, que os efeitos ao longo da vida ainda são incertos, pois a solidão e o isolamento social foram medidos em um único momento, durante a meia-idade ou a velhice.
Além disso, os participantes do UK Biobank tendem a ser mais saudáveis e ter melhores condições socioeconômicas do que a população geral, o que limita a aplicação dos resultados a outros grupos.