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Regional / 23.07.2026

Feminicídio bate recorde no Brasil e violência doméstica preocupa especialistas

O Brasil registra recorde de feminicídios, com a violência doméstica crescendo nos lares, alertam especialistas. O post Feminicídio bate recorde no Brasil e violência doméstica pr...

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POR SOBRAL ONLINE

Publicado em 23/07/2026 às 15:56

Feminicídio bate recorde no Brasil e violência doméstica preocupa especialistas
© FONTE: Sobral OnLine
Feminicídio bate recorde no Brasil e violência doméstica preocupa especialistas

O Brasil enfrenta um cenário alarmante com o registro de 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número já contabilizado na série histórica. Os dados, divulgados pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, revelam um aumento de 4% em relação a 2024 e marcam o quarto recorde consecutivo do indicador. Enquanto outras formas de violência intencional mostram sinais de redução, a agressão dentro dos lares segue uma trajetória preocupante de crescimento, conforme alerta o especialista David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A persistência e o agravamento da violência doméstica, especialmente contra mulheres, crianças e adolescentes, contrastam com a queda de outros índices de criminalidade. Essa dicotomia acende um sinal de alerta para as autoridades e a sociedade sobre a necessidade de estratégias mais eficazes para combater a violência que se manifesta no ambiente privado.

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Feminicídio em alta: o perfil das vítimas e a distinção crucial

O anuário detalha um perfil claro das vítimas de feminicídio: 65% eram mulheres negras, 56% tinham entre 25 e 44 anos, e em 62% dos casos, o crime ocorreu dentro de suas próprias residências. Em esmagadores 96% das ocorrências, o autor do crime era um homem, evidenciando a natureza de gênero dessa violência.

David Marques esclarece a diferença entre feminicídio e outras mortes violentas intencionais (MVI). A categoria MVI, criada pelo Fórum em 2015, abrange homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte, latrocínio, feminicídios e mortes decorrentes de intervenção policial. O feminicídio, por sua vez, é especificamente o homicídio doloso motivado pela condição de gênero da vítima. O chamado feminicídio íntimo, praticado por companheiros ou ex-companheiros, constitui a maior parte desses casos.

É notável que, enquanto as mortes violentas intencionais registraram uma redução de mais de 8% entre 2024 e 2025, atingindo o menor patamar desde 2012, os feminicídios seguiram na contramão dessa tendência. “Se a gente, de alguma forma, está vendo uma redução das principais modalidades de violência que acontecem no ambiente público, a violência que acontece dentro das casas, dentro dos lares, ela segue crescendo”, pontuou Marques, sublinhando a gravidade da situação.

Racismo estrutural: a persistência da desigualdade na violência

A análise do anuário também destaca a sobrerrepresentação de vítimas negras em todos os indicadores de violência letal. Este padrão, que se mantém estável ao longo dos anos, revela uma faceta profunda da desigualdade social no Brasil. Segundo David Marques, essa realidade se manifesta em diversas modalidades de crimes.

“Um olhar transversal para o anuário vai mostrar que temos sempre sobrerrepresentação de vítimas negras entre as principais vítimas desse tipo de crime. Isso vale para as mortes violentas intencionais, vale para os feminicídios, vale para as mortes decorrentes de intervenção policial”, afirmou o especialista. O levantamento aponta que pessoas negras são 3,5 vezes mais vítimas de letalidade policial do que pessoas brancas.

Marques associa diretamente esse cenário a fatores estruturais da sociedade brasileira, como as vulnerabilidades acumuladas por esse grupo populacional e o racismo estrutural que ainda permeia a formação social do país. Ele enfatiza que essa desigualdade racial não se restringe à segurança pública, mas se reflete também em áreas como educação, saúde, moradia, trabalho, emprego e renda.

Letalidade policial: recordes e o desafio do crime organizado

A letalidade policial é outro ponto de grande preocupação no anuário. Em 2025, as intervenções policiais resultaram na morte de, em média, 18 pessoas por dia, totalizando 6.602 vítimas no ano. Em uma década, o número de vítimas de intervenções policiais ultrapassa a marca de 60 mil. Os estados do Amapá, Bahia e Sergipe são consistentemente apontados como os de maiores taxas de letalidade policial.

David Marques critica a eficácia dessa abordagem, ressaltando que o aumento da letalidade policial não tem correspondido a uma diminuição do crime organizado. “Ano após ano, a polícia bate recordes de letalidade policial e nem por isso a gente tem uma diminuição da importância do crime organizado. Pelo contrário, nesse período o crime organizado só se fortaleceu”, declarou.

Para o especialista, uma polícia que mata mais não é necessariamente uma polícia mais eficiente. Ele defende que o enfrentamento ao crime organizado exige uma abordagem mais complexa e estratégica, com maior articulação entre as forças policiais e o uso intensivo de inteligência investigativa, em vez de focar apenas na confrontação direta.

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