Estudo aponta que liderança feminina ainda enfrenta barreiras no Brasil
Uma pesquisa nacional revelou que 40% dos brasileiros não conseguem citar o nome de uma mulher que ocupe uma posição de poder no país. Entre as entrevistadas, esse percentual sobe ...
POR A NOTICIA DO CEARÁ
Publicado em 16/06/2026 às 14:00
Uma pesquisa nacional revelou que 40% dos brasileiros não conseguem citar o nome de uma mulher que ocupe uma posição de poder no país. Entre as entrevistadas, esse percentual sobe para 45%, evidenciando a dificuldade de associação entre liderança e figuras femininas.
Os dados integram o estudo “Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras”, realizado pelo Estúdio Clarice, organização dedicada à produção de inteligência cultural, pesquisas e narrativas voltadas às mulheres. Ao todo, foram ouvidas 2.036 pessoas em todas as regiões do Brasil com o objetivo de compreender as percepções da população sobre o conceito de poder.
A pesquisa também incluiu uma etapa qualitativa, com entrevistas realizadas junto a 16 especialistas e 41 mulheres reconhecidas em diferentes áreas de atuação. O intuito é aprofundar a compreensão sobre os desafios enfrentados por elas em posições de liderança e tomada de decisão.

Segundo a diretora do estudo, Gisele Sakamoto, o elevado número de pessoas que não conseguem mencionar uma mulher em posição de poder está relacionado a construções sociais que historicamente não associam o feminino a espaços de liderança.
Entre os nomes lembrados pelos participantes, se destacam Janja, primeira-dama e esposa do presidente Lula (PT), mencionada por 10,1% dos entrevistados, e Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), citada por 4,8%. A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, também aparece entre as referências, com 6,1% das menções.
De acordo com Gisele, a percepção de poder identificada na pesquisa está fortemente ligada ao universo político, embora o conceito seja mais amplo. “O poder não é simplesmente um cargo político, mas o que é possível e permitido fazer. O que uma mulher pode fazer, o que um homem pode fazer. Isso vem desde a infância, da forma como a gente aprende o que é poder”, afirma.

O levantamento aponta ainda que os espaços considerados mais naturais para a atuação feminina continuam sendo saúde (38%), educação (35%) e família (32%). Em contrapartida, áreas como política (42%), finanças e negócios (33%), esporte (28%) e tecnologia e inovação (28%) ainda são percebidas como ambientes em que a presença das mulheres provoca estranhamento.
A pesquisa também investigou os sentimentos despertados pela ideia de poder. Entre os homens, as respostas mais frequentes foram orgulho (24,1%), alegria (11,8%), desejo (7,3%) e indiferença (9,2%). Já entre as mulheres, orgulho (26,5%), alegria (10,7%) e desejo (6,5%) aparecem acompanhados por um sentimento de ansiedade, citado por 7,5% das entrevistadas.
Para Gisele, essa diferença está relacionada ao fato de que os espaços de poder foram historicamente estruturados para os homens, exigindo das mulheres adaptações constantes para serem reconhecidas e aceitas nesses ambientes. Esse cenário se reflete nas experiências relatadas pelas participantes da pesquisa.
Uma em cada três mulheres afirmou precisar alterar a forma de falar, de se vestir, gesticular ou até mesmo esconder traços da própria personalidade para conquistar respeito e ser ouvida em posições de liderança. “Esse retrato do poder, que causa ansiedade, mostra que o espaço de poder é natural pros homens e para as mulheres é essa conquista”, comenta.
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