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Regional / 25.06.2026

Esp-ce impulsiona saúde plural e inclusiva para comunidade LGBTI+ no Ceará

ESP-CE promove inclusão e valoriza a diversidade no SUS com projetos educacionais. Iniciativas fortalecem a saúde LGBTI+ no Ceará. O post Esp-ce impulsiona saúde plural e inclusiv...

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POR SOBRAL ONLINE

Publicado em 25/06/2026 às 16:09

Esp-ce impulsiona saúde plural e inclusiva para comunidade LGBTI+ no Ceará
© FONTE: Sobral OnLine
Esp-ce impulsiona saúde plural e inclusiva para comunidade LGBTI+ no Ceará

Em um cenário onde a busca por respeito e inclusão se faz cada vez mais urgente, a Escola de Saúde Pública do Ceará (Esp-CE), vinculada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), emerge como um pilar fundamental na construção de um Sistema Único de Saúde (SUS) verdadeiramente plural e sem preconceitos. Através de projetos educacionais inovadores, a instituição tem promovido a valorização da diversidade e o acolhimento da comunidade LGBTI+, impactando diretamente a vida de profissionais e usuários do sistema.

As iniciativas da Esp-CE não apenas capacitam equipes de saúde, mas também ressoam nas trajetórias de indivíduos que, como Andie Lima e Eduardo Braga, enfrentam diariamente os desafios da discriminação e da invisibilidade. Suas histórias pessoais se entrelaçam com a missão da escola, evidenciando a importância de políticas públicas que garantam acesso equitativo à saúde, educação e trabalho para todas as formas de existir, amar e pertencer.

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Trajetórias de resistência e o papel da ESP-CE na inclusão

A psicóloga e ativista Andie Lima, natural de Fortaleza, vivenciou em sua própria pele os obstáculos de uma sociedade que ainda luta para compreender e aceitar a diversidade. Somente aos 25 anos, já formada e iniciando o mestrado, Andie conseguiu abraçar plenamente sua identidade e iniciar a transição de gênero. Com o que ela descreve como “pouca passabilidade”, os constrangimentos e questionamentos diários, somados às dificuldades de inserção no mercado de trabalho, marcaram sua jornada.

“Era e é impossível esconder que sou uma pessoa trans. Então, todo dia que acordo e socializo, preciso explicar quem sou ou enfrentar tratamentos errôneos”, relata Andie. Sua experiência, que reflete a realidade de muitos na comunidade LGBTI+, sublinha a necessidade premente de espaços de acolhimento e educação. A Esp-CE tem sido um desses espaços, onde Andie não apenas participou de seminários e cursos, mas também atuou como facilitadora em uma qualificação de Letramento de Gênero, realizada em Caucaia em 2025.

Para Lima, esses cursos representam uma “janela de oportunidades”, pois desafiam a atuação “cristalizada e engessada” de muitos profissionais. Ela enfatiza que a capacitação contínua é essencial para deslegitimar preconceitos e transformar visões, garantindo um atendimento mais humano e informado no SUS.

Enfrentando o preconceito velado e a força da rede de apoio

A história do assistente social Eduardo Braga, um homem gay de 33 anos, ilustra outra faceta da luta contra o preconceito. Criado em um ambiente de acolhimento, com uma mãe que sempre recebeu pessoas LGBT em casa, Eduardo desenvolveu uma resiliência que o preparou para enfrentar a LGBTfobia, muitas vezes manifestada de forma sutil e velada. Ele destaca que, para ele, o racismo se manifestou de maneira mais intensa do que o preconceito relacionado à sua sexualidade.

A trajetória de Eduardo, que foi beneficiário de programas sociais e frequentou o Centro Social Urbano (CSU), influenciou diretamente sua escolha profissional. “O que foi determinante para a minha escolha foi ter sido usuário da política de assistência. Talvez o mais interessante fosse atuar como técnico dessa mesma política”, relembra. Hoje, no Centro de Referência da Assistência Social (Cras) em Caucaia, ele acolhe e orienta famílias em situação de vulnerabilidade, conectando-as a direitos e benefícios.

Em maio passado, Eduardo participou do Curso de Estratégias de Cuidados à Saúde e Direitos das Pessoas LGBTQIAPN+, Mulheres Cis e Pessoas Vivendo com HIV/AIDS, promovido pela Esp-CE em parceria com a Sesa. A capacitação, que também contemplou enfermeiros, psicólogos e profissionais da Atenção Básica à Saúde (ABS), do Cras e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), foi fundamental para o aperfeiçoamento de sua rotina de trabalho, reforçando a importância da formação contínua para um atendimento inclusivo.

A qualificação contínua para um SUS mais equitativo

Desde 2016 até 2025, a Esp-CE já capacitou mais de 300 profissionais em temáticas relacionadas à comunidade LGBTQIAPN+. Esses cursos fazem parte do Projeto de Educação Permanente em Equidade em Saúde, que tem como objetivo qualificar as equipes de saúde para a implementação de práticas mais inclusivas, humanizadas e equitativas em todo o estado do Ceará.

Os ciclos de aprendizagem abordam temas cruciais como gênero, diversidade, direitos humanos, enfrentamento às discriminações e a atenção integral à saúde de populações em situação de vulnerabilidade. Érika Nicolau, diretora de Educação Permanente e Profissional em Saúde da autarquia, ressalta que as iniciativas foram constantemente ampliadas e atualizadas para oferecer uma abordagem cada vez mais abrangente. “Fomos incorporando discussões, principalmente sobre o acesso aos serviços e enfrentamento das desigualdades”, afirma.

A Esp-CE, em colaboração com a Sesa, demonstra um compromisso contínuo com a construção de um SUS que respeite e atenda às necessidades de todos, promovendo a saúde de forma plural e livre de preconceitos. A atuação de profissionais como Andie Lima e Eduardo Braga, fortalecida por essas capacitações, é um testemunho vivo do impacto positivo dessas políticas na vida das pessoas e na qualidade do serviço público de saúde. Para mais informações sobre a rede de cuidado da Sesa para a comunidade LGBTI+, acesse aqui.

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