Entre títulos e perseverança, atleta cearense busca novas conquistas no Taekwondo
A atleta cearense Marília de Sousa Chaves, de 22 anos, intensificou a preparação para mais um desafio na temporada de 2026. Desde agosto, após disputar sua última competição, ela t...
POR O ESTADO
Publicado em 23/10/2026 às 07:29
A atleta cearense Marília de Sousa Chaves, de 22 anos, intensificou a preparação para mais um desafio na temporada de 2026. Desde agosto, após disputar sua última competição, ela treina para a Copa do Brasil de Taekwondo, marcada para o período de 28 de outubro a 1º de novembro. A competição representa mais uma oportunidade para a lutadora buscar resultados nacionais e ampliar o currículo de conquistas na modalidade.
Com títulos estaduais, regionais e nacionais, Marília mantém uma rotina que combina treinos diários e a formação acadêmica. Natural de Fortaleza, ela está no 10° semestre de Odontologia e divide o tempo entre a preparação esportiva e as atividades da graduação.
A temporada atual tem sido marcada por resultados expressivos. Em 2026, a atleta conquistou o primeiro lugar na Seletiva Nacional Aberta, no Rio de Janeiro, no Aberto Sesc de Lutas, no Campeonato Cearense, na Copa Regional Nordeste, na Copa Impacto e no Desafio Cearense. Também ficou em segundo lugar nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBS) e no Super Campeonato Brasileiro, além de conquistar o terceiro lugar no Grand Slam.
Preparação exige disciplina e renúncias
A rotina de Marília inclui dois períodos de treinamento por dia, um pela manhã e outro à tarde ou à noite, conforme a programação. O sábado é o único dia de descanso semanal. A preparação para a Copa do Brasil começou em agosto, logo após a participação na última competição da atleta.
Conciliar o esporte com a faculdade exige organização e renúncias. Além das horas dedicadas aos treinos e aos estudos, a atleta enfrenta longos deslocamentos e precisa manter a disciplina mesmo diante das dificuldades do cotidiano.
“Acredito que as pessoas ainda não conhecem todas as renúncias, dificuldades e desafios que enfrentei para chegar até aqui. Conciliar a Odontologia com o taekwondo, enfrentar longas horas de deslocamento e seguir firme mesmo nos dias difíceis fizeram parte da minha caminhada. Por trás de cada conquista, existe muito esforço, fé e a certeza de que Deus me sustentou até aqui”, relatou a atleta.
A trajetória no taekwondo começou quando ela tinha 12 anos. Inicialmente, Marília acompanhava a irmã nos treinos, mas passou a se interessar pela modalidade e decidiu praticá-la. Cerca de dois anos depois, começou a se destacar nas disputas e a construir uma trajetória de conquistas.
Desde o início, ela conta com o acompanhamento do treinador Antônio Rodrigues. Os treinos são realizados em um projeto social chamado Academia Fish Taekwondo, que fica localizado em Genipabu, em Caucaia, que também mantém atividades em Coité-Pedreiras. Segundo a atleta, as duas unidades atendem aproximadamente 100 praticantes.
Falta de patrocínio vira obstáculo
Apesar dos resultados, a falta de apoio financeiro continua sendo uma das principais dificuldades para a continuidade no esporte de alto rendimento. Despesas com passagens, hospedagem e inscrições podem limitar a participação em competições, especialmente fora do País. Marília relata que já deixou de disputar torneios internacionais por falta de recursos.
“Uma das minhas maiores dificuldades em relação a participar de competições e continuar no alto rendimento é realmente a parte financeira, porque é muito difícil você conseguir um patrocínio específico para passagem, hospedagem e inscrição”, afirmou.
O apoio da família tem sido fundamental para a continuidade da carreira. Além do incentivo emocional, a ajuda familiar contribui diante dos custos envolvidos na preparação e nas viagens. A atleta também conquistou uma bolsa de estudos por meio do esporte, que auxilia na formação em Odontologia.
Para Marília, a modalidade ainda precisa conquistar mais espaço e visibilidade, inclusive entre empresas que possam investir em atletas de diferentes categorias.
“O taekwondo, por exemplo, é uma arte marcial olímpica, faz parte das Olimpíadas, mas não é tão visto assim por muitas pessoas. Muitas nem conhecem ou sabem o que é” destacou.
Experiência com a amarelinha
Um dos momentos mais importantes da carreira ocorreu em 2020, quando Marília integrou a seleção brasileira de base e conseguiu classificação para o Campeonato Mundial Júnior, que seria realizado em Sófia, na Bulgária. A participação, no entanto, foi impedida pelas restrições provocadas pela pandemia de Covid-19.
A experiência reforçou o objetivo de seguir evoluindo no esporte. Agora, com a Copa do Brasil no calendário, a atleta busca transformar a preparação em mais um resultado positivo na temporada.
Além das medalhas, Marília afirma que deseja inspirar outras pessoas por meio da disciplina e da dedicação exigidas pelo esporte.
“Eu acredito que o meu maior sonho é continuar inspirando pessoas através da minha rotina, que é bem puxada, bem cansativa, mas eu ainda consigo me entregar realmente aos treinos e dar os resultados que são muito importantes para mim”, concluiu.
(Por Henry Klayver, estagiário sob supervisão de editores)
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