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Regional / 21.08.2026

Em novo álbum, Selvagens à Procura de Lei supera mágoas e retoma conexão com Fortaleza

Quando anunciou o lançamento do primeiro disco da nova fase da banda Selvagens à Procura de Lei, que entrou em hiato e foi reformulada entre 2024 e 2025, o músico Gabriel Aragão –...

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POR SOBRAL ONLINE

Publicado em 21/08/2026 às 13:24

Em novo álbum, Selvagens à Procura de Lei supera mágoas e retoma conexão com Fortaleza
© FONTE: Sobral OnLine

Quando anunciou o lançamento do primeiro disco da nova fase da banda Selvagens à Procura de Lei, que entrou em hiato e foi reformulada entre 2024 e 2025, o músico Gabriel Aragão – único membro da formação original – não amenizou o impacto das turbulências com os antigos membros em suas composições: “Y”, álbum lançado em maio do ano passado, foi mesmo um típico álbum de término, nascido da raiva, da dor e “do sentimento de traição”.

Quem escuta o álbum, nomeado com uma letra que indica caminhos distintos, não tem dúvidas do propósito do vocalista e compositor. Tão diretas que possuem um didatismo exagerado, muitas das canções poderiam ser mensagens de áudio enviadas aos ex-parceiros de banda, com quem Gabriel dividiu a rotina por 15 anos.

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Como ocorre em todo término, porém, a fase do “luto” parece ter sido superada. Se “Y” tem como principal mote a importância de saber a hora de mudar a rota, o álbum “Pivete”, lançado nesta sexta-feira (21), foca na sensação de pertencimento que há em entender que existe para onde voltar.

Um resgate às raízes fortalezenses do grupo desde a fotografia de capa, que tem como cenário a histórica Praça dos Leões, no Centro da capital cearense, o trabalho demonstra que o grupo, hoje formado por Gabriel Aragão – vocalista e único membro da formação original –, Jonas Rio (baixo), Plínio Câmara (guitarra) e Matheus Brasil (bateria), parece ter encontrado sua nova voz, olhando menos para o passado e mais para o futuro.

Com letras e inspirações que resgatam a essência indie dos SAPDL, mas com arranjos mais pesados, fruto da bagagem dos novos músicos e da inspiração no grunge dos anos 1990, o novo álbum deixa de lado os desencontros e desentendimentos públicos que causaram a ruptura da formação original da banda em 2024 e foca em ser um álbum conceitual, que conta a história de um homem do nascimento à velhice.

Várias das 20 faixas de “Pivete” contam com participações especiais, com nomes como Ailton Krenak, Claudine Albuquerque, Makem, Tatá Aeroplano, Arnaldo Baptista e Rodger Rogério, entre outros nomes importantes da cena artística cearense e brasileira.
Em entrevista à coluna, Gabriel explica que “Pivete” nasce de um desejo de fazer um disco para Fortaleza – coincidentemente, e de forma bem-vinda, no ano em que a Capital completa 300 anos.

“Eu queria muito fazer um disco conceitual para a cidade – tipo quando a gente escuta o ‘Clube da Esquina’ e a gente sabe que é uma parada muito bonita, de jovens daquela época que moravam ali. É uma carta de amor para a terra natal deles, ao mesmo tempo é uma galera, todo mundo participando. Então, era uma vontade de fazer, nesse sentido, uma carta de amor para a cidade, juntar a galera e tirar essa foto daquele momento”, -explica.

A fotografia de capa, feita por Igor de Melo e com design de Juvenal Joaquim, demorou quase um mês para ser tirada. Com inspiração em capas de discos clássicos, como “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), dos Beatles, e “Tropicália ou Panis et Circenses” (1968), que reúne ícones do movimento tropicalista, ela reúne personalidades e elementos que remetem à arte cearense.

O artista conta que muitas músicas de “Pivete” já estavam prontas antes mesmo de “Y” ser lançado. O disco lançado no ano passado, no entanto, atropelou o projeto que deveria ser, segundo ele, o quinto álbum de estúdio do Selvagens.

Por isso, passadas as turbulências, o artista retomou algumas das letras, decidiu regravar algumas de seu projeto solo – “Loka América” e “Cidade Baixa” – e foi compondo as demais canções com os colegas de banda entre um show e outro. “Queria tirar tudo e colocar para fora, sem me preocupar em decisões de mercado”, relata.

Inspirado por seus “heróis dos anos 60 e 70”, Gabriel sugeriu aos novos parceiros de banda um disco mais analógico, extenso e com “sujeirinhas” de gravação: guitarras gravadas no hotel e trechos de voz da demo entraram em versões finais de algumas músicas, contrariando a lógica de músicas excessivamente produzidas.

A produção do álbum, mais uma vez, contou com a parceria com o baterista e produtor Matheus Brasil, também responsável pela produção de ‘Y’.
Lançar um novo disco apenas um ano e três meses depois do último, segundo Gabriel, faz parte de uma estratégia criativa: lançar um álbum por ano, não para atender demandas da indústria, mas para evitar lapidar demais a identidade do que for criado.

O destaque de “Pivete” talvez seja justamente essa produção pensada para parecer um registro ao vivo, o que pode render boas apresentações para os fãs. Se no trabalho anterior as letras não foram um destaque, mesmo na “reorganização” da banda é possível perceber que há um alinhamento sonoro interessante entre os músicos, que passa das referências para a execução e foi aperfeiçoado após quase 40 shows e mais de um ano de ensaios.

Além do peso da guitarra e da bateria, o retorno de um olhar mais político e menos autocentrado fez bem à banda. O entendimento de que bons álbuns exigem um trabalho intenso e coletivo, também. Talvez o momento mais bonito do disco seja justamente a última frase, quando Rodger Rogério encerra “Cidade Baixa” com a frase entoada no refrão: “Nós estamos aí”.

O recado do refrão não é à toa, ainda que já tenha sido cantado por Gabriel outras vezes, após o lançamento de seu disco solo, “Rua Mundo Novo” (2023). Agora sim, a nova banda está presente.

Veja a setlist do álbum:

“Lido Brabo”
“Presença”
“Loka América”
“Quem Eles São?” (part. André Frateschi)
“Menino De Ouro” (part. Soledad)
“Amanhã Tu É Outro”
“Eu Não Moro Mais Aqui”
“Pivete”
“Guerra” (part. Ailton Krenak)
“Cascadura”
“Manual do Jogo Da Vida” (part. Moisés Loureiro)
“Trem Doido” (part. Tatá Aeroplano)
“Revoada”
“Você Ama Me Odiar”
“Hey Tatá” (part. Tatá Aeroplano)
“Tipo Mara Hope” (part. Silvero Pereira)
“Dia De Rua” (part. Leo Suricate)
“Gira Gira” (part. Claudine Albuquerque)
“Trem Doido Reprise” (part. Arnaldo Baptista)
“Cidade Baixa” (part. Rodger Rogério, Nayra Costa, St. Petersburg Studio Orchestra)

NOVA TURNÊ DEVE PASSAR PELO CEARÁ EM BREVE
Álbum marca nova fase da formação atual da banda.
Apesar de “Pivete” ter sido lançado nesta sexta-feira, os Selvagens já estão na estrada com o trabalho há mais de uma semana. A turnê começou com um evento especial em Fortaleza: a primeira audição pública do disco, no último dia 12, na Hifive Discos e Bar. O primeiro show ocorreu na última sexta-feira (14), em Belo Horizonte (MG), seguido por uma audição em São Paulo nesta semana.

O próximo show será na noite de hoje, no Sesc Guarulhos, celebrando o lançamento oficial do álbum. Nos próximos meses, a banda deve passar por Araruna (PB), João Pessoa (PB), Brasília (DF), Goiânia (GO) e Quixeramobim (CE), mas ainda não há datas previstas para a capital cearense. No entanto, fazer show em Fortaleza “é prioridade”, -afirma Gabriel Aragão.

A ideia, segundo o vocalista, é fazer um show aberto, gratuito, para que todos os fãs possam comparecer. Para que isso ocorra, a banda está em negociação com um equipamento público e busca uma data ainda neste semestre.

“Está nessa parte de campanha, então tudo fica um pouco embaçado, assim. Mas, caso não role isso, eu tenho um plano B assim, de fazer por conta própria”. “Não rolando, a gente faz de um jeito ou de outro”, -afirma Gabriel.

Questionado pela coluna sobre a possibilidade de algum show alusivo aos 15 anos do primeiro álbum do Selvagens à Procura de Lei, “Aprendendo a Mentir” (2011), Gabriel destaca que a banda tem focado principalmente no novo trabalho, mas diz não descartar a possibilidade. “Você acabou de me dar uma ideia boa”, ri.

Além dos shows de “Pivete”, a banda também deve fazer shows em homenagem aos 80 anos de Belchior, um projeto iniciado ainda na pandemia, mas que não havia tomado forma ainda, segundo Gabriel. O primeiro show do tributo também será neste fim de semana, no Sesc Mogi das Cruzes (SP).

Fonte:Diário do Nordeste

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