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Ceará / 25.07.2026

Dobradinha Cid-Domingos acumula crises que vão de vaga de vice ao extinto TCM

Articulações de Cid Gomes na reta final da majoritária reduzem celeridade das decisões e projetam presidente do PSD-CE no cenário local The post Dobradinha Cid-Domingos acumula cr...

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POR O ESTADO

Publicado em 25/07/2026 às 03:00

Dobradinha Cid-Domingos acumula crises que vão de vaga de vice ao extinto TCM
© FONTE: O Estado

A chapa que chegou a ser cogitada para anúncio em junho deste ano entra pela última semana de julho ainda em definição, diante das dificuldades que o governador Elmano de Freitas (PT) tem tido para acomodar os partidos que compõem sua coalizão, dada a expressividade numérica de apoios que o gestor conseguiu somar no curso dos seus três anos e meio de governo.

Uma das razões para tal cenário, contudo, extrapola a matemática e encontra resposta em um nome e um cenário: o senador Cid Gomes (PSB) e sua relação de proximidade, apesar de crises sazonais, com o presidente do PSD Ceará, Domingos Filho.

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Ambos protagonizaram embate político local há cerca de dez anos, no contexto da extinção do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará (TCM), à época presidido por Domingos Filho, que venceu, em 2016, Hélio Parente, candidato apoiado por Cid e Ciro Gomes (PSDB) ao cargo.

A extinção via aprovação de emenda constitucional, sob a presidência de Zezinho Albuquerque (ex-PDT e hoje PP) na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), ocorreu meses após a chegada de Domingos Filho à presidência. Zezinho foi por décadas aliado do combo composto pelos irmãos, hoje em lados opostos. Após a cisão, Zezinho ficou no grupo de Cid.

A disputa pelo controle do TCM se deu em meio à “superação” de um entrave na indicação ao Abolição anos antes, quando, rumo ao final do segundo mandato de Cid, Domingos Filho, vice à época, foi rifado de concorrer ao Governo do Estado. Em 2014, o escolhido pelos Ferreira Gomes foi o hoje senador Camilo Santana (PT).

O fim do mandato do presidente estadual do PSD no TCM foi uma das peças fundamentais do racha entre PSD-PMB e a família Ferreira Gomes, iniciado mesmo antes da chegada de Domingos Filho ao tribunal e uma das estratégias para barrar um eventual fortalecimento do dirigente do PSD para candidatura em 2018 ao Palácio da Abolição.

Camilo x Domingos
Em 2018, Camilo foi à reeleição. A ruptura com Camilo e Ferreira Gomes de um lado e PSD do outro perdurou pelos anos sequenciais e atingiu o ápice no pleito de 2022. Camilo e Domingos Filho levaram a oposição política aos palanques eleitorais nas últimas eleições gerais, com o presidente do PSD Ceará no entorno de Ciro e Roberto Cláudio (União Brasil).

Ciro e Roberto Cláudio, ex-PDTs, lideraram o movimento de candidatura do ex-prefeito de Fortaleza ao Governo do Estado e impediram o projeto Cid-Camilo de Izolda Cela (PSB) como governadora eleita. Em 2022, Izolda passou à condição de primeira mulher a governar o Ceará ao assumir a gestão para que o então governador, Camilo, concorresse ao Senado.

Com a vitória de Elmano, em primeiro turno, as recomposições foram feitas. Em 2025, o PSD passou a integrar a coalizão do governador e recebeu uma cadeira de secretariado econômico, ocupada por Domingos Filho até abril deste ano, quando o ex-presidente da Alece escolheu se desincompatibilizar e, assim, ficar livre para concorrer a um cargo eletivo no pleito deste ano.

Um ano antes, em 2024, Domingos Filho conseguiu emplacar a filha, Gabriella Aguiar (PSD), na vaga de vice do à época candidato ao Paço Municipal, Evandro Leitão (PT). Apesar de fazer parte da gestão Elmano, Domingos Filho não está entre a lista de aliados próximos ao senador Camilo Santana.

As adversidades veladas de ambos têm feito parte do processo de composição da majoritária do governador e atravessam um caminho posto de “guerra fria” entre Cid e Camilo, apontam também os mesmos governistas ouvidos pela reportagem.

Um dos exemplos de ausência de consenso na cúpula de PT, PSD e PSB, refletem as fontes, é a indefinição acerca da presença do deputado federal Eunício Oliveira (MDB) na majoritária. Um interlocutor de Eunício afirmou na quinta-feira (23), um dia depois de um encontro do ex-senador com Elmano, em São Paulo, que a reunião discutiu uma “liberdade” para que o MDB fique com a segunda indicação ao Senado, mas que o referendo vai acontecer na semana que se inicia neste domingo (26).

Cid e Eunício guardam farpas desde 2018, quando o grupo Cid-Ciro, apontam emedebistas, não teria cumprido acordo de amizade com Eunício, apesar de conversas à época. Eunício concorreu de forma “independente”.

No pleito, o pré-candidato ao Governo do Estado este ano pelo Novo, Eduardo Girão, venceu nas urnas e ficou com uma das vagas para a Casa Alta. Eunício, nome próximo ao presidente Lula (PT), no entanto, levou à frente laços políticos com Camilo, iniciados quando o deputado federal ainda estava no Senado, e permaneceu governista, conquistando em 2022 o posto de vice na chapa.

Tido como “camilista” em meio à polarização dos dois caciques políticos, Eunício quer manter a posição, caso não seja o indicado em consenso para a segunda cadeira senatorial em disputa – a primeira indicação ficou com Cid.

Em meio às deliberações da chapa governista, Cid arregimentou uma possível inclusão da ex-PT Luizianne Lins (Rede) na chapa de Elmano para a indicação ao Senado, a mesma objetivada por MDB e, em menor proporção, pelo PSD. Luizianne, no entanto, deixou o partido em abril deste ano rompida com Camilo.

A aproximação de Luizianne às negociações foi classificada por uma das fontes como “o abacaxi que Cid deixou para Camilo”. O contexto de proximidade oportunizou aparições públicas de Domingos Filho na reta final das deliberações de Elmano-Camilo-Cid, que chegou a se reunir com seu ex-vice logo quando voltou às negociações no início deste mês, após pausa para cuidar da saúde.

Cid havia ficado ausente de diálogos políticos durante quase todo o mês de junho, o que passou a ser motivo de especulação. Dois dias depois do encontro com Cid, por ligação telefônica, Domingos Filho afirmou ao O Estado que o aliado estava “tranquilo, saudável e motivado para campanha” e que a agenda focou “nos cenários locais” postos na deliberação sobre a majoritária do governador, quem “naturalmente vai conduzir o processo”. 

Antes, em março deste ano, Domingos Filho visitou o sítio de Cid na região de Sobral, ocasião em que juntos participaram em um dos distritos da cidade, São José do Torto, de um dos almoços que estavam sendo oferecidos por lideranças políticas locais, para “palanques” diversos entre si.

Em Sobral, Cid e sua irmã, a deputada estadual Lia Gomes (PSB), são adversários da família Rodrigues, cujo prefeito, Oscar Rodrigues (União Brasil), derrotou Izolda Cela e ampliou o embate. A presença de Domingos na localidade se deu no período da janela partidária, em que deputados são liberados para trocar de partidos com vistas às eleições de outubro seguinte.

Na ocasião, O Estado conversou com ambos, que estavam no mesmo carro, com Cid dirigindo e o aliado no carona. Questionado sobre a presença de Domingos no encontro, Cid respondeu que os dois eram “amigos de longa data” e que Domingos o estava “devendo” uma visita a seu sítio, em Meruoca. Também na ocasião, Domingos Filho negou que se candidataria à Alece e afirmou que as decisões sobre a majoritária só se daria no período próprio das convenções, iniciadas em 20 de julho. 

Cid: fiel da balança
Ao longo dos dois últimos anos, Cid rumou a um patamar que o conferiu o papel de fiel da balança do projeto de reeleição de Elmano. Com a maior bancada da Alece e a presidência da Casa, depois de uma queda de braço do à época ministro da Educação, e o aumento do percentual de prefeituras cearenses com o PSB, Cid deu uma reviravolta na leve exclusão que sofrera em 2022, ano em que não participou da construção da escolha de Elmano como potencial substituto do ex-governador Camilo Santana (PT).

O meio de campo de relevância de Cid reside ainda no fato de o principal adversário político de Elmano neste ano ser Ciro. Cid conseguiu também ampliar seu reduto eleitoral e capital político a partir da relação institucional que desenvolveu ao lado do deputado federal Júnior Mano (PSB), que deixou o PL Ceará em 2024 após expulsão por parte da sigla e ampliou o número de filiados do PSB com e sem mandatos.

Antes da definição de que seria primeiro suplente da candidatura de reeleição de Cid, Júnior Mano publicou vídeo com apoio de cerca de 40 prefeitos ao seu nome ao Senado. Restou vencido pela pressão de “cidistas” dentro do PSB, movimento que contou com o apoio também de integrantes do PT. A decisão que colocou Cid na reeleição foi protagonizada pelo presidente Lula (PT), que acabou entrando no circuito. 

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