Disputas internas nos partidos: como o número do candidato na urna é escolhido?
Urna eletrônica Reprodução/TV Globo O início da campanha eleitoral marcou o fim de disputas internas nos partidos brasileiros, incluindo a definição do número dos candidato...
POR G1 POLÍTICA
Publicado em 22/08/2026 às 00:01

Urna eletrônica
Reprodução/TV Globo
O início da campanha eleitoral marcou o fim de disputas internas nos partidos brasileiros, incluindo a definição do número dos candidatos na urna. Apesar de parecer uma questão mais simples, o tema levou a brigas dentro dos dois principais partidos desta eleição: o PT e o PL.
Para os candidatos, o número na urna é uma questão estratégica. A depender do cargo, é mais fácil fazer com que o eleitor lembre do seu número na hora de votar se ele for composto de forma similar ao dos principais candidatos para o cargo de presidente da República.
Nesse sentido, números como 1313 e 22.222 foram alvo de disputa neste ano em diferentes estados. A decisão, no entanto, é do partido de forma autônoma. Ou seja, ou há um acordo entre os pré-candidatos ou a direção estadual ou municipal do partido pode definir seguindo critérios definidos em lei. (entenda mais abaixo)
Agora no g1
Tensão no PT do Rio
A disputa para deputado federal no Rio de Janeiro começou com uma queda de braço interna no PT. No partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve disputa pelo número 1313.
Os candidatos Lindbergh Farias e Marcelo Freixo criticaram publicamente o que chamaram de decisões sem “democracia interna”. Segundo eles, o PT é um partido democrático e não uma “capitania hereditária” e as decisões no estado precisariam respeitar isso.
“É lamentável que o debate sobre a estratégia do PT para as eleições legislativas seja submetido a interesses menores e familiares”, criticaram em vídeo publicado nas redes sociais.
As manifestações vieram depois do representante da Executiva Nacional no Rio, Washington Quaquá, decidir dar o número 1313 para seu filho, o candidato a deputado federal e presidente do partido no estado, Diego Quaquá.
O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, representante da Executiva Nacional do PT no Rio
Josué Amador/g1
Nas redes sociais, Washington Quaquá respondeu às críticas: "Quanto ao número 1313 ele foi usado por mim e agora será usado pelo presidente do PT no Estado, representante do município que é símbolo do que o PT tem de melhor!"
No fim, a decisão do representante da executiva nacional da sigla foi a que permaneceu, e Lindbergh e Freixo ficaram com outros números na urna.
Processo no PL do DF
Já no Distrito Federal, a disputa se deu entre dois candidatos para deputado distrital pelo número 22.222. O atual deputado distrital Roosevelt Vilela (PL) tenta a reeleição e queria trocar seu número anterior por esse, considerado mais estratégico. No entanto, o também candidato a distrital Eduardo Torres (PL), irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), teve a preferência do partido.
Para Roosevelt, o fato de ele atualmente já ter mandato e de ter feito o pedido pelo número com antecedência lhe dava a preferência. O deputado distrital levou o caso à Justiça eleitoral.
O TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal), no entanto, entendeu que Roosevelt só teria preferência se esse tivesse sido seu número na eleição anterior – o que não é o caso. O tribunal reforçou ainda que os partidos tem autonomia para tomar decisões internas e dar preferência em sua estratégia política para os nomes que definirem internamente.
A decisão foi dada pelo colegiado do TRE antes da campanha eleitoral, para garantir que os candidatos pudessem fazer suas propagandas com o número correto.
Outros números do PL, como o 2222 para deputado federal, também foram designados para nomes mais próximos da família Bolsonaro. No caso de São Paulo, o número ficou com o irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro, após decisão interna da sigla.
O irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro (à dir.).
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O que diz a lei
Os números de candidatos para cargos públicos devem conter o número do partido e, a depender do cargo, um, dois ou três algoritmos à direita.
Os partidos devem atribuir os números de forma decisiva nas convenções partidárias, realizadas em cada Estado. A distribuição dos números seguem a autonomia dos partidos, ou seja, devem ser definidas internamente.
Há, no entanto, algumas regras que devem ser seguidas, segundo a lei eleitoral:
há preferência se o candidato já utilizou o número na eleição anterior para o mesmo cargo;
candidatos que estão atualmente em um mandato podem pedir ao partido um novo número;
a decisão final será do partido.
Essa decisão pode seguir diferentes critérios internos, como o poder político de cada candidato. Também é possível entrar em acordos internos entre os candidatos da sigla. Em último caso, a direção do partido pode ainda realizar um sorteio para definir os números durante a convenção partidária, como previsto na lei eleitoral.
Ao negar a liminar apresentada pelo deputado distrital Roosevelt Vilela, do PL do Distrito Federal, o desembargador Néviton Guedes reafirmou a autonomia dos partidos políticos em definições internas como estas.
“É um aspecto político essencial do partido, que pode eleger um candidato como mais importante para a sua proposta, para a sua disputa política”, defendeu Guedes.